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cosmovisão

O que um cristão deve fazer durante o carnaval?

O carnaval não é um evento em que um cristão deva ter algum tipo de participação.

Newmar Costa

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Máscara de Carnaval
Máscara de Carnaval (Foto: Direitos Reservados/Deposiphotos)

Olá, caro amigo(a), leitor(a) do Gospel Prime. Graça e paz a você.

Com a pandemia, tudo indica que a festa mais famosa do mundo – a festa de carnaval, vai ser pela terceira vez na história, adiada. As outras duas vezes em que isso aconteceu foram em 1892 e em 1912.

Em anos convencionais, durante os dias de carnaval, cada cristão costuma bolar sua própria programação de forma personalizada: uns viajam, outros escolhem participar de um retiro espiritual com a sua igreja, outros formam um bloco gospel e entram no foco do carnaval para evangelizar, outros acompanham os desfiles das escolas de samba somente pela televisão, outros assistem aos blocos passando nas ruas pelas janelas de casa. Mas a perguntar que nunca quer calar é: e aí, o que um cristão deve fazer durante o carnaval?

Mesmo supondo que muito provavelmente esta festa seja adiada, ou até mesmo cancelada no ano de 2021, creio que é de vital importância que o cristão receba luz da Palavra de Deus a respeito deste tema. Você não acha?

Então vamos lá… bom, suponhamos que um cristão não participe do carnaval diretamente, mas assista aos desfiles pela TV, sob o pretexto de ver a manifestação cultural (os temas históricos e alegóricos). O problema é que a gente vê, claro como a luz do sol, que hoje o carnaval não é mais uma manifestação cultural como foi em sua origem, no período colonial. Uma das primeiras manifestações carnavalescas foi o entrudo, uma festa de origem portuguesa em que os brincantes lançavam farinha uns nos outros, baldes de água, limões de cheiro, luvas cheias de areia etc. E desde 1854 essa prática foi saindo de cena e dando lugar ao carnaval moderno como a gente vê agora. Onde as temáticas históricas ou alegóricas não passam de um verdadeiro disfarce para a intenção que é extravasar, mergulhar nos prazeres da carne.

Daí a gente conclui que, se tem uma coisa que a gente deve ter em mente é que o carnaval não é um evento em que um cristão deva ter nenhum tipo de participação, nem ativa, nem passiva. E por quê? Pelo próprio intuito do carnaval no contexto atual. E principalmente do ponto de vista antropológico, o carnaval é um ritual de reversão, em que os papéis sociais são invertidos e as normas de comportamento são suspensas. Daí, as portas são abertas para o consumo excessivo de álcool, para a zombaria das autoridades e uma inversão total das regras e normas do dia-a-dia. Ou seja, uma entrega à licenciosidade sem limites.

Então, perceba que ao assistir, nem que seja da janela de casa, ou da tela da TV esse tipo de coisa, é no mínimo contaminar os olhos com a luxúria, desrespeito às autoridades, ataques à moral e à ética, perfomances blasfêmicas, e outras coisas do tipo. Lembre das palavras de Jesus em Lucas 11:34: “Os olhos são como uma luz para o corpo; quando os olhos de vocês são bons, todo o seu corpo fica cheio de luz. Porém, se os seus olhos forem maus, o seu corpo ficará cheio de escuridão”. Resumindo, tudo que os seus olhos fotografarem vão ficar em amostra nos álbuns fotográficos da sua mente, e vão de alguma forma, repercutir nas suas ações e palavras em algum momento. Daí, a razão porque desfiles de carnaval não devem nem ser vistos por cristãos.

Agora, e quantos aos cristãos que escolhem evangelizar dentro do foco do carnaval? Digo… os que organizam ou blocos gospel ou times de evangelismo para sair na rua evangelizando. Isso é certo ou recomendável? A Bíblia diz alguma coisa sobre isso?

Evangelizar dentro do carnaval é não apenas desaconselhável como é também o contrário do mandamento de Paulo em 1 Ts 5:22: “Fiquem longe de toda a aparência do mal”. Dizem que não tem como alguém chegar perto do fogo sem ao menos não sair fedendo à fumaça.

Se a gente fizer uma análise história no ponto de vista antropológico e religioso o carnaval no mundo ou “festa da carne” não é nada novo. Nos dias do apóstolo Paulo, por exemplo, já existia uma festa chamada “bacanália” ou bacanais, que eram festas realizadas em adoração ao deus romano Baco, conhecido também como Dionísio pelos gregos. Baco era o deus do vinho e dos prazeres. E por isso, nessas festas o vinho corria livre e as orgias eram a palavra de ordem. As bacantes, ou as sacerdotisas de Baco, dançavam freneticamente vestidas com peles de leão. E ali rolava de tudo.

