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Opinião

Os desigrejados, o corpo de Cristo e a prática do Evangelho

Sendo Jesus o líder da Igreja, abandoná-la significa deixar de lado os planos do Mestre.

Abner Ferreira

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Culto em igreja americana. (Foto: Unsplash/Edward Cisneros)

É incoerente alguém se declarar discípulo de Jesus Cristo e, ignorando a Bíblia, afirmar não pertencer a nenhuma igreja. São incompatíveis essas duas realidades: o fato do sujeito não pertencer a uma igreja e, ao mesmo tempo, se declarar evangélico.

A prática do Evangelho já nos orienta a fazermos parte do corpo de Cristo, vivendo na comunhão dos santos e nos ajudando mutuamente. O que, por si só, serve como base para que venhamos a congregar.

No entanto, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que é crescente a onda de pessoas que afirmam ser evangélico, mas que não frequenta nenhuma igreja.

Pertencer ao rol de membros é uma doutrina bíblica incontestável, abordada por uma matéria teológica chamada Eclesiologia. Essa doutrina apresenta o papel da Igreja na salvação, sua origem divina, suas doutrinas, entre outras coisas.

Aqueles que negam essa doutrina bíblica, afirmando que não é necessário pertencer a uma denominação e que é possível seguir resguardando a fé mesmo distante do corpo de Cristo, desprezam o plano divino.

Os desigrejados têm “bons motivos” – se me permitem o trocadilho – para se afastar da comunhão com os santos, como o fato de negarem que essa tenha sido edificada por Cristo.

Mas foi Jesus Cristo quem disse: “Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mateus 16.18).

A Bíblia aponta, por diversas vezes, que a Igreja é um corpo e Jesus é a cabeça (Colossenses 1.18 – 20; Romanos 12.4 e 5). É evidente que essa afirmação fala sobre a Igreja mística, sem citar nenhuma denominação específica.

Contudo, podemos afirmar que a “igreja local” é parte do plano de Deus. Por serem administradas por homens, as denominações têm suas falhas, desvios, maus testemunhos e desonras, mas ainda assim ela pertence ao Senhor.

Quando entendemos que ainda que com sua estrutura terreal administrada por homens, a Igreja pertence a Deus, então deixamos de olhar os defeitos, passando a viver o propósito pelo qual ela existe, que é a edificação dos irmãos.

É a convivência e a comunhão que permitirá que, no exercício da nossa fé, venhamos a desempenhar a nossa função no Reino de Deus. Como membros do corpo de Cristo, nossa importância se deve ao papel que exercemos.

A Bíblia nos fala sobre isso: “Se todo o corpo fosse olho, onde estaria a audição? Se todo o corpo fosse ouvido, onde estaria o olfato?” (1 Coríntios 12.17).

Como seria possível desempenhar a função de membro do corpo fora dele? Jamais, sob nenhuma hipótese, poderíamos nos alocar ao corpo de Jesus Cristo sem desempenharmos função de membros.

Agora, quando alguém decide que não quer mais frequentar uma igreja, por conta das falhas e erros cometidos, desprezando assim o convívio com seu irmão em Cristo, abandonando a comunhão e os cuidados de um pastor, demonstra não ter condições de fazer parte do Reino de Deus.

Desprezar outros cristãos, que servem a Jesus em igrejas diversas, é negar a necessidade que temos uns dos outros (1 Coríntios 12.21 – 23).

Sendo Jesus o líder da Igreja, abandoná-la significa deixar de lado os planos do Mestre. Lembre-se que Ele nunca perde o controle sobre a obra que está edificando. Como cabeça do corpo, o Senhor está nos conduzindo no centro da Sua vontade.

Dwight L. Moody, ao descrever a importância da frequência à igreja, disse ser uma prática “tão vital para um discípulo quanto uma transfusão de sangue rico e saudável para um homem doente”.

O que a Palavra de Deus mostra claramente, é que é muito importante se reunir como crentes em Jesus Cristo. Isso pode ser encontrado em todo o Novo Testamento.

Em Efésios 2.19-21 , o apóstolo Paulo falando sobre os gentios, diz que estes passaram a ser “membros da família de Deus”, demonstrando que através da salvação em Jesus Cristo, todos passamos a fazer parte do Reino de Deus.

Cristão, advogado, esposo, escritor, discípulo e Presidente da Assembleia de Deus em Madureira.

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