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opinião

O trágico fim da família de ateus Murray-O’Hair (parte 2)

“Um abismo chama outro abismo, (…)” (Salmos 42:7)

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Esse artigo compõe a segunda parte da história da família Murray O’Hair e vai tratar especificamento do fim trágico que tiveram. Para o entendimento completo de toda a trajetória da família, é recomendada a leitura da primeira parte. É oportuno lembrar de uma chamada que a imprensa local divulgou para tratar o assunto, à época: “uma saga de ganância e traição, de moedas de ouro e tambores de metal, de descrença e desmembramento de corpos”, serviu para ilustrar esse emblemático caso de assassinato de uma família.

Mais um momento fatídico na vida da família Murray se deu quando Madalyn contratou o ex-condenado David Waters em 1993 para trabalhar no escritório da organização Americanos Ateus. Ela descreveu David como aquele que tinha olhos penetrantes como os de uma raposa. Quando contratou-o, sabia da sua ficha criminal, mas não tinha ideia de quão perverso ele era. Quando nos deparamos com algo assim, não tem como não trazer à memória oportunamente o versículo: “Um abismo chama outro abismo, (…)” (Salmos 42:7). William Murray O’Hair relata que usavam do expediente de contratar ex-condenados pelo fato de que eles sempre chegavam afoitos para encontrar um trabalho e, portanto, eram mais propícios a aturar todo o sarcasmo, agressões verbais, as gritarias, o linguajar sempre recheado de palavrões e os baixos salários.

É curioso que muito embora tenha ocorrido um incidente com roubo de equipamentos e de um título a receber, os Murray O’Hair não desconfiaram especificamente de David Waters à época, pois a suspeição se diluia nos muitos ex-condenados que tinham acesso ao escritório. Não obstante, sua ficha criminal e o incidente dos roubos, fato é que em 1995, David Waters já era o gerente do escritório. Muito, devido a sua sagacidade e pela capacidade de expressar-se muito bem. Confiaram tanto em David ao ponto de deixarem sob sua responsabilidade contas bancárias e as chaves do escritório.

Por conta de um longa disputa judicial que havia com outra entidade ateísta, em maio de 1995, a família Murray O’Hair teve que viajar para a Califórnia e deixou o escritório sob a responsabilidade de David Waters. Terminado o compromisso, ao retornarem, foram surpreendidos com o escritório fechado e os funcionários todos demitidos pelo gerente além de ter suas contas bancárias esvaziadas (mais de 50 mil dólares).

Madalyn, indignada com tudo isso, levou o caso à justiça. O processo levou tempo para ser julgado e fomentou mais fúria por parte dela, que acabou publicando um artigo muito ácido expondo a ficha criminal de David Waters, comparando-o a um predador de sangue-frio. Como de costume também direcionou sua metralhadora de fúria para os cristãos, sugerindo que se o roubo fosse contra uma igreja, o acusado já teria sido julgado e estaria cumprindo pena.

Para apressar o julgamento e chamar atenção, ela revelou em detalhes, crimes que David Waters havia cometido. A começar de quando ele ainda era um adolescente e seu envolvimento na morte por espancamento de outro garoto por uma banalidade. De quando após ser julgado e preso por esse crime, cumprido a pena, ganhou novamente a liberdade e envolveu-se em confusão com a própria mãe, espancando-a e chegando ao ponto de urinar em seu rosto. Não parou por aí e continuou expondo outras condenações dele por roubo e assalto. Queria deixar claro que Waters era uma pessoa perigosa e mesmo assim permanecia impune e livre. Na sua visão era só porque ele tinha roubado dos ateus.

David Waters acabou sendo condenado a devolver o dinheiro roubado. Isso provocou igual fúria dele contra Madalyn e sua família. Sua ex-namorada contou posteriormente que ele chegava a delirar com o que faria com ela. Como ele queria impingir o máximo de sofrimento a ela. A partir desse ponto, desenvolveu-se um macabro plano de vingança, repleto de detalhes sórdidos  envolvendo três criminosos que mais se aproximava de roteiro de filmes de suspense de Hitchcock.

