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devocional

Reposicionamento em tempos de pandemia

A estação de Deus para o crescimento.

Larissa Amaral

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Adolescente com máscara comemora aniversário com bolo (pixpoetry / Unsplash)

O ano é de 2020, e o cenário é de paralisação mundial em virtude da descoberta de um vírus mortal que surgiu na China, o Sars-Cov-2. Os números de óbitos assustam a população, e o governo decide por um isolamento social como medida de proteção para evitar a propagação dessa enfermidade, após a OMS se pronunciar e decretar uma pandemia internacional.

As orientações e nosso único “remédio” era usar máscaras e lavar bem as mãos com sabão ou desinfectá-las com álcool em gel.

No Brasil, a aglomeração era evitada, e algumas leis restringiam até o direito de liberdade de ir e vir em determinadas cidades a fim de alcançar aquele resultado. Prisões aconteciam, comércios foram fechados, aumento do home office, governo em crise, trabalhadores perdendo seu sustento, profissionais se reinventando, e o mais preocupante, as igrejas ficaram obrigatoriamente vazias.

Algo semelhante ao “fim do mundo”, e a alternativa para Deus chegar nos lares, eram evidenciadas na solidariedade das pessoas que faziam doações, e/ou mediante as lives dos aplicativos da internet. Mas, para nossa maior surpresa, a primeira igreja que foi levantada foi nas famílias.

As pessoas desaceleraram, e se voltaram para o Senhor, faziam suas orações ao redor das mesas e por isso, a comunhão aumentou, cultos domésticos eram frequentes, tudo com objetivo de ouvir a voz do Criador, um povo sedento por uma resposta para aquela situação e um silêncio de Deus que durou pouco, porque logo veio um brado em cada casa!

Vimos as mulheres do século XXI sendo reposicionadas em seus lares, cozinhando e cuidando do projeto mais importante e sólido para o Reino de Deus. Elas participavam, ativamente, na criação de atividades que amenizassem o ócio das crianças, tudo dentro do padrão “fique em casa”.

Já os maridos e os companheiros, reaprendendo a conviver com suas esposas e filhos, que há tempo havia perdido o hábito de amar, em decorrência do cansaço ou da correria semanal. E os filhos adultos que ainda habitavam com seus pais, descobrindo que eles precisavam de suas companhias, também nos finais de semana.

Os solteiros sentindo o peso da solidão, e despertando ou restaurando, acanhadamente, o desejo ou o sonho pela vida a dois, e compreendendo que ter todas (os), é não ter nenhuma (um).

Os aniversários, durante a quarentena, foram comemorados com quem realmente deveriam ser honrados, o pai e a mãe, ou por um pequeno grupo familiar, longe de holofotes ou de burburinhos com amigos. Não estou afirmando que ter amigos é ilícito, mas no período pré-pandemia, nos concentrávamos mais fora de casa, do que dentro dela.

Dos edifícios, todas as noites, escutávamos louvores que engrandeciam o nome de Jesus, e com essa atitude, toda língua confessava que somente Cristo era o Salvador. Aplausos para os profissionais de saúde, despertaram no povo, um espírito de gratidão, e isso agrada ao Pai.

O básico entrando nos armários, onde compras desnecessárias foram evitadas durante o período pandêmico como medida de segurança econômica. As pessoas assimilando sobre a importância de gerenciar seus recursos financeiros, e outros, sofrendo a penúria de não ter feito uma reserva, fazendo com que todos vivessem na dependência de Deus, e se inserissem nos mesmos versículos de Mateus 6:31-32 – “Assim não andeis ansiosos, dizendo: Que havemos de comer? ou: Que havemos de beber? ou: Com que nos havemos de vestir? (Pois os gentios é que procuram todas estas coisas); porque vosso Pai celestial sabe que precisais de todas elas”.

A esquisita inversão de “quem trouxe” essa pandemia para o Brasil, ou seja, quem tem dinheiro para realizar viagens internacionais, mostra que não existe para o Soberano ninguém a margem da sociedade, não há ricos ou pobres, melhores ou piores, todos estão equilibrados no mesmo patamar de amor.

Com tudo isso, percebo Deus chacoalhando o mundo para se reposicionarem nEle, aproveitando a transição para uma nova época pós-pandemia, para nos ensinar os reais propósitos e nos “ajudar” a herdarmos a eternidade: “Mas buscai primeiramente o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mateus 6:33).

