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devocional

Obedecer: um ato que encurta os processos

Jesus nos encoraja a escolhermos viver as ordenanças em sua plenitude de verdade e legitimidade

Larissa Amaral

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Jovem com as mãos levantadas em adoração (Scott Broome / Unsplash)

Na infância, fomos treinados a obedecer nossos pais, nossos avós, nossos educadores e os “mais velhos” em geral como predição de respeito. Mas, a maioria das vezes, não fomos ensinados a importância da obediência.

Posto que ela por si só, não é algo bom: exige renúncia da nossa parte quando abrirmos mão do que gostaríamos de fazer, para executar o que outra pessoa nos pediu. No primeiro nível, ou seja, quando ainda somos crianças, obedecemos quando a nossa vontade e a da pessoa que nos solicitou são alinhadas, ou, mais raramente, quando o adulto tem sucesso em suplantar o seu desejo no lugar do nosso.

Contudo, outras vezes (e me arrisco a afirmar que na maioria), fazíamos por medo da retaliação ou do castigo, nunca por amor ou honra. E, por isso, nos gerava frustrações ou castrações irreparáveis. Quase sempre desempenhávamos esse papel descontentes e sonhávamos com o dia da maioridade, acreditando que nela ganharíamos a alforria desse ato.

Crescemos. E sinto desconstruir isso, mas nós cristãos nunca receberemos esse alvará porque é uma das bases da nossa “crença” (1 Samuel 15:22). Em contrapartida, seremos instruídos e convencidos pelo Espírito Santo acerca da relevância em acatar uma direção divina e, portanto, obedecê-la. Ainda que seja difícil e contrário a nossa personalidade, nos renderemos por entender que sujeitar-se, agrada-o e revela nosso amor por Ele (João 14:15).

Desse modo, sabemos que a submissão a esse ato é permanente, mas também é eficaz. Quantas são as histórias de homens e mulheres (na Bíblia ou não) que obedeceram e chegaram em seus destinos com êxito? Ou aqueles que sequer deram ouvidos a voz de Deus e rodam em seus desertos até hoje, em pleno século XXI (que é século das oportunidades, das reinvenções, das revelações do Senhor e das descobertas)?

Todas as vezes que decidimos cumprir a diretriz de Deus – frente aos nossos processos de maturidade e de construção de identidade que vivemos constantemente – estamos encurtando caminhos para a vitória. Mas, não confunda o termo com “pegar atalhos” no padrão “forçação de barra”, dado que este não nos transforma, mas nos vicia a permanecermos em lugares rasos.

Obedecer e não pecar contra os céus, requer primeiro que detectemos a voz do mandante. Para chegar a esse estágio, devemos plantar a semente do “ouvir a voz de Deus” através da busca incessante no secreto. Lá, você se familiariza com o timbre do seu Criador e entenderá sempre que for chamada. Posso te garantir que ouvir “Larissa” (substitua pelo seu nome) no tom dEle faz parte da colheita da intimidade.

O próximo passo seria solicitar a direção do Pai. Sem os utensílios norteadores, assumimos os riscos de uma viagem sem rumo. Podemos nos perder ou gastar mais tempo e dinheiro para encontrar o caminho certo; podemos entrar em trilhas que nos levarão a abismos; podemos encontrar obstáculos de difícil remoção; ou podemos nunca chegar.

Por essa razão, meu conselho seria consultar o Senhor, pedir orientação a fim de evitar alargamento das veredas dos processos. Engraçado, que mesmo que não solicitemos uma conversa – talvez porque haverá renúncias ou confrontos e já sabemos disso – Ele nos atrairá para uma “DR” graças a nosso grau de intimidade e nessa postura, Ele se mostra muito cuidadoso conosco.

Caso isso ocorra, queira atender a voz, pois Deus irá pôr a mesa duas opções dentre as quais você escolherá a que quer seguir. A partir de então é que Ele agirá a seu favor (no Pai há o respeito ao arbítrio). Porém, decida com zelo e prudência, levando em consideração lhe será dado oportunidade de escolher o novo que produzirá frutos inéditos. Deus liberará a lição e contemplará com a direção. E até quando Ele se silenciar, você entenderá o que Ele quer ministrar.

