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opinião

Políticas sociais em uma nação transformada

Biblicamente, o Estado deve assumir um papel secundário e se posicionar enquanto um facilitador, não um promotor, de políticas sociais.

Viviane Petinelli

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Toda Nação é constituída por uma comunidade de indivíduos, denominada sociedade. Cada sociedade, porém, apresenta uma configuração particular, resultante de seu conjunto de crenças, valores e preferências e das contínuas interferências governamentais ao longo do tempo, por meio de políticas sociais. As políticas sociais compreendem, assim, as diversas e sistemáticas ações de um governo voltadas à promoção do bem-estar do indivíduo e da comunidade. Como tal, elas abrangem, dentre outros, a saúde e a educação das pessoas e a cultura de uma Nação.

Biblicamente, o Estado deve assumir um papel secundário e se posicionar enquanto um facilitador, não um promotor, de políticas sociais. A responsabilidade pela saúde é individual (Lv 19; Rm 14.12; ICo 12) e familiar (ITm 5.8, 10), primeiramente, e da igreja, complementarmente. Somos templo do Espírito Santo e devemos glorificar a Deus por meio do nosso corpo (2 Co 6.19-20). Como imagem e semelhança de Deus, nosso corpo deve refletir o próprio Deus. Cabe à família ensinar os cuidados com o próprio corpo e cuidar da saúde dos seus, especialmente das crianças, adolescentes e idosos. Nesse sentido, o próprio Deus ensinou, por meio de leis, as primeiras e mais essenciais noções de higiene pessoal e coletiva e as formas de evitar doenças contagiosas (Dt 13.15-16; Nm 19.11, 16; Lv 15.2, 7-8, 16, 19, 25).

Na ocorrência de doença física e mental, porém, a medicina e a Igreja devem exercer seu papel social. Quando causadas por pecados pessoais (Dt 17.2-3, 7; Sl 38.1-8, 41.3; Hb 12:6) e pela ação do maligno (Mt 8.16; Mc 5.1-20), as doenças devem ser espiritualmente tratadas pela Igreja de Cristo. No entanto, quando os problemas de saúde decorrerem de maus hábitos individuais, os médicos deverão ser procurados e os respectivos cuidados baseados na ciência médica. Sob a ótica bíblica, os médicos consistem em sacerdotes de Deus para cuidar da saúde dos indivíduos.

Eles devem compreendê-la em sua integralidade, isto é, em relação à alma, ao corpo e ao espírito (Cl 4.14). Quando a medicina é praticada por pessoas sem tal entendimento, os profissionais a tornam uma área secularizada, dependente de soluções unicamente humanas e limitada por desconsiderar e ignorar o lado espiritual do homem.

Assim como a saúde, a educação consiste em uma responsabilidade primária da família (Gn 18.19; Pv 22.6; Sl 78.5; Dn 1.4; Dt 6.4-7), secundária da igreja (Mt 28.19-20) e complementar do mercado e do Estado. A palavra educação tem sua raiz na palavra “educare” que significa derramar e extrair. Como tal, a educação lida principalmente com o homem interior, com a formação de seu caráter. Ela corrige temperamentos, forma comportamentos e hábitos, e prepara os indivíduos para empreender seu potencial criativo e produtivo na vida adulta. Nesse processo, o lar deve constituir a principal fonte de conhecimento, de valores, princípios e comportamentos. A escola, por sua vez, deve ensinar conteúdo disciplinar e, sendo confessional, com base e de modo a promover tais valores.

Ao lado da família, a Igreja, enquanto instituição, também tem parte na educação. Jesus atribuiu a ela a responsabilidade de “fazer discípulos”, isto é, de “ensinar acadêmicos sob disciplina”, bem como de “ensinar” a prática da verdade (Mt 28.19-20). Foi dada à igreja a responsabilidade de ensinar tanto a salvação em Cristo quanto os fundamentos e princípios bíblicos para todas as áreas da vida.

A cultura compete igualmente aos indivíduos e à igreja. A produção artística de uma Nação modifica e determina o conjunto de valores, princípios e comportamentos sobre o qual a sociedade é construída e se sustenta. Enquanto nosso criador (Gn 1.27), Deus nos deu criatividade para multiplicar a beleza de Sua criação e revelá-lo por meio das artes: da pintura, escultura, música, dança, teatro e literatura. Tudo criado, seja por expressões manuais, seja com palavras, expressões corporais e movimentos, deve servir a esse propósito para ser belo, agradável, positivamente impactante e enriquecedor. Cabe a nós, cristãos, levar os valores e fundamentos do Reino de Deus pelas artes e, assim, disseminar a cultura do Reino em nossa Nação. Se não o fazemos, os ímpios o fazem e a cultura é moldada segundo o Império das Trevas, o qual se caracteriza por dor e morte.

Se, portanto, queremos uma Nação socialmente transformada, devemos reassumir nossa responsabilidade individual e enquanto família e Igreja de Cristo na promoção de políticas sociais. A educação, a saúde e a cultura competem, primeira e em grande medida, a nós, não ao Estado. O Estado deve exercer um papel secundário, de facilitador e regulador de ações promovidas pelos indivíduos, famílias, igrejas e mercado. Biblicamente, ele deve garantir a liberdade, a segurança e a propriedade privada dos indivíduos e promover justiça social, econômica e política. Todo o restante, compete, primeiramente, às pessoas, famílias, igreja e ao mercado.

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Possui graduação em Economia pela Universidade Federal de Minas Gerais (2007) e doutorado em Ciência Política pela Universidade Federal de Minas Gerais e Universidade Harvard (2014). É pós-doutora em Ciência Política, especialista em Políticas Públicas e Participação Social.

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