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Quando o machado insiste em não flutuar

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Está registrado em II Reis 6.1-7:

“Disseram os discípulos dos profetas a Eliseu: Eis que o lugar em que habitamos contigo é estreito demais para nós. Vamos, pois, até ao Jordão, tomemos de lá, cada um de nós uma viga, e construamos um lugar em que habitemos. Respondeu ele: Ide. Disse um: Serve-te de ires com os teus servos. Ele tornou: Eu irei. E foi com eles. Chegados ao Jordão, cortaram madeira. Sucedeu que, enquanto um deles derribava um tronco, o machado caiu na água; ele gritou e disse: Ai! Meu senhor! Porque era emprestado. Perguntou o homem de Deus: Onde caiu? Mostrou-lhe ele o lugar. Então, Eliseu cortou um pau, e lançou-o ali, e fez flutuar o ferro, e disse: Levanta-o. Estendeu ele a mão e o tomou.”

Os amantes das Sagradas Escrituras conhecem muito bem este episódio citado acima, bem como já ouviram inúmeras mensagens edificantes inspiradas pelo Espírito Santo de Deus neste texto. Mas sinto a necessidade de compartilhar uma outra perspectiva  para nossa meditação utilizando esta mesma porção literária.

Que a escola de profeta havia crescido e que os alunos sentiram a necessidade de ampliar o espaço é notório; foram, então,  providenciar material para a obra com a autorização do “Homem de Deus”, Eliseu. Eis que, por um deslize, alguém deixa o machado (que nos idos 800 a.C. era muito valioso) cair na água. O profeta é informado do fato e, mais uma vez, de modo inusitado, joga um pedaço de madeira no local apontado da queda e milagrosamente faz o “ferro” flutuar. No mesmo livro capítulo 4 Eliseu retira o veneno de um caldo usando um punhado de farinha. Ainda,  no capítulo 2 o substituto de Elias cura a fonte de água envenenada de Jericó usando, pasmem, um monte de sal em um prato novo. O “Homem de Deus” sempre tem soluções simples para problemas complexos.

Como é maravilhoso, revigorante e edificante ver as mãos do Senhor confirmando o ministério de alguém.

Louvo ao Pai pelo ministério que recebi, mas tenho que confessar que nem sempre meu machado flutua.

Me lembro nos idos de 1985 quando minha prima, então com 19 anos, havia sido desenganada pelos médicos e desde os 12 lutava contra um câncer no útero. Tão nova e já passando pelo vale da sombra e da morte.

Eu me encontrava um certo dia em uma oração no lar de uma família amiga quando o Espírito falou em meu íntimo para viajar até a cidade onde ela morava e orar por ela. Viajei 12 horas com o único objetivo de cumprir a missão. Fizemos uma oração sincera e simples. No mesmo dia regressei. Não vi nada de extraordinário.

Em 1991 foi a vez do meu amado pai. Câncer no fígado. A gente pensa que só acontece na família dos outros.

Foi muita dificuldade, ele morando na Itália e eu sem condições financeiras de vê-lo. Providencialmente ganhei o dinheiro da passagem e cheio de fé e esperança parti para orar e ver Deus curá-lo. Infelizmente, um mês após minha volta ao Brasil, aprouve a Deus levar meu pai.

Em 2009 minha mãe foi diagnosticada com metástase cancerígeno que começara no útero.

“-  Agora não Senhor” , eu disse, “- meu pai eu sei que foi Sua vontade levá-lo, mas minha mamãe não.”

Foram seis meses de muitas internações, idas e vindas à UTI, até que em uma madrugada, já não podendo mais respirar devido ao espalhamento dos tumores nos pulmões Jesus a recolhe para a eternidade.

O que eu quero deixar registrado aqui para meus amados colegas de ministério é que nem sempre o machado vai flutuar. Os propósitos do Senhor com Eliseu foram completamente diferentes dos realizados através de seu mentor Elias. Por vezes o desígnio do Pai é deixar o “ferro” do machado no fundo do rio. Aprendo com Jeremias que Ele é o oleiro e está no comando do processo.

Ainda que o “ferro” do machado não flutue continue fazendo a obra, continue visitando os enfermos, orando por eles e impondo-lhes as mãos.

Quantas vezes estamos orando por anos a Deus por uma determinada área de nossa vida e Ele nos responde com uma “paulada”. Então eu começo a entender que, assim como o “ferro” só flutuou após Eliseu jogar o pau na água, o meu milagre só vai acontecer depois da dor, das renúncias, das lágrimas, das amarguras e até da morte.

Não levo em conta os momentos em que o “ferro” insistiu em ficar no fundo, pois os períodos em que,  por Sua misericórdia e graça, ele flutuou através de meu ministério suplantam todos eles.

Ainda que o teu machado esteja esquecido no fundo de sua existência lembre-se que ainda há “Homem de Deus” para ajudá-lo a encontrar.

Opa, estava me esquecendo, minha prima, aquela que desde os 12 anos de idade estava lutando contra o câncer lembra? Pois é, ela acaba de completar 50 anos. Glórias a Deus pelo meu machadinho que flutua até hoje.

Jesus te abençoe.

“Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos, diz o Senhor.” (Isaias 55.8)

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