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Opinião

Reflexões sobre as recentes tragédias

Não é para ter medo de 2019, é para entender que hoje estamos, mas amanhã podemos não estar mais.

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Rompimento da barragem da Vale em Brumadinho
Rompimento da barragem da Vale em Brumadinho. (Foto: Isac Nóbrega/PR)


Neste início de 2019, o Brasil vem experimentando várias notícias de tragédias. Primeiro, tivemos o desastre de Brumadinho, com o rompimento da barragem. Após isso, um temporal fez quase 10 mortos no Rio de Janeiro, onde ocorreu também um incêndio no Centro de Treinamento do Flamengo, matando meninos a flor da idade, cheios de sonhos. E o país ontem, recebeu a morte trágica do jornalista Ricardo Boechat que estava em um helicóptero que se espatifou em cima de um caminhão no Rodoanel, em São Paulo.

Diante de fatos tão tristes como estes, o que tenho visto em muitas pessoas, inclusive religiosos, são duas atitudes que a meu ver refletem a dificuldade das pessoas de verem a realidade nua e crua como ela é. Assim, cria-se uma espécie de “pensamento mágico” para a pessoa suportar as tragédias. E isso é perigoso, quando não a denotar uma falta de empatia. Vejamos.

Em primeiro lugar, temos o surgimento de conspirações. Conspiração é uma hipótese explicativa ou especulativa que sugere que duas ou mais pessoas ou uma organização têm tramado para causar ou acobertar, por meio de planejamento secreto e de ação deliberada, uma situação ou evento tipicamente considerado ilegal ou prejudicial.

Em outras palavras, em suas esmagadoras vezes, a conspiração traz ideias sem fundamentos, muitas vezes produzindo suposições que contrariam a compreensão predominante dos eventos históricos ou de simples fatos.

No caso das referidas tragédias, vi gente dizendo que a sequência quase concomitante delas teria a ver com uma trama engedrada pelo atual governo para retirar o foco das investigações sobre a família do Presidente. Falando nele, está na internet, um vídeo amador que insinua que a própria facada que ele levou em Juiz de Fora seria uma farsa, algo que vi muita gente de esquerda defendendo ou buscando vincular.

Ainda vi, ontem uma mulher dizendo que a tragédia com o Boechat teria se dado porque ele estaria trabalhando em uma reportagem bombástica que traria à tona quem seriam os supostos mandantes da facada em Bolsonaro.

Diante destas conspirações, o que mais me chama a atenção é a “certeza” que as pessoas externam ao afirmarem e publicarem em redes sociais coisas assim, mesmo sem nenhuma prova concreta do que dizem. Não sei em que mundo estas pessoas vivem. Não que algumas conspirações posteriormente se mostraram verdades, mas, para isso houve FATOS CONCRETOS provados. E nesses casos que citei? Zero de concretude.

Por outro lado, nestas tragédias, também é comum em alguns religiosos, que ainda não entenderam o que é a Graça de Deus, de dizer que o ocorrido é um “castigo divino”, uma retribuição de Deus pela pessoa não ter agido corretamente.

Vimos, por exemplo, no caso do Boechat gente dizendo que sua terrível morte foi uma reprimenda de Deus, por ele, além de ser ateu, ter, de forma extremamente chula e agressiva, mandado o pastor Silas Malafaia, que seria um “ungido” de Deus, a sair procurando por aí uma genitália masculina, além de qualificá-lo como um explorador da fé.

A meu ver, alguém que fala coisas assim, usa o nome de Deus em vão, algo que é totalmente antibíblico (Exôdo 20:7). Ademais, mostra um tipo de pensamento binário muito pobre, do tipo: se eu sigo a Bíblia, estou protegido. Quem é “ímpio”, recebe a maldição sobre sua vida. Ocorre que se formos olhar à nossa volta, veremos inúmeras vezes em que o justo sofreu tragédias sem fim em sua vida e aparentemente o homem mau só teve sucesso, algo que o salmista menciona com maestria (Salmos 73).

Penso que nada passa despercebido ao olhar de Deus, mas, a real retribuição daquilo que fizemos de bom ou mal se dará na vida vindoura. Aqui estamos apenas de passagem. Como foi muito lembrado ontem na morte do aludido jornalista: A vida é um sopro.

Concluo, com uma frase que li ontem na internet, de autor desconhecido: Não é para ter medo de 2019, é para entender que hoje estamos, mas amanhã podemos não estar mais. Então viva, ame, peça desculpas, faça, ajude, porque o tempo passa e não existe o controle de voltar atrás. Isso é, inclusive, a mensagem central que a Bíblia nos traz no livro de Eclesiastes.



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