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Opinião

Quebrando o tabu quebrado

Jesus não quebrava tabuzinho em prol do politicamente correto

Maycson Rodrigues

em

Conjuro-te, pois, diante de Deus, e do Senhor Jesus Cristo, que há de julgar os vivos e os mortos, na sua vinda e no seu reino, que pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina. Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas. Mas tu, sê sóbrio em tudo, sofre as aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre o teu ministério. (2 Timóteo 4:1-5)

Vamos falar sobre pessoas que estão na internet tentando “causar”. A pós-modernidade celebra a diversidade (o que em si não é nocivo) mas sob o pano de fundo da desconstrução dos valores cristãos que têm sido um norte familiar milenar – e digo isso de um modo geral, não absoluto, mas generalizado. E agora, me parece que a sociedade depende do que se publica na internet para se ter acesso à informação, o que é uma grande mentira.

Vi uma publicação no Facebook da famosa página “Quebrando o Tabu” (belíssima proposição), onde citava Jesus Cristo como um “revolucionário radicalmente não violento que andava com prostitutas e ladrões… era contra o acúmulo de riquezas e contra a pena de morte… nunca chamou pobres de preguiçosos, defendia bandidos e não achava que matar era solução pra coisa alguma”. É isso mesmo: estou dedicando o precioso tempo da minha vida para refutar tal post que teve mais de cem mil curtidas e mais de quarenta e cinco mil compartilhamentos.

Tem um monte de gente que fala de Jesus por aí, mas o que vale não é o que falam e sim quem está falando. Quem está falando parte de qual pressuposto argumentativo? Esta é a pergunta que deveria ser feita por todos os cristãos que “curtem e acompanham” esta página.

Eu quero informar a todos que Jesus não é um brinquedo teológico para ficar sendo manipulado por qualquer curioso da internet. E que, para dizer por aí sobre quem Ele é, faz-se necessário apurar o documento que registra fielmente a sua história, para que não vendam uma imagem distorcida d’Aquele que nunca poderá ser reduzido a um mero “revolucionário”.

Revolucionário, caro ou cara “Quebrando o Tabu” (não importa agora), foi o Fidel Castro, só que ele não poderá ressuscitar e muito menos salvar o seu povo.

Primeiramente, vamos pontuar algo: O Jesus Cristo bíblico é IMPOPULAR. Ok? Então, vamos nessa, pois.

Veremos, curiosamente, sete textos bíblicos, para quebrar com a cara do tabu (péssima piada, mas vamos focar agora):

1-O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito. Nicodemos respondeu, e disse-lhe: Como pode ser isso? Jesus respondeu, e disse-lhe: Tu és mestre de Israel, e não sabes isto? (João 3:8-10)

Acho que não é difícil perceber a acidez na resposta do Mestre onde negritei, certo? Com quem Ele estava falando? Com um fariseu chamado Nicodemos. Este fariseu não se convenceu de que Jesus era um impostor e foi procurá-lo às escondidas, bem tarde da noite. Iniciaram um diálogo, onde o fariseu encheu o Senhor de bajulações e recebeu como resposta uma asseveração sobre a doutrina do novo nascimento. E, no afã farisaico de tentar acompanhar Jesus na fala, recebeu uma resposta, no mínimo, irônica, eu diria…

2-E, depois que João foi entregue à prisão, veio Jesus para a Galiléia, pregando o evangelho do reino de Deus, e dizendo: O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo. Arrependei-vos, e crede no evangelho. (Marcos 1:14,15)

Como que um homem que “andava com prostitutas e ladrões e defendia bandidos” poderia falar em arrependimento? Afinal de contas, se eu ando com alguém, é um sinal de que eu não me importo nem um pouco com aquilo que esta pessoa faz ou deixa de fazer. Não é assunto meu. Só que não! Jesus veio pregar o evangelho do reino de Deus, e no evangelho há sempre uma convocação ao arrependimento e a fé no Seu nome. Não adianta recalcitrar contra os aguilhões, somente quem crer e for batizado é que será salvo da Ira vindoura! “O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo”… quem tem ouvidos, que ouça.

