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“PTCOSTAL”: A afronta de Benedita da Silva

Teimam em pintar a teologia pentecostal, a história pentecostal e a prática pentecostal com as tintas vermelhas do socialismo

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Para atrair o voto evangélico, Fernando Haddad subscreveu uma carta de suposto compromisso com valores cristãos e se reuniu com evangélicos que já o apoiam, como o sempre fiel (ao PT) Ariovaldo Ramos. Fez isto depois de ter dito, no Dia da Senhora Aparecida – e na porta de uma igreja católica em São Paulo – que Jair Bolsonaro une o “neoliberalismo desalmado” de Paulo Guedes com o “fundamentalismo charlatão” de Edir Macedo.

Auxiliou na elaboração da missiva o Sr. Gilberto Carvalho, chefe de gabinete de Luiz Inácio da Silva e ministro de Dilma Rousseff, o qual, em janeiro de 2012, afirmou ser necessário disputar espaço com os pastores evangélicos – leia-se: guerra ideológica e cultural para tomar de assalto (opa!) um dos redutos sociais mais conservadores.

Político fraco, teleguiado por um presidiário, Fernando Haddad sofre para subir nas pesquisas de intenção de voto, mormente junto ao segmento evangélico. Ao criticar Edir Macedo, ele exprimia ali, não propriamente uma estratégia política, mas uma análise pseudo-intelectual eivada de preconceito e ignorância, e seu motivo não era simplesmente o chefe da Universal, mas, sim, uma visão míope da comunidade evangélica.

Vale observar, en passant, que Edir Macedo não deve ser classificado como evangélico, mas como líder de uma seita paraprotestante que mistura aspectos do pentecostalismo, do espiritismo e da cultura católica popular, ao que se associa um marketing agressivo e um projeto de poder político, social e midiático, afastando-se muito da evangélica, tanto na doutrina como na prática.

Eu, contudo, estou em condições de afirmar isso, porque faço distinção entre o pseudopentecostalismo de Edir Macedo e o evangelicalismo histórico e pentecostal, enquanto Haddad, ao tecer sua crítica, põe na alça de mira todos os cristãos não católicos – é assim que um marxista médio enxerga um evangélico: como um charlatão em busca do vil metal e se aproveitando do que ele, marxista, julga ser burrice e credulidade.

É mesmo um espanto que um candidato à presidência não tenha a percepção de que sua fala poderá ser tomada como uma ofensa a todos os evangélicos, tendo em vista que, ao senso comum, a Universal seria uma igreja inserida nessa campo religioso. E é muito curioso também que ele não consiga prever a reação de Edir Macedo por meio da TV Record.

Possivelmente o leitor ouvirá alguns dizerem que a religião não deveria pautar o debate eleitoral. Ora, a religião não precisa pautar o debate eleitoral, desde que os candidatos não representem uma ameaça à religião! E, sim, o PT representa um grande risco à liberdade religiosa e aos valores da família, por ser um partido autoritário, socialista, anticristão, secularista, que defende tudo o que não presta.

A graça, porém (ou será falta de graça?), fica por conta da ex-governadora Benedita da Silva (PT-RJ), figura que há não muito tempo citou a declaração bíblica de que sem derramamento de sangue não há remissão de pecados para insinuar a disposição petista ao conflito físico, se necessário fosse para a defesa de suas bandeiras….

Essa senhora que se identifica como evangélica fala que é “PTcostal”, neologismo que busca incluir o pentecostalismo no altar petista. Tal neologismo faz-me recordar aquele terrível presente que Evo Morales deu ao papa Francisco – uma imagem de Cristo pregado, não numa cruz, mas no símbolo comunista da foice e do martelo, algo muito representativo – vejam, senhores! – de uma pretensa submissão do cristianismo ao comunismo.

O PTcostalismo de dona Benedita da Silva surge toda vez que algum evangélico pentecostal se levanta para fazer apologia do presidiário-mor que vive dando ordens de uma cadeia em Curitiba.

O PTcostalismo de dona Benedita da Silva surge toda vez que algum evangélico pentecostal se levanta para pretensamente submeter a justiça divina à premissa da “justiça social”, ainda que à custa do saque sistemático aos cofres públicos.

O PTcostalismo de dona Benedita da Silva surge toda vez que algum evangélico pentecostal se levanta para dizer que o Movimento Pentecostal é uma onda de resistência negra, pobre, feminina e proletária, em vez de enxergá-lo como um movimento espiritual e eclesiástico orientado por Deus.

O PTcostalismo de dona Benedita da Silva surge toda vez que algum evangélico pentecostal se levanta para criar cizânia entre pentecostais e calvinistas ao argumento de que a cosmovisão calvinista seria branca, elitista e racionalista, ao passo que a cosmovisão pentecostal, supostamente rival, seria superior porque marginal, experiencial e popular.

Sou pentecostal, de igreja pentecostal histórica, e deploro veementemente o PTcostalismo de dona Benedita da Silva e de tantos que teimam em toldar a teologia pentecostal, a história pentecostal e a prática pentecostal com as tintas vermelhas do socialismo, vermelho este cuja tonalidade nada tem que ver com o sangue de Cristo.

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Ministro do Evangelho (ofício de evangelista), da Assembleia de Deus em Salvador/BA. Co-pastor da sede da Assembleia de Deus em Salvador. Foi membro do Conselho de Educação e Cultura da Convenção Fraternal dos Ministros das Igrejas Evangélicas Assembleia de Deus no Estado da Bahia, antes de se filiar à CEADEB (Convenção Estadual das Assembleias de Deus na Bahia). Bacharel em Direito.

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