Deixa tentar melhorar isso. Há alguns dias, eu estive diante de um conflito semelhante aos que vivia no passado e me foi apresentada pelo Pai duas opções diante da cena: uma seria eu ser e ter paz respeitando os desígnios – tanto o meu quanto os dos demais; e a outra, seria eu agir com atitudes velhas diante do novo de Deus usando a “força da Assíria” (armas como chantagens, choro fingido, voz alterada, vitimismo, atitudes mimadas, chiliques, agir no orgulho, dentre outras).

Eu comecei a argumentar as opções no protótipo antigo e pude ouvir sutilmente um “evolua filha”. Aquela voz mexeu tanto comigo por dentro que me impactou e me conduziu a optar pelo primeiro ditame. Foi aí que experimentei um alívio sobrenatural por ter florescido.

Minha decisão gerou repercussões no mundo físico e espiritual. Me senti aprovada; pude glorificar o nome do meu Senhor; elevei o meu nível de maturidade que já venho edificando nEle; e principalmente recebi a dose de paz apesar de toda a aflição do cenário.

Mas, devo advertir que: nem sempre o resultado é o que você espera, mas é o que você precisa viver para aquela fase do processo. Dói bastante, porém você receberá uma anestesia que te permite suportar aquela ocasião com mais equilíbrio e sensatez a fim de que vontade dEle apareça. E essa vontade será objeto de cura e chaves que destravarão outras pessoas. Sem contar que te restabelecerá para centro do propósito.

Mas não se engane, afinal não é fácil. O meu processo de obedecer a Deus eu considerado mais lento porque eu tenho uma natureza racional. Há quem obedece e vida que segue. Já comigo não funciona assim: como dito, eu questiono a ordem, buscando uma obediência legítima e não cega. Eu tenho a sensação de que agindo assim, ela se torna mais sólida.

O meu prazer habita em executar genuinamente um ensinamento do Pai para situações presentes e futuras. E, para que isso ocorra, eu necessito ter entendido o contexto que estou vivendo ou ter sido destravada pelo Espírito Santo com uma palavra.

É nesse ponto que alinho minhas ações com a direção superior que me foi enviada. Assim, eu possivelmente não cairei em desobediências futuras pela falta de entendimento naquela área já vivenciada. Para mim, tudo que é “forçado” uma hora arrebenta. Hoje, interpreto que questionar Deus não é desobedecê-lo, mas é um mecanismo que adotei para minha proteção.

Destarte, pouco importa a base de construção da sua obediência no passado. Uns pode ter sido condicionado a obedecer para evitar desentendimentos com parentes; outros precisavam desse combustível para sempre manter a harmonia dos ambientes que estavam inseridos; outros não foram ensinados a importância do princípio da obediência por amor e honra; outros eram obedecidos pela força do seu braço e pela altivez da sua voz; outros tinham que obedecer por se sentirem ameaçados por morarem de favor; outros aplicavam armas distintas dos ensinamentos de Deus para alcançar obediência; outros foram ensinados a base do medo; e outros nem sequer obedeciam.

Nesse tempo, o que Jesus requer da gente é que obedeçamos dentro de uma atitude nova, doce como o mel e refinada como o ouro. Ainda que você pertença a lista dos “fáceis em obedecer, apesar de não entender”, Ele nos encoraja a escolhermos viver as ordenanças em sua plenitude de verdade e legitimidade. Dentro da sua boa escolha, você receberá um caráter pacificador e equilibrado diante das situações, e será advertido.

E, de todas as lições, Ele afirma que obediência encurta os processos e gera frutos perpétuos. O ato pode até ser contínuo, mas há grande recompensa para quem escolhe obedecer-lhe (salmo 19:9-11).

Larissa Fabiana do Amaral Pereira é advogada, membro da igreja Bola de Neve em Mossoró (RN). Uma das idealizadoras do ministério Preciosas e ex-aluna do Instituo Teológico Detrás das letras, na Suíça.

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