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Opinião

Por que alguns cristãos são inimigos dos judeus e contra Israel?

Marcionismo, um perigo em nosso meio.

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Particularmente considero os principais responsáveis por esse problema o imperador romano Constantino e Marcião de Sinope, um teólogo que exerceu grande influência no cristianismo.

Marcião (110-160 dC ) era natural de Sinope, uma cidade junto ao Mar Negro que faz parte do território Turco. Segundo relatos, ele era filho de Cristãos, e seu pai um bispo da Igreja antiga.

Marcião criou uma doutrina descontextualizada e desconhecida pelos apóstolos, principalmente baseada nas cartas de Paulo, sendo facilmente percebida até hoje quando o assunto em questão envolve a Lei e a Graça. De acordo com Marcião, Paulo era o único apóstolo que tinha entendido corretamente a nova mensagem de salvação, tal como foi proferida por Cristo.

A teologia chamada de marcionismo propunha a existência de dois deuses distintos, fator que contribuiu para divisão da Bíblia e gerou os termos “Antigo Testamento” e o “Novo Testamento”.
A consequência dessa nova modalidade bíblica fez com que o Novo Testamento fosse mais valorizado. Sendo que até hoje muitas organizações distribuem cópias apenas do NT em presídios, escolas, hotéis e hospitais como método de evangelização.

Marcião foi considerado herege quando ele rejeitou toda a Bíblia hebraica e outros livros cristãos que foram eventualmente incorporados no Novo Testamento canônico . Ele declarou que o cristianismo era distinto e em oposição ao judaísmo.

A premissa do Marcionismo é que muitos dos ensinamentos de Cristo são incompatíveis com as ações do Deus do Antigo Testamento. Tertuliano afirmou que Marcião foi o primeiro a separar o Novo Testamento do Antigo Testamento.

Enfocando as tradições paulinas do Evangelho de forma descontextualizadas, Marcião sentiu que todas as outras concepções do Evangelho se opunham à verdade.

Ele considerou parte dos argumentos de Paulo como a essência da verdade religiosa e criou dois princípios: o Deus justo e irado do Antigo Testamento, o criador do mundo e um segundo Deus do Evangelho que é puramente amor e misericórdia e que foi revelado por Jesus. Uma visão politeísta e pagã.

Marcião de Sinope teve dificuldades de entender que a Graça está presente desde a queda de Adão, e que ela também estava presente quando Deus enviava os profetas apregoando o arrependimento aos gentios (Jonas, Moisés, Noé, etc) e aos filhos de Israel. Marcião não compreendeu que a Justiça e a Misericórdia são inseparáveis – Hebreus 12:29.

Marcião foi excomungado pela Igreja de Roma por volta do ano de 144 e retornou à Ásia Menor, onde continuou a espalhar sua mensagem até sua morte.

Passado praticamente 165 anos desde a morte de Marciao de Sinope, ocorreu então a ruptura do cristianismo com Jerusalém, e o império romano estabeleceu um novo cristianismo por volta de 325 d.C.

A separação da igreja gentílica dos judeus crentes em Jesus gerou o Concílio de Nicéia (na Turquia) onde os bispos do império romano reuniram-se para definir o “NOVO” cristianismo e sua tradições, sob ordens do primeiro imperador cristão, Constantino.

Uma vez que o “CRISTIANISMO” passou a estar sob NOVA DIREÇÃO por força do império romano, os Judeus crentes em Jesus foram considerados hereges, expulsos e perseguidos por não concordarem com as mudanças que foram impostas pelo exército de Constantino. E muitos dos que se opuseram foram mortos.

No concílio de Nicéia nasceu o CRISTIANISMO MODERNO que gerou mudanças no dia de culto, do Sábado para o Domingo, cancelaram as FESTAS BÍBLICAS que a Igreja até então celebrava, alteraram o calendário (cumprindo-se DANIEL 7:25) e eliminaram ISRAEL e os Judeus do contexto bíblico, fator que mais tarde deu origem a famosa Teologia da Substituição que contradiz completamente a Carta de Paulo aos Romanos cap. 11 e a profecia de Jeremias encontrada no capítulo 31 vers 35 a 37.

Diante de todos esses fatos eu concluo o artigo afirmando que minha intenção não é denegrir a imagem do cristianismo ou exaltar o judaísmo, mas trazer à luz alguns fatos que explicam as divisões e contradições que separam os fiéis gerando até mesmo preconceitos e dificuldades no entendimento das Escrituras quanto ao cumprimento de inúmeras profecias vinculadas ao povo judeu e a Nação de Israel.

Referências

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