Siga-nos!

devocional

Os quês e porquês da morte do Cristo

Tudo na vida precisa dum sentido. A justificação da morte de Jesus Cristo e o sentido da mesma diferem, segundo os diferentes intervenientes na História.

José Brissos-Lino

em

Cena de "A Paixão de Cristo", de Mel Gibson (Divulgação)

Para a classe sacerdotal (poder religioso) Jesus era um líder religioso concorrente a abater.

Em especial depois da ressurreição de Lázaro: “Depois os principais dos sacerdotes e os fariseus formaram conselho, e diziam: Que faremos? porquanto este homem faz muitos sinais. Se o deixamos assim, todos crerão nele, e virão os romanos, e tirar-nos-ão o nosso lugar e a nação” (João 11:47,48).

Todavia eles revelaram alguns problemas de consciência.

“E os príncipes dos sacerdotes, tomando as moedas de prata, disseram: Não é lícito colocá-las no cofre das ofertas, porque são preço de sangue. E, tendo deliberado em conselho, compraram com elas o campo de um oleiro, para sepultura dos estrangeiros” (Mateus 27:6,7).  

Para Caifás e o Sinédrio (poder judicial) Jesus era blasfemo.

O Sumo-sacerdote Caifás e o Sinédrio interrogam Jesus, à procura de provas para o incriminar, mas não conseguem. Jesus permanece em silêncio durante o processo, até que Caifás lhe exige que diga se ele é o Cristo. Jesus declara implicitamente que o é, e faz uma alusão ao Filho do Homem, que o sumo-sacerdote veria “assentado à direita do Poder, e vindo sobre as nuvens do céu.” Acusam-no então de blasfémia, e ordenam que seja espancado.

Para o povo (poder popular) Jesus era culpado, mas não sabiam dizer de quê. “Disse-lhes Pilatos: Que farei então de Jesus, chamado Cristo? Disseram-lhe todos: Seja crucificado.

O presidente, porém, disse: Mas que mal fez ele? E eles mais clamavam, dizendo: Seja crucificado.

Então Pilatos, vendo que nada aproveitava, antes o tumulto crescia, tomando água, lavou as mãos diante da multidão, dizendo: Estou inocente do sangue deste justo. Considerai isso.

E, respondendo todo o povo, disse: O seu sangue caia sobre nós e sobre nossos filhos” (Mateus 27:22-25). 

Para Pilatos (poder político) Jesus era simplesmente inocente. Mas também politicamente inconveniente, por isso lavou as mãos.

Para a mulher de Pilatos Jesus era um homem justo. “E, estando ele assentado no tribunal, sua mulher mandou-lhe dizer: Não entres na questão desse justo, porque num sonho muito sofri por causa dele” (Mateus 27:19).

Para Judas Iscariotes, Jesus também era inocente. “Então Judas, o que o traíra, vendo que fora condenado, trouxe, arrependido, as trinta moedas de prata aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos, Dizendo: Pequei, traindo o sangue inocente. Eles, porém, disseram: Que nos importa? Isso é contigo.

E ele, atirando para o templo as moedas de prata, retirou-se e foi-se enforcar” (Mateus 27:3-5).

Para os discípulos, Jesus era apenas um homem virtuoso. “E os onze discípulos partiram para a Galileia, para o monte que Jesus lhes tinha designado. E, quando o viram, o adoraram; mas alguns duvidaram” (Mateus 28:16,17).

Mas qual é o sentido que a Palavra de Deus atribui ao sacrifício de Cristo?:

No tempo da Graça temos uma nova luz sobre esse acontecimento histórico. Vejamos apenas três razões que trazem sentido à morte de Cristo:

 – Jesus morreu para nos libertar da maldição da lei e nos estabelecer sobre a Graça. Ele assumiu a dupla função de sumo-sacerdote e de Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Como sumo-sacerdote: “Porque não temos um sumo-sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém, um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado” (Hebreus 4:15). Como Agnus Dei: “No dia seguinte João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (João 1:29). Mas o Calvário revelou sobretudo o amor eterno e incondicional de Deus.

 – Para nos reconciliar com Deus Pai. O pecado afasta os homens do Deus Santo. “Tendo, pois, irmãos, ousadia para entrar no santuário, pelo sangue de Jesus” (Hebreus 10:19); “Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno” (Hebreus 4:16). 

– Para nos garantir a vida eterna. “E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está em seu Filho” (1 João 5:11).

 As razões humanas para a morte de Cristo são variadas, mas o sentido espiritual é muito forte. E a razão principal é esta: “Deus prova o seu amor para connosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” (Romanos 5:8). Portanto, a nossa atitude só pode ser de gratidão a Deus pelo amor à humanidade revelado em Jesus Cristo.

Nasceu em Lisboa (1954), é casado, tem dois filhos e um neto. Doutorado em Psicologia, Especialista em Ética e em Ciência das Religiões, é director do Mestrado em Ciência das Religiões na Universidade Lusófona, em Lisboa, coordenador do Instituto de Cristianismo Contemporâneo e investigador.

Trending