3-Jesus respondeu, e disse-lhe: Qualquer que beber desta água tornará a ter sede; mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que salte para a vida eterna. Disse-lhe a mulher: Senhor, dá-me dessa água, para que não mais tenha sede, e não venha aqui tirá-la. Disse-lhe Jesus: Vai, chama o teu marido, e vem cá. A mulher respondeu, e disse: Não tenho marido. Disse-lhe Jesus: Disseste bem: Não tenho marido; porque tiveste cinco maridos, e o que agora tens não é teu marido; isto disseste com verdade. (João 4:13-18)

Mas, que absurdo? Como um “revolucionário” perderia tempo falando da vida dos outros? Como ousa fazer tal afirmação contra uma mulher? Estas perguntas eu faço a vocês, quebradores de tabu.

Jesus está sim quebrando um tabu ao dialogar com uma mulher publicamente, o que era inaceitável naquela cultura. Mas o teor da conversa é bem impopular para alguém que é tão “brother” dos pecadores. Se ele anda com prostitutas, por que iria se importar em denunciar o fato de que a mulher samaritana teve cinco maridos e o atual não era dela? Simples: Ele falava de uma água espiritual (Ele mesmo) que poderia lhes restaurar, entre outras coisas, a dignidade; mas para isso, ela deveria crer que Ele era o Filho de Deus e se arrepender dos seus pecados. Os pecadores tinham acesso livre a Cristo, mas nenhum deles, ao segui-lo, permanecia o mesmo.

4-E estava próxima a páscoa dos judeus, e Jesus subiu a Jerusalém. E achou no templo os que vendiam bois, e ovelhas, e pombos, e os cambiadores assentados. E tendo feito um azorrague de cordéis, lançou todos fora do templo, também os bois e ovelhas; e espalhou o dinheiro dos cambiadores, e derribou as mesas; e disse aos que vendiam pombos: Tirai daqui estes, e não façais da casa de meu Pai casa de venda. E os seus discípulos lembraram-se do que está escrito: O zelo da tua casa me devorou. (João 2:13-17)

Jesus não quebrava tabuzinho em prol do politicamente correto não. Ele quebrava era mesa, negócio corrupto, expulsava bandidos corruptos… de onde esta página tirou que Jesus defendia bandido? Com uma coisa eu concordo com a página: bandido bom não é bandido morto. Bandido bom é o bandido que tem um encontro com Jesus e por Ele é transformado. Mas se o bandido quer permanecer bandido… “a alma que pecar, essa morrerá.” (Ezequiel 18:4b).

5-Serpentes, raça de víboras! Como escapareis da condenação do inferno? Mateus 23:33

Sabe quem disse isso? O revolucionário, ops, Jesus! Chega a ser patético para mim, mas creio que seja necessário escrever tal artigo, porque acredito que muitos irmãos nossos com pouca profundidade bíblica podem cair nestas armadilhas diabólicas que o pensamento humanista pós-moderno tem tentado contra os eleitos de Deus. Vocês precisam atentar para as palavras de Deus: E também todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições. Mas os homens maus e enganadores irão de mal para pior, enganando e sendo enganados. (2 Timóteo 3:12,13)

6-E Pedro, voltando-se, viu que o seguia aquele discípulo a quem Jesus amava, e que na ceia se recostara também sobre o seu peito, e que dissera: Senhor, quem é que te há de trair? Vendo Pedro a este, disse a Jesus: Senhor, e deste que será? Disse-lhe Jesus: Se eu quero que ele fique até que eu venha, que te importa a ti? Segue-me tu. (João 21:20-22)

 “Que te importa a ti”? Poderíamos trocar por: “o que te interessa”? Ou: “o que você tem a ver com isso”?

Acha legal este tipo de resposta? Imagina agora você fazendo uma pergunta para Jesus e Ele te respondendo: “o que te importa a ti? Segue-me tu”. Você acharia bacana e ainda o chamaria para tomar um açaí na esquina? Mas por que Jesus respondeu assim a Pedro? Você tem de se perguntar. Ele respondeu assim porque Pedro tinha acabado de ser reconciliado no relacionamento com o Senhor e já estava se preocupando com a vida dos outros. Jesus sabia que tom usar com cada discípulo, e no caso de Pedro, tais palavras foram mais um “acorda, rapaz!” do que uma ofensa. Mas certamente o dono da página citada não aceitaria tal reprovação advinda do Mestre, até porque eu já pude perceber o quão são mimizentos.

