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Opinião

Professor, fale a minha língua!

Um bom ensinador deve ser como Jesus: falar coisas profundas com linguagem simples

Tiago Rosas

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Professora e alunos. (Photo by Nicole Honeywill on Unsplash)

“Falar bonito não é falar difícil, é falar bem e corretamente” – essa é uma das primeiras lições que se aprende num curso de Letras. Estudando Homilética – a arte de expor sermões – também aprendemos a mesma coisa.

Aliás, todo professor de Escola Dominical deveria, senão fazer um curso superior de Português, ao menos estudar autodidaticamente Homilética, para que se habilitasse e/ou melhorasse sua comunicação em sala de aula, enquanto transmite a boa Palavra de Deus aos seus alunos.

Uma das principais regras da comunicação é falar de tal modo que a pessoa ou público que lhe ouve e com quem você interage compreenda o que você quer dizer.

Se você, professor, se preocupa em ser polido ou rebuscado na linguagem a tal ponto que ignora a compreensão de quem lhe ouve, isso pode ser uma demonstração de soberba e mero exibicionismo. Mas os alunos facilmente perceberão a vaidade pessoal do professor e ao final da aula sairão pelos corredores da igreja se queixando uns aos outros: o professor falou um quilo e eu não entendi um grama! Policiemos nosso conteúdo e a forma como o servimos aos nossos ouvintes para que não sejamos alvos desse murmúrio.

A citação, por exemplo, de termos técnicos da Teologia deve seguir-se de uma rápida explicação, para que os alunos compreendam e adicionem aquele novo termo ao seu vocabulário.

O professor que conhece bem seus alunos sabe o nível cultural de cada um deles, e não será ofensivo a nenhum: jamais tratará o homem da roça com soberba, nem aos doutores com desdém! Saberá falar em linguagem inteligível e agradável a todos eles. Afinal, em sala de aula todos são “ovelhas de pescoço curto” e não “girafas de pescoço comprido”. O alimento deve ser servido à altura das ovelhinhas do Senhor!

Ao fazer referência de palavras ou expressões das línguas originais bíblicas (hebraico, aramaico e grego), deverá fazê-lo por razões exegéticas, porém, com instrumentos didáticos. Isto é, “esmiuçar o texto” para elucidar (clarear, explicar e simplificar) sua aula, de modo a garantir que os alunos entendam e compreendam como foi bom recorrer aos textos originais para terem maior luz do texto na versão que eles dispõem em português.

Nunca deve o professor citar palavras estrangeiras apenas para demonstrar algum domínio de outra língua, sem uma funcionalidade pedagógica e sem um sincero propósito de edificação coletiva.

De que adianta falar “a língua dos anjos” e não ter aquele amor que busca instruir e edificar seus alunos? Como disse Paulo, é melhor falar cinco palavras em linguagem comum “para que possa também instruir os outros, do que dez mil palavras em língua desconhecida” (1Co 14.19).

Ressaltamos, porém, que tal cuidado não implica em ser superficial e simplista, apenas falando obviedades, em linguagem rasa e desinteressante.

Em nossa linguagem simples, devemos ser relevantes e cativantes! Afinal, como está escrito, “a língua dos sábios torna atraente o conhecimento” (Pv 15.2a). Sim, é possível unir profundidade com simplicidade e elegância com clareza. E assim deve ser àqueles que comunicam “palavras de vida” aos que o ouvem (Jo 6.63,68).

Embora deva-se esperar paciência e mansidão dos alunos da Escola Dominical, seria demais exigir deles que tolerem costumeiramente aulas com exposições monótonas e discursos vazios, além de mera reprodução literal do conteúdo da revista, sem nenhuma contribuição pessoal relevante por parte do professor! Como diz o ditado, “paciência tem limite!”.

Jesus, a palavra encarnada de Deus, o Verbo vivo (Jo 1.1), não veio à terra falando a língua dos anjos, mas a língua dos homens. E ele se fez entender pelos doutores, mas também pelos leigos; pelos homens, mas também pelas mulheres; pelos adultos, mas também pelas crianças. Sim, até as crianças gostavam de estar perto de Jesus, e ele também amava tê-las por perto, não raro tomando-as como exemplo de humildade e singeleza de coração. “Não é pregador quem não se importa com as crianças”, dizia o pregador inglês Charles Spurgeon sobre aqueles que ignoram os pequeninos em suas ministrações.

Um bom ensinador deve ser como Jesus: falar coisas profundas com linguagem simples, para glória de Deus e salvação dos que ouvem, quem quer que sejam estes!

Casado, bacharel em teologia (Livre), evangelista da igreja Assembleia de Deus em Campina Grande-PB, administrador da página EBD Inteligente no Facebook e autor de quatro livros: A Mensagem da cruz: o amor que nos redimiu da ira (2016), Biblifique-se: formando uma geração da Palavra (2018), Reflexões contundentes sobre Escola Bíblica Dominical (versão e-book, 2019), e Poder, poder pentecostal: reafirmando nossa doutrina e experiência, à luz das Escrituras Sagradas (lançamento previsto para final de 2019).