Nítida é a estação de crescimento para todos, que podemos entender de duas formas, ou um crescimento na vida profissional e para um futuro menos acelerado e mais dependente do Pai, no descanso que Ele cuida de tudo, e/ou um crescimento para herdarmos o Reino de Deus. Todas as duas precisam ser construídas, e terem uma base, e o alicerce sempre deverá ser o altar, e nunca a torre, porque essas caem. O exemplo mais firme que temos na palavra é a famosa e audaciosa torre de Babel.

“Disseram uns aos outros: Vamos fazer tijolos e queimá-los bem”. Usavam tijolos em lugar de pedras, e piche em vez de argamassa. Depois disseram: “Vamos construir uma cidade, com uma torre que alcance os céus. Assim nosso nome será famoso e não seremos espalhados pela face da terra”. (Gn 11:3-4)

Percebemos que o propósito da construção desse monumento tinha a pior das motivações, ou seja “teremos nomes famosos”, pautado na soberba e na mania de grandeza (uma torre que alcance os céus) e com finalidade contrária a vontade do Todo-Poderoso (não seremos espalhados pela terra – quando a ordem é o “Ide”).

A maneira que o Eterno utilizou para frear esse projeto e assim, comunicar a esse povo que só Ele é Deus, foi através da confusão das línguas (“venham, desçamos e confundamos a língua que falam, para que não entendam mais uns aos outros” – Gênesis 11:7). E sobreveio a eles, o que mais temiam (Assim o Senhor os dispersou dali por toda a terra, e pararam de construir a cidade – Gênesis 11:8).

É por essa razão, que inúmeros ministérios pastorais, igrejas levantadas, famílias formadas, ou profissionais graduados são frustrados na caminhada, visto que se usarmos a torre como fundamento para construir essas coisas, posso afirmar que não teremos sucesso, porque este não está associado somente a quantidade de pessoas que conseguimos unir em um templo, ou a uma conta bancária recheada e carros do ano que exibimos, nem tampouco ao modelo familiar “comercial de margarina” que apresentamos para a sociedade (“Pois, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?” – Marcos 8:36).

Precisamos plantar algo firmado na verdade, ou seja, não adianta os enredos de prosperidade, se nossa alma continua toda danificada, e as nossas emoções não são compatíveis com o que apresentamos através dos nossos bens ou das nossas conquistas. Essa verdade é revelada nos relatos de pastores vítimas da depressão, ou no crescente número de casos de divórcios, e acima de tudo, no fato de milionários se suicidando por não aguentarem uma pressão que nem sequer eles sabem quais são.

Isto quer dizer que, nosso sorriso largo, aquele que aparece numa fotografia ou numa roda de amigos é muito mais importante para o Pai, e devem ser equilibradas com a história que leem. Tais coisas, ou seja, vazios preenchidos, nossas emoções ajustadas e nosso caráter forjado, só podem ser edificadas no altar.

E, neste lugar, tem choro, mas tem cura, tem dores, mas tem avivamento, tem solidez, mas tem processo, tem amor, mas tem correção, tem perdão, mas tem escavações e tratamento nas raízes, tem estercos para replantar o certo, que apesar de não ser algo cheiroso, é algo poderoso para impulsionar. Tudo isso, somente para fazer nova todas as coisas, e plantar uma árvore que dará os frutos corretos, e que colherá o real propósito para o qual fomos criados, qual seja, herdar o Reino, e termos as demais coisas sendo acrescentadas.

Aqui podemos entender que existem os níveis de glória, primeiro o Reino, e depois, as demais coisas, que estão no mesmo grau de importância para o Senhor. Contudo, posso crê que, o nosso crescimento genuíno (Espiritual e Emocional/Financeiro/Familiar/Profissional/etc) deve caminhar juntos, e ele depende de busca e relacionamento com Deus, para ouvirmos a voz verdadeira, para recebermos o melhor vinho dessa terra, e não corrermos o risco de nos embriagarmos com o excesso, nem nos arrebentarmos com a fermentação.

“E ninguém colocaria vinho novo em velhos recipientes de couro. O vinho os arrebentaria, e tanto o vinho como os recipientes se estragariam. Vinho novo precisa de recipientes novos”. (Marcos 2:22)

E nada disso, anula a tão sonhada vida em abundância, seja ainda aqui na terra, mas seja principalmente a eterna.

Referência

(COTY) BORGES, Marcos de Souza. O avivamento do odre novo. Ed. Jocum. 7a ed. Outubro 2011.

Larissa Fabiana do Amaral Pereira é advogada, membro da igreja Bola de Neve em Mossoró (RN). Uma das idealizadoras do ministério Preciosas e ex-aluna do Instituo Teológico Detrás das letras, na Suíça.

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