Agora, é muito importante ter em mente que em nenhum momento em que essas festas aconteciam a Bíblia relata o Espírito Santo dando uma ordem ou revelação a Paulo do tipo: “Vá à bacanália evangelizar”. E eu aposto que você pode pressupor o motivo de Deus não orientar nenhum dos apóstolos a evangelizar nos bacanais: a suscetibilidade que eles teriam ou a vulnerabilidade que eles teriam de ser tentados nesses locais. Imagine, por exemplo, Paulo, como homem, chegando num lugar repleto de mulheres semi-nuas, dançando, e praticando atos libidinosos, quais as chances dele mesmo não pecar, ao menos em pensamento? Pelo mesmo motivo, não é sábio que um cristão homem evangelize dentro do foco do carnaval (o que não significa que o cristão não deva evangelizar durante o carnaval). Jó 31:1 diz: “Estabeleci um pacto com meus olhos de não atentar com cobiça por donzela alguma”. Ou seja, Jó fez um voto com Deus de proteger os olhos dele da lascívia. E o pacto é desviar os olhos de qualquer mulher provocativa.

Além disso, vamos supor que um cristão tem um histórico de ex-viciado em bebidas alcólicas, já lidou muito tempo com pornografia, ou costumava ter uma vida promíscua, ou tem uma atração secreta pelo deboche, por agitação e grandes agrupamentos sociais, se ele se sente seduzido pela irreverência, se flagra aqui e acolá rindo de piadas de conotação sexual, ou gosta de mostrar o corpo nas redes sociais… se um cristão assim vai evangelizar dentro do foco do carnaval, ele potencializa em muito as chances de cair em vários tipos de tentações estando dentro do foco. Em contra-partida, uma mulher cristã, por exemplo, não precisa tatuar no corpo “não é não” – que foi a frase da campanha contra o assédio de carnavais passados, porque se ela não está dentro do foco, ela não corre o mesmo risco de assédio que as outras mulheres de dentro.

Então, qual seria a saída para quem quiser evangelizar no carnaval?

Muito boa pergunta… uma ótima estratégia é evangelizar à moda antiga, evangelizar à moda de Jesus. Em Marcos 16:15, ele disse: “Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura”. Dizendo de outra forma: “Faça o seu percurso normal, e nesses percursos, pregue o evangelho”. Por exemplo, quando você estiver indo à padaria, entregue um folheto evangelístico ao padeiro, ao frentista do posto de gasolina, fale de Jesus para a pessoa na fila do supermercado. Essa é a estratégia não só para o período de carnaval, mas para todos os dias da vida do cristão.

E se uma igreja organiza um retiro espiritual? Isso é uma boa estratégia? Ou isso seria o mesmo que fugir da responsabilidade de evangelizar logo num momento em que o inferno está investindo mais pesado?

Os retiros que algumas igrejas costumam organizar durante o carnaval têm suas vantagens. Eu particularmente não acredito que retirar-se para um campo, para um hotel, ou para um sítio com a igreja durante o carnaval, significa fugir ou se eximir da tarefa de contra-atacar o inferno nesse período. Muito pelo contrário, um cristão pode usar um retiro espiritual justamente como estratégia de evangelismo. Porque ele tem a opção de convidar um parente ou amigo não-cristão ir junto, e ali, ele vai ouvir a Palavra sendo pregada e vivenciada de forma intensiva. Isso é fantástico! Isso é uma das muitas formas de fazer evangelismo. Você já ouviu a frase: “Existem muitas formas de se tomar Neston. Invente uma?” É por aí. Quando se trata de evangelismo, eu não quero dizer que “vale tudo”, não é bem assim. Mas se a pergunta for : “Quantas estratégias são válidas?” Ou: “Qual o parâmetro?” A Bíblia dá um. Está lá na carta de Paulo aos Filipenses, capítulo 4, verso 8, que diz: “Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai”. Dizendo com outras palavras: seja lá qual estratégia que você pensar, se a estratégia combina com esse critério, tá valendo, “vá pra cima com força!”

E quanto aqueles cristãos que aproveitam o carnaval para viajar com a família? Isso não seria uma forma inteligente de administrar o feriado de carnaval? Ou seria uma forma velada e até às vezes desapercebida de se eximir da responsabilidade de contra-atacar o inferno nesse período?

Não existe nada de errado em viajar com a família em qualquer feriado, seja durante o carnaval ou qualquer outro. Quem tem muito dinheiro vá à Euro-Disney; quem tem menos, vá ao Beach Park de Fortaleza; quem tem menos ainda, vá ao Veneza Water Park de Pernambuco (meu estado). Vale dizer que o Veneza é bem legal, viu? E se você tem um orçamento apertado, vá à praia. Eu já fiz isso. O melhor de tudo é o preço. Rsrsrs.

