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Opinião

Quem é digno do reino?

Cuidado para não maquiar seus pecados

Maycson Rodrigues

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Agustin Fernandez
Agustin Fernandez. (Foto: Reprodução / Facebook)

Na última quinta-feira (14), foi noticiado que Agustin Fernandez foi batizado na Igreja Apostólica Vida Nova. Trata-se de um youtuber famoso e uma figura pública bastante seguida nas redes sociais. São milhões de inscritos em seu canal e outros milhões de seguidores nas plataformas sociais.

Estou então mexendo com um assunto muito polêmico, mas vamos lá. Que Deus me ajude.

Quero deixar bem claro que fiquei feliz com a publicação, não pelo fato dele ter sido batizado numa igreja evangélica, mas por reconhecer que é amado por Jesus. Sim, Deus em Jesus nos ama do jeitinho que somos!

Mas não nos deixa como estamos.

Agustin Fernandez, ao reconhecer publicamente o amor de Jesus por sua vida, está mais próximo do reino de Deus do que muito crente que maquia os próprios pecados e se esconde em cargos eclesiásticos para viver uma vida dúbia.

Ele (Agustin) é semelhante ao filho mais novo da parábola do filho pródigo, que vivia uma vida distante do Pai, contudo descobriu que foi achado por Ele – quando eu creio que por Ele foi atraído sem ao menos se dar conta disso.

Muitos são aqueles que vivem como o filho mais velho, se orgulhando de suas obediências que são resultado de muito medo e de um sentimento egoísta que traz desgosto ao coração do Pai, pois já não conseguem nem mais celebrar o retorno de um irmão que estava perdido.

Agora, o fato de este jovem ouvir o chamado de Cristo para a salvação não muda uma necessidade que temos de refletirmos sobre as prerrogativas que envolvem o batismo de um “novo convertido”, por assim dizer.

Quando o apóstolo Pedro recebeu o Espírito Santo juntamente com outros irmãos no Dia de Pentecostes, pregou o evangelho de Jesus com tanto poder que milhares de judeus creram para a salvação. Daí, estes lhe perguntaram o que deveriam fazer uma vez que creram na pregação e a resposta do apóstolo, cheio do Espírito Santo, foi a seguinte:

“E disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo; (Atos 2.38)”. 

Veja isto. A prerrogativa para que alguém seja batizado em nome de Jesus Cristo chama-se arrependimento. Se há arrependimento, ou seja, mudança de mente relacionada à própria natureza espiritual, então há não só a permissividade como a necessidade de que se batize tal pessoa.

E esta “mudança de mente” implica em reconhecer-se pecador e entender que tal pecado deve ser repudiado no próprio coração e abandonado na vida. Não apenas enxergar a própria natureza espiritual; mas, também, compreender que o pecado outrora cometido e amado deve ser agora rejeitado e mortificado no corpo e na mente a cada dia pelo poder do Espírito – por amor a Cristo.

Aqui, não estamos apenas tratando do caso do famoso youtuber. Estamos tratando de qualquer caso, para qualquer pessoa que creia no evangelho. Crer não é o bastante; é preciso também se arrepender dos pecados.

Há um texto que se faz necessário para esta reflexão:

“E, depois que João foi entregue à prisão, veio Jesus para a Galiléia, pregando o evangelho do reino de Deus, e dizendo: O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo. Arrependei-vos, e crede no evangelho (Marcos 1.14-15).”

O próprio Jesus iniciou o seu ministério pregando o arrependimento e a fé para a salvação. O Reino não é para quem se acha digno; o Reino é para o indigno que se arrependeu dos pecados e creu no evangelho.

Paul Washer, certa vez explicando este texto, nos mostrou que o original grego mostra esta expressão “arrependei-vos e crede no evangelho” como sendo dita por Cristo no gerúndio nas traduções mais fieis ao texto original, ficando assim: “(…) agora, passe o resto de suas vidas se arrependendo e crendo no evangelho”.

Porque crer não é o bastante. Há quem creia por um momento e depois abandone a fé. Há quem se arrependa por um tempo e depois volte à vida antiga. Por isso, defendemos que qualquer que venha a Cristo dê fruto de arrependimento, para que então seja batizado conforme a ordenança apostólica.

No entanto, aí é que entra outra complexidade. Não acompanhei o processo de conversão do Agustin, nem o seu discipulado ou catequese visando o batismo; portanto, não posso afirmar que é algo verdadeiro ou não – e nem devo me colocar nesta posição de quem vai determinar o caráter da aceitação de alguém na aliança da nova circuncisão, seja este(a) quem for. Porém, mesmo assim, posso discernir uma árvore pelos seus frutos.

O que preciso evitar em meu coração é o senso de irmão mais velho que acha que alguém não é digno de entrar no Reino de Deus porque não se adéqua ao meu padrão de moralidade. Isso é patético. Por esta ótica ninguém merece o Reino, pois nem eu nem você somos dignos.

Temos de orar por pessoas como Agustin, que se aproximam do Reino de Jesus e que descobrem o seu infinito amor. E o pastor que o batizou dará conta do que fez, caso tenha sido conforme a verdade do evangelho ou não. A você e a mim, não cabe o julgamento temerário, mas, sim, a alegria por um pecador que diz “sim” ao amor de Deus.

Isto posto, quero somente fixar este pensamento ao leitor: ninguém deve ser batizado se não confessar publicamente que se arrepende dos pecados e que crê no Filho de Deus e em sua obra redentora. Se alguém é batizado sem essas primícias espirituais, quem dará conta disso é quem o batizou de forma irresponsável e fora da verdade do evangelho.

Espero de todo o meu coração que assim não tenha sido na vida deste jovem e que ele continue descobrindo o quão é amado por Deus em Jesus Cristo de tal modo que, pela fé, passe [a cada dia] a renunciar a si mesmo, tomar a própria cruz e segui-lo por onde Ele for.

Casado com Ana Talita, seminarista e colunista no site Gospel Prime. É pregador do evangelho, palestrante para família e casais, compositor, escritor, músico, serve no ministério dos adolescentes e dos homens da Betânia Igreja Batista (Sulacap - RJ) e no ministério paraeclesiástico chamado Entre Jovens. Em 2016, publicou um livro intitulado “Aos maridos: princípios do casamento para quem deseja ouvir”.