Um dos maiores responsáveis por desvendar a sequência macabra de como ocorreram os acontecimentos que permitiu a prisão dos assassinos, foi o brilhante e persistente jornalista John MacCormack. À época Madalyn Murray O’Hair estava com 77 anos, Jon Garth Murray, o filho, com 41 e Robin Murray-O’Hair, filha adotiva e filha natural de William Murray O’Hair, com 30, respectivamente.

David Waters, que também era ateu, tomado de ódio e movido pela vingança, mas também por maldade – conforme narrou sua namorada que presenciou toda a trama – aliciou dois ex-detentos e empreendeu o sequestro da família. Um deles era Danny Fry e o outro era o ex-condenado por estupro e sequestro Gary Karr, aos quais tinham cumprido pena juntos em outra ocasião. Sequestraram a família e mantiveram-nos presos na pousada Warren Inn em San Antonio. Permaneceram lá durante um mês, por conta da dificuldade e do tempo necessário para sacar todo o dinheiro da família e concluir o plano macabro.

O crime permanece envolto em mistério pelo fato de Jon Garth Murray, filho de Madalyn, ter cooperado de modo passivo com os criminosos sem nunca ter denunciado o cativeiro ou ter se indisposto contra a situação, muito embora as investigações apontem que houve diversas ocasiões que ele podia tê-lo feito. A presidente interina da organização Americanos Ateus, à época, Ellen Johnson, chegou a falar diversas vezes com Jon Garth Murray por telefone – que estava no cativeiro – sem que ele desse a entender que estavam passando por um sequestro.

Ao final – no mês de setembro – os criminosos venderam o carro Mercedez da família e ficaram com o valor da venda, além de saques em dinheiro feitos com cartões de crédito e uma compra de moedas de ouro que totalizaram 600 mil dólares. Quando David Waters voltou da viagem que havia feito para Nova Jersey com Jon Garth Murray para liberar in loco a transferência do dinheiro usado para a compra das moedas de ouro, encontrou a filha adotiva/neta de Madalyn assassinada num dos quartos que formava o cativeiro. Robin Murray foi estuprada repetidas vezes antes de ser assassinada por esganadura, por Gary Karr, provavelmente. Madalyn acabou morta por David Waters e Gary Karr sufocada com um saco plástico. Jon Garth Murray, o filho, foi morto enforcado com um cinto de couro por ambos igualmente.

O terceiro criminoso Danny Fry acabou assassinado pela dupla com um tiro na cabeça,  na sequência, por desentendimento entre eles. Teve sua cabeça e mãos decepados para dificultar a identificação e o seu corpo nu foi lançado num rio. A família Murray O’Hair teve seus corpos serrados e desmembrados por Gary Karr que os acomodou em tonéis de metal, utilizados para produtos químicos. Posteriormente enterrou-os, junto com a cabeça e mãos de Danny Fry, num local distante, na zona rural em Camp Wood, Austin, Texas.

Ironicamente, quem desvendou o crime foram agentes do FBI – tão atacados e desacreditados por Madalyn nas suas críticas à sociedade norte-americana – motivados pelas histórias que John MacCormack vinha publicando sobre o caso. Suas reportagens apontavam suspeitas consistentes de sonegação de impostos da organização Americanos Ateus, suficientes para empreenderem investigação sobre o paradeiro dos Murray O’Hair.

Em 1998, sem nenhum suspeito ou acusado e os culpados pelos assassinatos soltos, a peça final para desvendar o crime veio quando a ex-namorada de David Waters, comovida pelas reportagens de John MacCormack, resolveu contar tudo o que sabia.

Após incursões na casa de David Waters e Gary Karr, agentes do FBI acabaram encontrando munição e armas de fogo, que foram suficientes para prendê-los por violação da condicional de ambos em março de 1999. Acabaram encontrando mais provas e a serra utilizada para desmembrar os corpos.

