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Opinião

Refugiados sírios? E eu com isso?

Como cristãos que somos, não podemos jamais dizer ao mundo “E eu com isso?”

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Cenas chocantes tem chegado até nós, via internet ou TV, dos refugiados sírios superlotando embarcações, algumas fatalmente naufragando, além das multidões sendo recebidas na Europa, velhos, homens, mulheres e crianças, mal vestidos e carregando seus únicos pertences nas mãos. A cena mais emblemática de todo esse trágico êxodo foi sem dúvida a do corpo do garotinho sírio em uma praia vitima de um naufrágio.

Diante de tudo isso, me deparo com o texto de uma articulista de determinada revista cristã brasileira afirmando que nós ocidentais não temos nada a ver com toda aquela situação, que temos os nossos problemas sociais em nosso país e que não temos culpa do que está acontecendo com aquele povo. Vindo de alguém que se diz cristã e missionária o texto me deixou chocado, e graças a Deus não perdi ainda a capacidade de me chocar com algumas intervenções textuais de determinados irmãos,  caso contrário não teria talvez a necessidade de escrever esse texto.

Bem, quando Jesus foi perguntado acerca de qual seria o grande mandamento, o mestre respondeu: ” ‘Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma, de todas as suas forças e de todo o seu entendimento’ e ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’”(Lucas 10.27). E quando questionado acerca de quem seria esse próximo o Senhor contou a Parábola do Bom Samaritano, que consiste basicamente em uma lição de que mesmo que você seja de outra etnia, religião ou raça, isto não o isenta de socorrer os que necessitam de sua ajuda, ou seja, o que nomeia o outro como nosso próximo é o fato de estarmos próximos dele.

Hoje em dia, com o estreitamento da comunicação, temos nos sentido cada vez mais próximos de tudo que acontece no mundo, não ter conhecimento do sofrimento humano é quase impossível visto que a dor humana está sempre diante de nós por meio de todas as mídias possíveis. Essa realidade está tão próxima a nós que seria pura insensibilidade  fingir não vê-la, ou, não querer se comprometer com isso.

Sim, nós ocidentais talvez não tenhamos culpa alguma do que está acontecendo com aquele povo, mas não dirigir ao menos uma oração pedindo pela misericórdia de Deus por toda a trágica situação, ou não dar apoio às nações que mesmo em vista a todos os riscos tem acolhido essas pessoas, seria nos comportarmos na semelhança do sacerdote e do levita relatados na parábola de Jesus, tão preocupados com as questões religiosas que esqueceram de manifestar a imagem de Deus em suas vidas.

Como cristãos que somos, não podemos jamais dizer ao mundo “E eu com isso?”, mesmo que possamos fazer aparentemente tão pouco, é preciso que saibam que tipo de amor é o que nos move.



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