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Opinião

Porque é que os “reis magos” eram sábios?  

Os chamados “reis magos” eram sábios vindos do Oriente. Mas porque motivo os consideramos sábios?

José Brissos-Lino

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Reis Magos. (Foto: Reprodução)

O texto evangélico de Mateus 2:1-12 fala-nos destas personagens algo misteriosas.

No Oriente chamava-se “mago” a um sábio ou erudito. Não sabemos se eram reis, nem quantos eram e muito menos os seus nomes. Provavelmente seriam líderes de tribos dos nabateus, que compartilhavam sua ascendência e visão de mundo com os judeus.

Os nabateus eram um antigo povo semítico, ancestrais dos árabes, que habitavam a região norte da Arábia, o sul da Jordânia e Canaã, em especial nas aldeias à volta dos oásis na região entre a Síria e a Arábia, do Eufrates ao mar Vermelho.

O rei Herodes, o Grande, tinha ligação com esse povo, pois sua mãe era nabateia, e possuía uma aliança com o reinado nabateu na época do nascimento de Cristo.

Como Herodes estava velho e doente, fazia sentido que líderes nabateus viajassem para Jerusalém para prestar homenagem ao “futuro sucessor de Herodes”.

Sabemos também que eram astrónomos, estudavam os astros. 

Mas porque é que estes homens eram sábios? 

Porque perscrutavam os céus. É sempre sinal de sabedoria “levantar a cabeça” para cima. Quem se distrai demasiado com o que se passa “cá em baixo” perde o verdadeiro sentido da vida e das coisas.

Porque notaram aquela estrela. Quem olha para cima acaba por descobrir sempre algo de especial e único… Só a descobriram porque andavam à procura do que os céus tinham a dizer.

Porque se puseram a caminho. A crença não pode ser desligada da acção. Se tu crês, fala: “Cri, por isso falei” (Salmo 116:10ª). “Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo” (Romanos 10:9).

Se tu crês, age: “Aquele que diz que está nele, também deve andar como ele andou” (1 João 2:6). 

Porque prepararam oferendas. Prepararam-se para o encontro com o Menino-Rei. Levaram consigo ofertas dignas da realeza: ouro, incenso e mirra. De acordo com os costumes da época não se ia visitar um futuro rei sem lhe oferecer presentes dignos da sua condição. O que estamos nós a oferecer hoje a Jesus? 

Porque não desistiram de encontrar o Menino-rei. Gastaram tempo e recursos até O encontrar. Não se pense que os magos viajaram sozinhos e com valores como ouro, à mercê de bandidos e salteadores de estradas. Certamente levaram uma comitiva de criados ou escravos e soldados para sua segurança numa viagem tão longa e repleta de perigos.  

Porque souberam lidar com o inesperado. De acordo com a tradição cristã encontraram o nascido rei dos judeus num lugar aparentemente indigno dum rei: um estábulo.

Mas a Bíblia diz que encontraram o menino numa casa (não num estábulo) (v 11). Há quem pense que seguiram o rasto de José e Maria de volta a Nazaré, depois do recenseamento, e também por isso Herodes terá mandado liquidar todos os meninos até aos dois anos de idade…

Também se crê que foi o ouro recebido que permitiu à família fugir para o Egipto a fim de proteger a criança da ira de Herodes, regressando depois da morte dele.

Em todo o caso, o inesperado foi não terem encontrado o menino em Jerusalém, capital do reino da Judeia, mas sim em Nazaré (ou em Belém, como reza a tradição), mas os sábios souberam lidar com esse contratempo…

Porque mudaram o curso da sua vida. Alertados em sonhos, acabaram por regressar à sua terra sem passar por Jerusalém, para não terem que ir de novo à presença de Herodes, agora que sabiam que as intenções dele eram malévolas em relação ao Menino-rei. Foram por “outro caminho”. Por vezes mudar de caminho é um sinal de sabedoria. 

Estes homens eram sábios, de facto. Sejamos nós também. Encaremos o novo ano como um encontro permanente com Jesus, o Rei.

Nasceu em Lisboa (1954), é casado, tem dois filhos e um neto. Doutorado em Psicologia, Especialista em Ética e em Ciência das Religiões, é director do Mestrado em Ciência das Religiões na Universidade Lusófona, em Lisboa, coordenador do Instituto de Cristianismo Contemporâneo e investigador.

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