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Opinião

O tapa da discórdia

Augusto Nunes, Glenn Greenwald e a falta de moderação

Maycson Rodrigues

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Augusto Nunes e Glenn Greenwald. (Foto: Reprodução / Youtube)

De que lado você está? Direita ou esquerda? Você é a favor ou contra a Operação Lava Jato? Prefere ler Augusto Nunes ou Glenn Greenwald?

Sinceramente, considerando o lamentável episódio durante o programa Pânico nesta quinta (07), na rádio Jovem Pan, onde os jornalistas renomados e famosos trocaram agressões verbais e até mesmo físicas, não dá pra ficar do lado de nenhum deles.

Nada justifica uma agressão, ainda mais diante das câmeras, para servir de alimento a cada um que já gosta de vomitar seu ódio no Twitter por nada.

Ambos não se gostam, ambos criticam um ao outro e isso num ambiente democrático é até natural; quando entra a ofensa ou a agressão, o que devemos considerar é que isso foge totalmente do senso de respeito e educação.

Cabe a ambos – a meu ver – um pedido de desculpas nas redes, por não terem conseguido debater como pessoas civilizadas.

A turma da esquerda vai vociferar cheia de ódio, afirmando que o jornalista Augusto Nunes tem de ser demitido, que agiu como um monstro e que deu um ‘tapa’ na cara de um colega de profissão de forma extremamente covarde.

Enquanto isso, a turma da direita vai também vociferar, cheia do mesmo ódio, dizendo que o jornalista Glenn Greenwald recebeu um ‘tapa digno’, pois ofendeu um homem na frente dele chamando-o de “covarde”.

Cabe-se até recorrer à lei, que prevê a legítima defesa da honra, pois o jornalista da rádio Jovem Pan foi ofendido primeiro e por repetidas vezes, em sua honra como profissional e até mesmo como homem, de modo que sua agressão foi uma reação proporcional a uma “injusta agressão, iminente e a direito seu” (Código Penal. Art. 25).

Só que eu vejo covardia nos dois (ainda que medindo e guardando as proporções), e uma covardia ainda maior em quem vai para o teclado do smartphone ou do computador com o objetivo de destilar o seu próprio veneno existencial em favor de um contra o outro. A geração das redes sociais é a geração mais orgulhosa, hostil, vingativa e desumana que já existiu na história da humanidade.

Apesar de não considerar Greenwald um bom jornalista e de admirar o trabalho do Nunes, não acredito que as coisas devem culminar num nível tão baixo, ainda mais em se tratando de dois profissionais que são reconhecidos pelo público brasileiro, independentemente das preferências por “A” ou “B”.

Não há vítimas neste episódio. O que temos são dois adultos, profissionais reconhecidos e que possuem um grande público consumidor de seus trabalhos agindo como adolescentes que acabaram de entrar na puberdade e estão loucos por gastarem suas energias naquilo que não compensa de forma alguma.

Posso até tentar entender um pouco mais a reação irada do Augusto Nunes e ainda continuar a considerar Glenn Greenwald um profissional antiético, militante e desrespeitoso, só que a gente sempre vai esperar mais sabedoria das pessoas públicas, ainda mais em momentos de alta tensão.

Como cristão, não posso fazer apologia a nenhuma agressão ou ofensa, nem mesmo entrar no jogo da polarização burra das redes. Eu tenho a responsabilidade de me tornar numa “voz que clama no deserto” e deixar bastante claro que a melhor maneira de responder a quem lhe ofende é agindo dentro do espírito democrático, não baixando a guarda do respeito ao próximo e, no máximo, aumentando a potência não dos socos, mas dos argumentos.

Que ambos possam refletir sobre este episódio triste e lastimável e que sejamos mais equilibrados em tempos de total descalabro político, emocional e (por que não) mental.

Casado com Ana Talita, seminarista e colunista no site Gospel Prime. É pregador do evangelho, palestrante para família e casais, compositor, escritor, músico, serve no ministério dos adolescentes e dos homens da Betânia Igreja Batista (Sulacap - RJ) e no ministério paraeclesiástico chamado Entre Jovens. Em 2016, publicou um livro intitulado “Aos maridos: princípios do casamento para quem deseja ouvir”.

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