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São falsos os profetas que profetizaram a reeleição de Donald Trump?

Precisamos ficar em alerta tanto com o que diz um profeta quanto com as intenções dele.

Newmar Costa

em

Ex-presidente Donald Trump
Ex-presidente Donald Trump (Foto: Reprodução/YouTube)

Olá, caros amigos leitores do Gospel Prime!

“São falsos os profetas que profetizaram a reeleição de Donald Trump?”

Foi a pergunta que um amigo me fez estes dias.

Antes de mais nada é importante esclarecer o que a Bíblia chama de “falso profeta”.

De acordo com Jesus, nós precisamos ficar em alerta tanto com o que diz um profeta quanto com as intenções dele por trás do que ele diz – principalmente com as intenções dele! Jesus nos adverte, em Mt 24:23-27, que: “falsos Cristos e falsos profetas virão e tentarão enganar até mesmo os eleitos de Deus”.

Além de intencional na arte do engano, um falso profeta tem ao menos oito outras características. É o que afirma a Palavra de Deus.

Vejamos quais:

1 – Eles são zombadores da Palavra de Deus, relativizando-a e colocando-a em cheque. Eles têm o seu próprio ponto de vista, e vivem as suas vidas independentemente dos princípios de Deus (2Pe 3:3-4).

2 – Eles não creem no Deus Trino ou descaracterizam a Trindade. Alguns são modalistas (acreditam que Deus é como a água, que se manifesta em 3 estados: físico, líquido e gasoso. Do mesmo modo, crêem que Deus se manifesta hora no Pai, hora no Filho, hora no Espírito Santo). Uns são unicistas (crêem que Deus não tem um Filho; portanto, Jesus não é filho de Deus). Outros crêem na heresia do arianismo, que alega que Jesus está subordinado a Deus Pai, sendo Ele (Jesus) não o próprio Deus em si e por si mesmo. Ainda outros, alegam que Jesus é um espírito super-evoluído, mas não é Deus. Qualquer que não enxerga Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo como coiguais e coeternos entre si, é um falso profeta (Jd 4).

3 – Eles se introduzem na igreja de Deus com a intenção de causar intrigas e divisões. Descaracterizam a graça de Deus (Jd 4).

4 – Eles têm espírito insurgente, não se submetem às autoridades estabelecidas por Deus, nem de dentro, nem de fora da igreja (Jd 8)

5 – Eles são inconstantes nas suas ideias, uma hora pensam de um jeito, outra hora, de outro. Nunca se firmam na verdade da Palavra de Deus. Suas vidas são espiritualmente imundas e infrutíferas (Jd 13).

6 – Eles são gananciosos. Estão mais interessados nos seus próprios bolsos do que na saúde física, emocional, e destino eterno das pessoas (Jd 11).

7 – Eles pregam o liberalismo teológico, o relativismo moral e a hipergraça (2Pe 2:19).

8 – Eles são irreconciliáveis. Rejeitam a verdade até o fim (Tt 3:10-11).

Com base nestes textos bíblicos elencados, é possível concluir
que em se tratando de profetas da Nova Aliança, um falso profeta é identificado mais por um conjunto de fatores dentro de um prisma multifacetado do que por conta de uma ou duas “profetadas” isoladas. Profetadas que, muitas vezes, são proferidas pela simples vontade que o “profeta” tem de aparecer. Ou, ainda, “na melhor das intenções” a pessoa ouviu a voz da própria imaginação, não a voz do Senhor. Acontece nas melhores famílias. E quem nunca confundiu vozes na sua cabeça que atire a primeira pedra.

O Novo Testamento nos deixa ao menos uma evidência consistente de que, com excessão dos 12 apóstolos, outros homens e mulheres de Deus da Nova Aliança, podiam acabar cometendo erros volta e meia ao declarar profecias. E nem por isso deveriam ser julgados como falsos profetas pela comunidade cristã, com tanto que fossem pessoas de reputação comprovada e motivadas pelo amor que nutriam à verdade.

Em Atos 21:10-11, Lucas narra uma profecia imprecisa, proferida por Ágabo – homem de Deus, ao apóstolo Paulo. Diz assim: “Desceu da Judéia um profeta chamado Ágabo. Vindo ao nosso encontro, tomou o cinto de Paulo e, amarrando as suas próprias mãos e pés, disse: “Assim diz o Espírito Santo: ‘Desta maneira os judeus amarrarão o dono deste cinto em Jerusalém e o entregarão aos gentios”.

Quando eu me refiro à profecia de Ágabo como imprecisa isso se dá ao fato de que observamos dois pequenos erros na previsão de Ágabo, que apesar de haver recebido uma mensagem de Deus, parece tê-la interpretado de forma equivocada quando ela a transmite a Paulo. Isso só confirma que embora as orientações de Deus são perfeitas, os filtros do coração humano são imperfeitos.