Em 2000, após condenados, os assassinos ainda não haviam revelado o local onde estavam os corpos. Só em 2001, num acordo de confissão em troca da transferência para um presídio federal, David Waters confessa o crime e revela onde haviam enterrado os corpos. A ossada foi rapidamente confirmada verdadeira, por uma prótese de metal que Madalyn tinha no quadril. Cinco anos e meio após o desaparecimento da família de ateus; sob muitos rumores e boataria das mais sórdidas, finalmente o caso de assassinato da mulher mais odiada dos EUA, estava solucionado.

O jornalista Robert Bryce conta que Madalyn escreveu em 1986, um artigo na revista da sua organização falando sobre o que pensava a respeito do destino do seu corpo, após morta. Não queria que nenhum cristão colocasse as mãos sobre seu cadáver. Preferia que sua carcaça fosse lançada ao mar para servir de comida aos peixes. “Um corpo morto é nada mais que uma folha caída de uma árvore, um cachorro morto na estrada ou um peixe pego numa rede”, escreveu. Em outra situação confidenciou que preferia que fosse cremada no seu quintal se a legislação permitisse.

Chegava ao fim a vida da mulher que por meio de suas ideias provocou uma manifestação contrária e enfática do consagrado evangelista Billy Graham.

Após a proibição das orações e leitura da Bíblia, Billy Graham afirmou que isso era “um prelúdio para a declínio do Ocidente ou para a derrocada da civilização tal como a conhecemos”. Na época, numa campanha evangelística na Alemanha Ocidental, chegou a dizer: “Estou chocado com a decisão. Orações e leitura da Bíblia têm sido uma parte da vida da escola pública desde que os peregrinos desembarcaram em Plymouth Rock. Agora, o Supremo Tribunal, em 1963, diz que nossos pais estiveram errados todos esses anos (…). Na minha opinião, é o Supremo Tribunal que está errado (…) Numa época em que a decadência moral é evidente, quando a tensão racial cresce, enquanto a ameaça do comunismo cresce, quando novas armas de destruição estão sendo criadas, precisamos de mais religião, não menos.” Ainda acrescentou: “Oitenta por cento do povo americano quer a leitura da Bíblia e oração nas escolas. Por que a maioria deveria ser tão severamente criticada pelos protestos de uns poucos?”

Fato é que William J. Murray, filho de Madalyn Murray O’Hair, escapou da tragédia por conta de muito tempo antes, na sua juventude ter se rebelado contra a mãe e construir seu próprio caminho. Nessa caminhada, encontrou a Cristo e permaneceu para desmistificar a personagem quase lendária que se transformou sua mãe.

Em março de 2001, após vencer um batalha judicial para ter o direito de enterrrar sua mãe, finalizou com essas palavras: “Não vou transformar isso num espetáculo. A maior parte da vida de minha mãe foi um circo. Esses últimos cinco anos do seu desaparecimento foram igualmente um circo. Já está na hora disso terminar.” Não orou por eles no funeral. Quando questionado, apenas afirmou que baseado na Bíblia, isso não faria mais diferença.

Apenas afirmou que a morte de sua mãe, do seu irmão e da sua filha deveriam tornar clara a necessidade de Cristo para todos aqueles que defendem o ateísmo. Embora seus seguidores ainda continuassem a lutar contra Deus e Sua autoridade. “A sabedoria do prudente é entender o seu caminho, mas a estultícia dos insensatos é engano.” (Provérbios 14:8)

Bibliografia

http://archive.is/LTKy2

MURRAY, William J. My Life Without God. WND Books; 1ª edição, 2012.

LE BEAU, Bryan F. The atheist: Madalyn Murray O’Hair. Nova Yorke, 2003.

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Formado em Letras (Literatura Inglesa e Portuguesa), pastor assembleiano, professor da EBD e de teologia, residindo em São José, SC.

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