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Opinião

Para além da polêmica do “É o amor”

Um pregador, um púlpito e uma canção sertaneja.

Maycson Rodrigues

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Pastor canta "É o amor". (Foto: Reprodução / Facebook)
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Já reparou que as redes sociais se tornaram uma arena impessoal hipersensibilizada e doentiamente crítica? Tenho para mim que todas as futilidades pululam do Facebook tão somente para roubar dos usuários cristãos um tempo de qualidade aos pés de Jesus.

Ficaram sabendo do pastor que cantou de púlpito a música famosíssima “É o Amor”, da dupla sertaneja Zezé de Camargo e Luciano? Pois é. Eis é a polêmica gospel fabricada para esta semana.

Se você me perguntar sobre “música do mundo”, vou dizer-te que ouço e estou falando de uma imensidão de músicas. Afinal de contas, mesmo não pertencendo a este, estou neste mundo. Logo, todas as músicas “são do mundo” – deste mundo. Jamais ouvi uma canção intergaláctica, de mundos paralelos ou circunvizinhos.

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Ironia à parte, eu sou adepto da máxima do meu pastor (Neil Barreto). Para mim, existem apenas dois tipos de música: a boa e a ruim.

Até compreendo que alguns irmãos se escandalizem, porque de fato penso ser uma tentativa forçada de soar moderno e “relevante” num tempo em que só precisamos voltar a Cristo e ao evangelho. Se a gente focasse mais na Bíblia e um pouco menos na cultura [não totalmente], conseguiríamos formar cristãos mais preparados para não cair no mundanismo que é tão efetivo e letal no século vigente.

Agora, rejeito toda tese que tenta demonizar todas as canções seculares. Apenas pare de forçar a barra e bancar o santarrão ou a beata da Igreja, meu irmão e minha irmã. Todo mundo sabe que vocês não veem problema em consumir um milhão de produtos e serviços que não sabem a real procedência. Então, fica muito fácil apontar o “pecado” do outro enquanto passa pano para a própria “pecabilidade”.

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Muitos que criticaram o pastor da analogia desnecessária ou simplesmente rasa ou forçada com uma música romântica secular não conhecem a Doutrina da Graça Comum, que prevê que Deus dá às pessoas bênçãos inumeráveis que não são parte da salvação, como afirma o teólogo Wayne Grudem.

Fazendo o resumo do resumo, a graça comum não é outra graça de Deus, mas apenas uma manifestação distinta que visa revelar a infinitude da bondade divina para com sua criação.

Aqui, a obra redentora de Cristo não coopera diretamente para que os descrentes possam recebê-la, mas Deus lhes concede livremente, porque sua soberania e misericórdia envergonham todo coração altivo e autossuficiente. Deus doa e provê a ímpios e crentes o ar, o sol, a chuva, a intelectualidade, a moralidade, a criatividade (incluindo musical), o governo e a religião de forma livre e graciosa, a fim de receber a glória em tudo e de todos.

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Não se iluda achando que Deus só é adorado pelos evangélicos. Tem muito artista louvando a graça comum do Criador mesmo sem ter a noção exata disso!

Com isso, contudo, não estou afirmando que essas pessoas serão salvas por essa expressão da graça de Deus. A forma da graça que opera salvação vem diretamente da obra expiatória de Cristo, e é somente pela fé em Jesus que se obtém a vida eterna. Nós a chamamos na teologia de “graça salvadora”.

Precisamos evitar debates infrutíferos. É pecado um pastor cantar “É o Amor” no púlpito? Dependendo do contexto e da motivação em seu coração, não! É sábio, considerando os diversos contextos de mentes e corações, presencialmente ou pelos espectadores do vídeo viral na internet? Absolutamente que não!

No entanto, creio que ficar criticando ou condenando o pastor ao destino de um lago de fogo e enxofre não contribuirá em nada para o nosso crescimento como povo adquirido por Cristo. Precisamos, em casos como este, manifestar a mesma graça e amor que corrige com sabedoria, propõe a reflexão, busca conciliar os propósitos e orienta no espírito pacificador.

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Falta muito disso em nosso meio, especialmente nas redes sociais. Porém, advirto ao leitor para que não despreze as coisas boas feitas pelos descrentes, considerando-as totalmente más. Eles fazem pela graça comum algumas coisas boas e devemos ver a mão de Deus nelas, pois tudo o que eles podem realizar de bom – seja uma música, ou um remédio ou uma amizade ofertada a nós – vem de Deus em última análise, e Deus é digno de glória por tudo.

Ao Deus soberano, que manifesta desde a Queda a graça comum e desde a Redenção a graça salvadora, seja a glória por meio de todos, crentes e descrentes, não só hoje mas para sempre. Amém.

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