Primeiro, Ágabo predisse que os judeus de Jerusalém “amarrariam” Paulo (v. At 21:11; o termo grego traduzido por “amarrar” é “deo”). No entanto, quando Paulo foi finalmente capturado em Jerusalém, mais adiante no mesmo capítulo, Lucas repete duas vezes que não foram os judeus, mas sim os romanos que amarraram Paulo: “O comandante chegou, prendeu-o e ordenou que ele fosse amarrado [grego “deo”] com duas correntes” (At 21:33). Do mesmo modo, ao refletir sobre esse episódio, “o próprio comandante sentiu-se receoso quando soube que Paulo era romano, porque o mandara amarrar [grego “deo”]” (At 22:29).

O segundo equívoco da profecia de Ágabo se dá pelo segundo detalhe que ele predisse: o fato de que os judeus “entregariam” Paulo nas mãos dos gentios. Aqui, o termo grego para entregar é “paradidomi”, que significa “passar às mãos”, “dar”. O ponto crucial do sentido desse termo é a ideia de alguém “entregar”, “doar” ou “passar às mãos” de maneira ativa, consciente e proposital alguma coisa a alguém – esse é o sentido que aparece nas outras 119 ocorrências dessa mesma expressão ao longo do Novo Testamento.

O termo grego “paradidomi” é utilizado na ocasião em que Judas “entregou” Jesus nas mãos dos líderes eclesiásticos judeus (Mt 10:4; 26:16 etc.); quando os judeus “entregaram” Jesus nas mãos dos gentios (romanos) (Mt 20:19); quando João Batista é “entregue” à prisão (Mc 1:14); quando Moisés “entregou” as leis ao povo (At 6:14); quando Paulo “entregou” ensinamentos à igreja (1Co 15:3). Nenhum dos outros 119 exemplos do uso desse termo no Novo Testamento deixa de utilizar o conceito de uma ação consciente e intencional feita por quem realiza a “entrega”.

Por contraste, na narrativa que se desenrola em função da profecia de Ágabo, os judeus não “entregaram” Paulo nas mãos dos gentios. Em lugar de voluntariamente “passar Paulo às mãos” dos gentios – tal como os judeus fizeram com Jesus, os próprios judeus tentaram matar o apóstolo (At 21:31). De modo que Paulo precisou ser forçadamente livrado das mãos dos judeus pela guarda romana (At 21:32-33). Ainda assim, “a violência do povo foi tão brutal que os soldados romanos precisaram carregá-lo” (At 21:35).

O mais interessante de tudo é que quando Paulo vivenciou toda essa situação, a Bíblia não diz que ele ficou pensando consigo mesmo irritado: “Mas não foi exatamente desse jeito que Ágabo profetizou que aconteceria!” Nem muito menos a Bíblia não diz que a partir desse episódio, Paulo passou a ver Ágabo como um falso profeta, por conta dos detalhes imprecisos da sua profecia. Uma vez que o caráter de Ágabo não era de falso profeta.

Agora, em referência direta aos profetas que profetizaram a reeleição de Trump, quem sabe eles se equivocaram na data? Quem sabe eles receberam uma mensagem correta e a interpretaram erroneamente? Ou, quem sabe eles se equivocaram completamente porque não entenderam nada da mensagem original? Ou, quem sabe simplesmente Deus não falou nada, e tudo não passou de mera imaginação humana? Cada uma dessas hipóteses é completamente possível.

Seja como for, para inseri-los na categoria de “falsos profetas” algumas perguntas precisariam ser respondidas: eles são gananciosos? Eles tiveram a intenção premeditada e consciente de fomentar pechas entre o povo de Deus? Eles descreem da Trindade? Eles são insubmissos a lideranças? Eles supervalorizam as suas próprias ideias e comportamentos em detrimento da Palavra de Deus? Caso sim, são sem dúvida falsos profetas; não exclusivamente pela entrega de uma profecia imprecisa ou errada, mas pelo “pacote completo” que denuncia um profeta como falso aos moldes da Palavra de Deus.

No mais, o melhor conselho para aumentar as chances de um profeta entregar uma profecia corretamente é fazê-lo na intensidade da sua . Este é o conselho do apóstolo Paulo em Rm 12:6, que diz: “Temos diferentes dons, de acordo com a graça que nos foi dada. Se alguém tem o dom de profetizar, use-o na proporção da sua fé”. Assim, quanto mais pautada na Palavra de Deus e madura for a fé, maior a chance de entregar uma profecia sem edições e nem ruídos humanos.

Deus te abençoe muitíssimo.

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Bacharel em teologia pela Faculdade Teológica e Apologética Dr. Walter Martin e mestrando em teologia ministerial pela Carolina University - Winston-Salem/NC/EUA. Pastor sênior da Igreja Batista Candelária em Candeias, PE, desde 2016. Escritor - autor do livro: Endireita-te com Deus - 7 Passos para uma Vida Emocional e Espiritual Plena. Casado com Shirley Costa, e pai do João Gabriel.

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