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Política

Por que voto em Marina Silva

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Chegou o momento de sair do armário.  Caro leitor, não sou tão cético quanto aparento. A onda verde de esperança me pegou em cheio: vou votar em Marina Silva para presidente.

O marinismo é a resposta certa para alguém como eu, antes refém da fria racionalidade. Hoje sou livre para sonhar. Como diziam os jovens de 68: “seja realista, peça o impossível”.

Por que voto nela? Para começar, Marina Silva é a personificação do caminho do meio.

Ela pretende governar tendo ao seu lado Jean Willys e Silas Malafaia, o Grupo Gay da Bahia e os pastores da Assembleia de Deus, o agronegócio e as ONGs ambientalistas, FHC e Lula, os conservadores e os esquerdistas, os banqueiros e ativistas, os gregos e os troianos.

Marina, às vezes, tende demais para um lado. Mas logo corrige sua rota. Não por pressão ou medo de perder votos, mas por sua convicção de que o governante deve mudar seus planos sempre que uma figura pública importante manifesta uma opinião diferente.

É verdade que na página 216 do seu programa de governo constava que Marina Silva defendia “apoiar propostas em defesa do casamento civil igualitário”. O compromisso com a causa LGBT assustou evangélicos, mas o importante é que ela mudou rapidamente de ideia.

Silas Malafaia tuitou algumas criticas e, horas depois, a campanha dela publicou uma “errata” sobre o assunto. Não há nada de errado nisso: Marina é de todo mundo.

Só foi preciso um puxão de orelha para que Marina Silva recuperasse seus valores cristãos. Ela só precisa de pressão externa para manter a postura que se espera de uma mulher cristã.

Também voto em Marina Silva porque ela tem a coragem de buscar o impossível. A prudência é apenas a desculpa dos que se conformaram com aquela velha política.

Marina Silva verde

Marina Silva quer reduzir os gastos do governo, dar início à reforma tributária e manter as metas de inflação. E, ao mesmo tempo, quer aumentar os gastos com a saúde e a educação, promover políticas ambientalistas e novos programas sociais e voltados às minorias.

Parece uma política impossível, mas é apenas uma política sonhática. Pessoas que não são dadas ao mundo dos sonhos acham que essa mudança teria grande impacto fiscal negativo.

Especialistas em contas públicas dizem que os gastos extras com a saúde representariam nada menos que 29 bilhões de reais. “De onde virá o dinheiro?”, questionam os pessimistas.

Da fonte sublime que alimenta todos os sonhos: o contribuinte.

Outra coisa que me faz votar em Marina é sua linda utopia de economia verde.

Marina Silva tem a extrema coragem de ser contra o agronegócio em si, aquilo que sustenta o comércio externo do País. Mesmo ciente de que no momento o agronegócio é o que salva a nossa economia, Marina admite no máximo a agricultura de subsistência.

Em defesa da natureza, Marina e sua fraternidade de guerreiros ambientalistas lutam até contra os agricultores pobres. Na época do Código Florestal, eles fizeram de tudo para cassar do produtor rural áreas destinadas à agricultura há mais de cem anos.

Dizem, os pessimistas, que isso é suicídio econômico. Nada disso. É uma política sonhática.

Aliás, a luta contra o agricultor brasileiro é o que faz de Marina Silva uma internacionalista, conquistando grande simpatia por parte dos Estados Unidos, que têm no nosso País um concorrente duro no mercado de commodities agrícolas.

Marina Silva

Marina Silva otimista.

Marina está cercada de ONGs internacionais como o Greenpeace – fundada por gente rica de países que destruíram suas reservas – e que agora querem o melhor para o Brasil!

Além disso, a candidata do PSB tem enorme capacidade de articulação política. A relação dela com o Congresso certamente vai impressionar a todos. Ela vai engolir José Sarney, Renan Calheiros, as bancadas do PMDB. A humildade é sua principal arma.

Trabalhar com Marina é como viver ao lado de Dalai Lama. Ela não é arrogante ou radical, mas de forma humilde e generosa valoriza a experiência de todos ao seu redor.

Tanto que o então coordenador-geral da campanha do PSB, Carlos Siqueira, abandonou tudo porque não se sentiu humilde o suficiente para trabalhar diretamente com Marina Silva.

Carlos Siqueira agora está no Tibet participando do seminário: “Como fazer da sua humildade infinita uma fonte de lucro infinito”. Ele segue o exemplo da humilde Marina Silva, que fala de seus sonhos em palestras pelas quais cobra apenas R$ 20 mil.

É um valor simbólico, mas Marina não faz marketing em cima disso. Tanto é que, no ano passado, ela pediu a entidades que a tinham contratado para não divulgar seu cachê.

O que mais me faz admirar Marina é que ela rejeita subir no palanque do PSDB e renega seu passado petista e, ainda assim, de forma sonhática, pretende governar com ambos.

Dizem, os pessimistas, que essa coalizão política é uma coisa impossível. E daí? Sou um sonhático: aprendi que sonhar é melhor que pensar.

Thiago Cortês é formado em Sociologia pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo. Ele escreve em seu blog (*) e tem artigos publicados nos sites Mídia Sem Máscara e Reaçonaria.* https://thiagocortessite.wordpress.com/

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