7-E um dos malfeitores que estavam pendurados blasfemava dele, dizendo: Se tu és o Cristo, salva-te a ti mesmo, e a nós. Respondendo, porém, o outro, repreendia-o, dizendo: Tu nem ainda temes a Deus, estando na mesma condenação? E nós, na verdade, com justiça, porque recebemos o que os nossos feitos mereciam; mas este nenhum mal fez. E disse a Jesus: Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino. E disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso. (Lucas 23:39-43)

Deixei este para o final a fim de poder desconstruir uma interpretação bastante equivocada e que foi utilizada por muitos desses aproveitadores cibernéticos. Parece que Cristo simplesmente aceitou o ladrão porque era ladrão… mas absolutamente não foi isso o que aconteceu!

O contexto, ocultado por este pessoal mal intencionado, nos esclarece o que de fato aconteceu para Jesus ter prometido o Paraíso ao ladrão. Haviam dois ladrões sendo crucificados com Jesus, e um deles blasfemou dele. Ao ouvir as suas palavras céticas, o outro ladrão retrucou: “tu nem ainda temes a DEUS, estando na mesma condenação?” Fica evidente que o ladrão creu, ali mesmo na cruz, que o que era crucificado com Ele era o próprio Deus encarnado.

E ele disse mais: “Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino”. Com estas palavras, somadas ao fato dele reconhecer diante de Jesus que pagava aos homens pelo pecado que tinha cometido, o ladrão da cruz manifesta arrependimento e fé, ao declarar que Jesus entraria no reino d’Ele. Creu no Filho de Deus e se arrependeu dos seus pecados; o resultado foi a obtenção da vida eterna. A salvação, sobre todos os que são salvos, é sempre pela graça, por meio da fé (Efésios 2:8) .

 Este foi o último dos diversos exemplos que poderíamos citar de que Jesus não era este ser amiguinho da incredulidade, dos pecadores que se acham livres para pecar e permanecer pecando ou dos ideais políticos de uma ala da sociedade. Jesus, definitivamente, era maior do que qualquer um pudesse imaginar. Ele não cabe nem no meu sistema teológico, quanto mais na mente carnal de quem não compartilha da experiência da conversão! Quem não o busca em fé, não pode encontrá-lo para ser transformado e conhecê-lo de fato. Quem está tentando fazê-lo caber na sua caixinha interpretativa que se fundamenta em ideologias para a esquerda ou para a direita do caminho, permanecerá no engano.

Eu quero que você, caro leitor, atente para a verdade bíblica e não para a opinião dos que perecem na iniquidade e no ceticismo. Quero que você, em vez de seguir páginas “subversivas”, “pastores subversivos” ou “vloggers subversivos”, decida de uma vez seguir ao Cristo bíblico, revelado nos evangelhos e manifesto pelo Espírito Santo na vida de todo aquele crê no coração e confessa com os lábios o Seu santo nome.

Não aceite ser massa de manobra, achando bonitinho todo discurso que sujeita o evangelho a uma ciência (seja política ou qualquer outra) ou a uma ideologia. Mergulhe fundo no oceano chamado “Sagradas Escrituras”. Jesus não é um revolucionário, não é um homem fragilizado por sua permissividade e conivência à prática pecaminosa e nem está aflorando discursos tolerantes demais.  Ele não é direita nem esquerda; ELE É O QUE É. Não é manipulável e não vai se rebaixar à cultura ímpia deste século.

Jesus Cristo reina sobre a terra. Ele é o Rei dos reis e o Senhor dos senhores. Toda a autoridade lhe foi dada. E Ele se revela como o brilho do Sol ao seu povo que o busca e o adora em espírito e em verdade.

Casado com Ana Talita, seminarista e colunista no site Gospel Prime. É pregador do evangelho, palestrante para família e casais, compositor, escritor, músico, serve no ministério dos adolescentes e dos homens da Betânia Igreja Batista (Sulacap - RJ) e no ministério paraeclesiástico chamado Entre Jovens. Em 2016, publicou um livro intitulado “Aos maridos: princípios do casamento para quem deseja ouvir”.

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