No entanto, voltando à resposta da pergunta, eu sugeriria uma agenda ou uma programação que inclua alguma atividade evangelística durante a sua viagem, mas uma coisa do tipo que não deixe você dividido e nem a sua família desguarnecida da sua atenção. Por exemplo, você pode simplesmente colocar uns folhetos evangelísticos no carro ou no bolso e entregá-los ao balconista do hotel, ao rapaz da barraca do côco, ao garçom. Enfim… mais uma vez você vai evangelizar à moda antiga. Lembrando que esse método (o de distribuir folhetos evangelísticos) tem atraído milhares de pessoas a Jesus, e causado o que a gente chama de impressões salvívicas em outras milhares – impressões salvívicas são as coleções de pensamentos sobre Jesus que vão acabar confluindo para a salvação de alguém.

Por último, é errado os pais fantasiarem os filhos pequenos para irem à escola no carnaval?

Bom, uma festa à fantasia é uma festa à fantasia. E por si só não há nada de mal. O problema é à associação ao carnaval. Respondendo à pergunta… eu não fecharia dizendo que é errado mandar a criança fantasiada para a escola no carnaval; mas por outro lado, eu diria que é tacitamente ou sorrateiramente perigoso. Por quê? Porque Provérbios 22:6 diz: “Ensina a criança no Caminho em que deve andar, e mesmo quando for idoso não se desviará dele!” É importante que a gente perceba que tudo que a gente permite que a criança experimente é uma forma de transmitir ensinamentos para ela. Daí, eu pergunto: “Se você permite que seu filho nos primeiros anos escolares use fantasia para a festa de carnaval da escola, ainda que ele não participe diretamente da festa, digo, não dance nem nada, somente vá fantasiado, que tipo de reação você vai ter, ou melhor, o que você diria para ele se lá na frente, quando jovem, ele disser para você: “Pai, mãe, eu vou ali num baile de carnaval com os amigos. Já comprei minha fantasia e tudo?” Vou ser mais específico na minha pergunta, “quem você acha que mais contribuiu para que ele alimentasse o gosto pelo carnaval?” Você. Porque você detinha o poder de veto. Aqui vai um alerta que eu não posso deixar de dar a você pai, a você mãe: faça o uso mais sábio que você puder do seu poder de veto sobre o seu filho enquanto você tiver. Porque mais breve do que você imagina, o seu poder de veto acaba. E aí, eu não vou dizer que é tarde demais, eu vou dizer que “sola gratia” (só a graça). Como diz um ditado mais batido do que saco de pancada, mas não deixa de ser uma verdade inatacável: “É melhor prevenir do que remediar”.

Meu pai, hoje pastor emérito da nossa igreja, costuma dizer: “Ensinar uma criança é ganhar três pessoas, uma criança, um jovem, e um adulto”. Essa frase do meu pai é praticamente uma paráfrase de Provérbios 22:6. Então, meu conselho, ou melhor, o conselho de Deus é “ensine o seu filho no caminho de Deus”. Inculque na mente dele que como diz Billy Graham: “Nós somos apenas viajantes nesse mundo; nossa pátria é o céu”. Neste sentido, todo o bojo da cultura brasileira não tem que ser totalmente o nosso. De forma que toda vez que a cultura brasileira chocar com a cultura do reino de Jesus, a gente abraça a cultura do reino e nem por isso deixa de amar o Brasil nem deixa de ser brasileiro.

O meu filho é adolescente, e quer saber o que eu e minha esposa decidimos fazer em todo dia de comemoração de carnaval na escola, desde sempre? Ele fica em casa. Pergunte, se ele acha ruim? Ele ganha é mais horas de video-game, e brincadeiras com os animais de estimação dele. Ele fica é torcendo para chegar o próximo carnaval para ele ficar em casa… de boa…

Bom, eu espero que daqui pra frente você não vai ter mais dúvidas sobre o que fazer nos próximos carnavais. Se foi útil para você a informação, compartilhe-a com outros cristãos. O propósito deste artigo é exclusivamente libertação e santificação pelo conhecimento da verdade bíblica, não alimentar polêmicas nas redes sociais – isso já existe aos baldes.

Jesus disse: “Meu povo se perde por falta de conhecimento”.

Deus te abençoe muitíssimo.

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Bacharel em teologia pela Faculdade Teológica e Apologética Dr. Walter Martin e mestrando em teologia ministerial pela Carolina University - Winston-Salem/NC/EUA. Pastor sênior da Igreja Batista Candelária em Candeias, PE, desde 2016. Escritor - autor do livro: Endireita-te com Deus - 7 Passos para uma Vida Emocional e Espiritual Plena. Casado com Shirley Costa, e pai do João Gabriel.

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