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Estudos Bíblicos

Os desesperançados na Páscoa

Alguns se sentem sem rumo, sem esperança e vazios, ou seja, parecidos com os “zumbis” à solta, como na conhecida série televisiva.

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A Páscoa é a principal celebração do Cristianismo, quando recordamos a ressurreição de Jesus ocorrida três dias após sua crucificação no Calvário, conforme nos relata o Novo Testamento.

Com efeito, a Páscoa é a maior expressão de esperança dos cristãos, já que a ressurreição de Cristo é a base de toda nossa fé, como nos lembra I Coríntios 15:13-14, verbis: “E, se não há ressurreição de mortos, também Cristo não ressuscitou. E se Cristo não ressuscitou, logo é vã a nossa pregação, e também é vã a nossa fé.”

Assim, a ressurreição ela traz a certeza de que nossa vida não se encerra no túmulo, que existe um propósito maior em nossas existências, como bem colocado pelo pastor Rick Warren, no seu conhecido livro UMA VIDA COM PROPÓSITOS.

Mas, neste texto, gostaria de estar abordando uma outra dimensão da ressurreição, que é a necessidade de “ressurreição”, de “renovação” urgente daqueles que estão neste mundo, mas se sentem como verdadeiros “walking deads”, sem rumo, sem esperança e vazios, ou seja, parecidos com os “zumbis” à solta, como na conhecida série televisiva.

O que me chamou a atenção para esse tema foi ouvir esta semana que comemoramos a Páscoa, a confissão de um conhecido, já perto de seus 50 anos, que vem sentindo um reiterado vazio existencial, a ponto de até as palavras lhe faltarem para descrever o seu estado de ânimo, sua alma. E como ele, tenho visto muita gente assim, vivendo mais ou menos, como aquela música do Zeca Pagodinho: Deixa a vida me levar.

A meu ver, uma das coisas que mais tem tirado o vigor, a paz interior das pessoas é o apego ao passado, pois a nossa mente é pródiga para lembrar de coisas desagradáveis ou criar uma espécie de “mundo mágico” idealizado no passado e que não está presente no nosso hoje.

Nossa oração deve ser como a de Jeremias, quando disse, em um momento de dor: “Quero trazer à memória o que pode me dar esperança.” (Lamentações 3.21). Este é o mistério da fé: Consegue-se ver uma luz, uma esperança, onde os outros só vêm trevas e destruições.

Quando não existe esse apego ao passado, há muitas vezes aquela projeção de um futuro ameaçador, uma ansiedade e angústia que não tem fim, que não permite à pessoa respirar e sentir prazer no aqui e agora e fazer verdade no seu coração as palavras de Paulo em Filipenses 4:6: Não andeis ansiosos por coisa alguma; antes em tudo sejam os vossos pedidos conhecidos diante de Deus pela oração e súplica com ações de graças.

Onde está sua esperança?

E aí, a pergunta: onde está o nosso coração hoje? Nossa esperança? É na nossa fé em Jesus, ou no status social/dinheiro? É na nossa inteligência e jogo de cintura ? É na ideologia política que manipula pessoas e divide a sociedade para se manter eternamente no poder ou naqueles que dizem ser diferentes, mas agem como hipócritas? É uma pergunta que temos que fazer a cada dia e que só cabe a nós respondermos.

Atente-se que o próprio pastor Rick Warren que citei passou uma duríssima lição de vida, quando seu filho amado que tinha problemas mentais, acabou comprando uma arma, como facilmente se adquire nos Estados Unidos e ceifou sua vida, deixando todos atônitos.

Rick Warren, a meu ver, de forma sábia, se retirou um tempo das pregações, para sentir o luto, que é um processo que todos devemos passar, nas nossas perdas, sob pena de atropelando-o, mais a frente a vida vir nos cobrar. Hoje, a imediatidade da vida, a roda-viva em que vivemos e que muitas vezes nem nos damos conta, não permite nem sentir esse estado. Não precisamo posar de “Super-Crentes”, que não passam sofrimentos e dor. Isso é uma mentira que muitos nos vendes quando aceitamos a Jesus.

Por sua vez, a esposa dele criou, após o suicídio do filho, uma ONG de apoio a famílias enlutadas, e que tem feito um belíssimo trabalho cristão. Ou seja, aquilo que era só símbolo de MORTE e TRISTEZA passou a ser símbolo de ESPERANÇA, DE CONFORTO em Jesus, ainda que talvez no coração dela, ela nunca venha a entender porque aquilo aconteceu com seu filho.

Por outro lado, tenho que a ressurreição deixou até de ser um tema tratado em muitas igrejas, que parecem estar mais preocupadas com milagres neste mundo e bençãos materiais, não muito diferente do mercado de indulgências que a Igreja praticava na Idade Média. Ou seja, é como se quisessem o “céu” na Terra. Para mim, isso nada mais é que a expressão concreta do materialismo que escancarou e fez morada em muitos templos e mentes de religiosos.

Temas como amor ao próximo e a Deus, esperança na vida eterna, tomar sua cruz a cada dia, arrepender-se de pecados e buscar santidade de vida são cada dia mais e mais raros, ainda mais em igrejas midiáticas, que fazem do Evangelho um arremedo da Teologia da Prosperidade, uma das mais nefastas heresias que importamos do Tio Sam, influenciados por pregações de gente como E. W. Kenyon, Oral Roberts, T.L. Osborn e Kenneth Hagin.

Isto é, a meu ver, uma mudança brutal para o Evangelho que era pregado quando me converti na década de 90, com foco na vida interior e espiritual. Ali, havia excessos, sem dúvidas, como certas igrejas cujas pregações invocavam a vida futura apenas para colocar medo nas pessoas do inferno em um legalismo sem igual.

Eu, mesmo sofri quando criança uma espécie de “bullying espiritual”, pois quando nem era convertido, tinha uma empregada doméstica na minha casa, que era oriunda de uma dessas igrejas, cujo prazer sádico era falar que eu iria queimar no fogo do inferno, estando em companhia de diabos. Isso acabou fazendo com que eu por um bom tempo tendo insônias e ficasse angustiado e o pior de tudo, é que como sempre fui muito introspectivo, eu não verbalizava isso para outros, como meus pais.

Concluo, com o forte desejo no coração que Deus possa estar renovando o nosso interior nesta Páscoa, trazendo alento, direção e paz que transcende todo entendimento. Que tenhamos a consciência que já estamos vivendo o Reino de Deus q instaurado neste mundo, mas não concretizado, quando aí, sim, não haverá mais ranger de dentes e pranto. Essa é nossa esperança e que deve ser renovada nesta Páscoa.



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