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opinião

Olha: Os “adultos” chegaram!

Esta é a narrativa que girou em torno da tomada de posse de Biden.

Filipe Samuel Nunes

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Joe Biden durante entrevista
Joe Biden durante entrevista (Foto: Reprodução/YouTube)

A América está salva. A “cura” da nação pode começar agora que o populismo autoritário foi derrotado e “os adultos” estão de novo no comando. Esta é a narrativa que girou em torno da tomada de posse de Biden. Nada podia estar mais errado. As elites progressistas – os woke, na expressão Inglesa – de Biden representam uma ameaça grave para a república americana e para os seus ideais fundadores; e uma ameaça ainda maior para os valores Cristãos. Por detrás da fachada enganadora de unidade, o Novo Mundo treme.

A hipérbole foi exagerada ao ponto de se falar da América do Norte como se fosse um paciente a recuperar de um surto de loucura. Trump era a doença, Biden é a cura. Um repórter da CNN descreveu as luzes ao longo da piscina refletora do National Mall em Washington, DC como “extensões dos braços de Joe Biden abraçando a América”.

Os “adultos” de hoje

Um dos gritos mais comuns do vasto lobby pró-Biden é que “os adultos” estão de volta ao comando. É até possível comprar uma t-shirt Biden/Harris que diz “Os Adultos Chegaram”. Esta metáfora dos adultos que reentram na Casa Branca é reveladora. A votação em Trump em 2016 – tal como a votação para o Brexit no Reino Unido no mesmo ano – é claramente vista pelas elites dirigentes como uma birra temperamental, uma explosão de raiva entre crianças mimadas.

O eleitorado de “baixa informação” e iletrado, escolheu um presidente de “baixo estatuto”, e a consequência foi o caos. Agora “os adultos” – a classe dos peritos, as elites costeiras bem educadas, as pessoas que declaram os seus pronomes e usam toda a terminologia racial correcta, o pessoal da ideologia do género, a malta pró-aborto e pró-LGBTI, os anti-patriarcado – devem reafirmar a sua autoridade. Esta visão de as crianças serem repreendidas por Biden/Harris fala horrores do que é uma visão incrivelmente desdenhosa da democracia, quando o resultado não corre “ao jeito” dos progressistas.

Toda a conversa sobre cura e um regresso à idade adulta dá a impressão de Biden ser o general que ganhou uma grande batalha para preservar a alma da América. A verdade é muito diferente. Trump foi inquestionavelmente um presidente imbecil, conscientemente sem prestígio, muitas vezes indiferente ao princípio fundador americano da liberdade de expressão, e dado a explosões de comportamento destrutivo e de elaboração de políticas que pouco fizeram para ajudar as classes trabalhadoras que votaram nele. No entanto, mesmo tendo em conta a experiência de Biden e o apoio das elites, é este mesmo Biden que ameaça desvirtuar os valores e princípios fundadores dos Estados Unidos.

Os “grunhos” de ontem

Há um elefante na sala sempre que se fala dos Estados Unidos agora: os tumultos do ano passado. Quem quer que levante essa questão é louco e acusado de tentar desviar a atenção da desprezível e antidemocrática tempestade do Capitólio, por uma multidão pró-Trump no dia 6 de Janeiro. Mas é essencial, é crucial, na verdade, reflectir sobre os acontecimentos perturbadores de 2020. Não apenas para reiterar o quão violentos foram ou para assinalar que causaram mais destruição e perda de vidas do que a máfia do Capitólio, mas também para chamar a atenção para o que representavam; a que ideias deram expressão violenta; e o que nos revelaram sobre as elites liberais que, a partir de hoje, estão à frente da América do Norte.

Pois é! Porque as elites que agora estão no poder deram cobertura aos crimes cometidos pelos BLM. Esses tumultos, esses dias a fio de destruição violenta, representaram uma fusão da política das elites com os ressentimentos de certos sectores da sociedade. O gatilho do caos pode ter sido o assassinato de George Floyd pela polícia em Minneapolis, mas o combustível foi o sentimento burguês de exaustão com toda a ideia de América do Norte. A violência das ruas rapidamente se transformou de raiva por causa de um assassinato, em expressões violentas de desprezo pelos ideais e pela própria fundação da república americana. É por isso que os tumultos e o pedido de desculpas da elite cultural são importantes: porque confirmam que tem havido uma corrosão da crença no projeto americano em vários sectores da sociedade norte americana.

É claro que, desde que os Estados Unidos foram fundados em 1776, tem havido tensões e fracassos e conflitos. Por vezes, o projecto Norte Americano provou ser insuficiente; o Novo Mundo parecia oco, um exercício de retórica e não de igualdade real e tangível. Todavia 2020 foi diferente. Totalmente diferente! Pois aquilo a que assistimos no nosso tempo não é simplesmente expressão de frustração com a realização lenta dos valores americanos, mas sim uma questão de desprezo.

Os “projetos” do futuro

Consideremos o projeto lançado pelo New York Times, a Bíblia das elites liberais, para reimaginar a data de fundação da América como 1619, em vez de 1776. Ou seja, os Estados Unidos nasceram quando os escravos chegaram, não quando os revolucionários redigiram a Declaração de Independência. Foi fundada em pecado, não em virtude. Foi fundada nos horrores do Velho Mundo (exploração, escravatura, tirania), não nos valores do Novo Mundo (fraternidade, liberdade, democracia). Este projecto de desminagem da República teve uma influência extraordinária na consciência cultural e também no sistema educativo. E ajudou a alimentar os tumultos do ano passado: viram como os manifestantes mancharam as estátuas derrubadas dos heróis da América do Norte com “1619”!?

A reimaginação da América como uma continuação do Velho Mundo em vez do primeiro grito do Novo Mundo tem vindo a ganhar ritmo nos meios académicos, nos media e na esfera cultural. É agora comum retratar a América como uma nação indelevelmente manchada pelas experiências de escravatura e racismo. Foi fundada para assegurar os direitos dos colonos à escravatura, segundo nos dizem.

E a posterior Guerra Civil não foi realmente um esforço para acabar com a escravatura, mas sim para descobrir novas formas de reprimir e explorar os afro-americanos. Mesmo a Lei que pôs fim à escravatura nos EUA é agora vista como pouco mais do que um esforço dissimulado para escravizar os negros de novas formas, através do sistema prisional. Os fundadores da América do Norte são meros proprietários de escravos, racistas que se fizeram passar por revolucionários. Os edifícios que ostentam os seus nomes devem por isso ser renomeados.

No tumulto do ano passado, estátuas de George Washington foram derrubadas e a memória de Abraham Lincoln, enxovalhada. A expansão dos valores da república americana por Martin Luther King e outros é continuamente minada pela reabilitação do pensamento racial por parte das novas elites. A sua identidade míope, a sua obsessão pelo “privilégio branco”, a sua ideia da teoria racial crítica nos locais de trabalho e de educação – tudo isto desfaz a promessa de igualdade contida na fundação da América do Norte, ameaçando substituir o grito do Novo Mundo de “que todos os homens são criados iguais” pela insistência desta elite em organizar as pessoas de acordo com a sua identidade racial e a sua colocação nos cubículos dos privilegiados / oprimidos. É esta a herança que desejam deixar às novas gerações. Ora, adeus futuro!

Os “ideais Cristãos” eternos

Assim, com George Washington demolido, 1776 apagado, a Guerra Civil desvirtuada, o ideal do Novo Mundo de igualdade destruído por novas formas de pensamento racial rígido… o que resta? Porque é preciso dizer alto e bom som que o progressismo supostamente “liberal” que ao prega a perda de no projecto americano, mina os avanços na liberdade e igualdade que a América do Norte deu ao mundo. Deste neo-racialismo, desta cultura de cancelamentos, deste revisionismo histórico depressivo, desta crescente preferência pela tecnocracia em detrimento da democracia, destas elites, surge o rompimento com os ideais Norte Americanos. Porque devemos ser francos, estes são os ideais Cristãos, sustentados na Bíblia. Gálatas 3.28 dá tónica certa: “Não há judeu nem grego; não há escravo nem livre; não há homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus”.

Talvez esta intensificação da viragem das elites contra os ideais do Novo Mundo seja um acto efémero. Talvez as cruzadas progressistas passem de moda. Talvez a ausência actual de estruturas organizacionais que defendam os valores Cristãos seja um facto inconsequente. Talvez! O que não podemos negar é o carácter único do nascimento da América do Norte. Esta foi a primeira nação fundada nos valores da liberdade e da igualdade. Foi referida como o Novo Mundo porque era o Novo Mundo. Havia uma Nova Esperança, fundada em valores Cristãos. Ideais aberta e resolvidamente Cristãos.

Tristemente, essa esperança não é lembrada com optimismo, mas antes é mal recordada como um exercício cínico na preservação do poder do Velho Mundo. E assim, os “ideais” já não norteiam. Não por causa dos “ideais” em si. Eles são eternos, a Palavra não passará. A ruptura está no esgotamento moral das elites progressistas.  Biden faz parte destas elites; ele fala a sua língua; ele chafurda nessa lama idealista. Quem pensa que a subida ao poder da dupla Biden/Harris representa a restauração do ideal Norte Americano, está redondamente enganado. Em muitos aspectos, representa o oposto. E os “ideais” e os valores Cristãos vão ser vistos como capricho de criança. Afinal, os “adultos” chegaram!

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Formou-se em Teologia na Inglaterra, exerceu trabalho pastoral durante 25 anos em Portugal e vive há 12 anos no Brasil onde ensina Inglês como segunda língua.

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