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estudos bíblicos

O que a Bíblia diz sobre política?

Como o cristão deve lidar com a política e a separação da Igreja e do Estado.

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Bancada do parlamento da Finlândia (Joakim Honkasalo / Unsplash)

Há algumas acepções filosóficas ou sociológicas diferentes para a palavra política, mas nesta lição nós trabalharemos com seu conceito mais usual.

O Dicionário de Filosofia de Nicola Abbagnano cita Wolff, que definiu assim política: “a ciência de dirigir as ações livres na sociedade civil ou no Estado”.

Esta é a ciência ou a arte política (“a arte de governar) à qual se faz referência mais frequente no discurso comum. Embora o tema seja indigesto para muita gente, é impossível falarmos de ética cristã e não abordarmos esse assunto.

Ainda mais em virtude de estarmos em um ano de eleições, torna-se necessário que reflitamos a partir da Palavra de Deus sobre qual deve ser o posicionamento e a relação do cristão com a política.

Uma perspectiva bíblica da política

Antes de tudo, dizemos categoricamente: a Bíblia não é contrária à política, e em lugar nenhum de seus 31.173 versículos está sugerido que um crente não deva envolver-se em questões políticas, como se devendo considera-las algo inapropriado.

Ao mesmo tempo em que a Bíblia não sugere diretamente que cristãos devam concorrer a cargos políticos, para legislar ou governar, também não proíbe fazê-lo.

Foi Deus, não o diabo, que instituiu os governos: “não há autoridade que não venha de Deus”, diz Paulo (Rm 13.1). A administração pública pode ser uma dádiva de Deus tanto para fazer o bem ao cidadão íntegro, como para punir o mal na sociedade (v. 4).

Não é debalde que Jesus tenha dito aos que o perguntavam sobre a licitude de se pagar imposto ao governo: “Dai a César o que é de César…” (Mt 22.21). Pedro orienta que honremos ao rei (1Pe 2.17).

Orar pelos políticos

Paulo exorta-nos orar “pelos reis e por todos os que estão em eminência” (2Tm 2.2), e há duas razões para isto:

1°. Para que desfrutemos de uma vida quieta e sossegada (1Tm 2.2).

Assim, Paulo, com clara percepção das atribuições dos governantes, demonstra que a ordem social passa pela gestão pública dos que governam. Para quem acha que Deus deve mandar anjos para resolver todos os nossos problemas, ou fazer um milagre para cada crise social que enfrentamos, Paulo estabelece um caminho ordinário: orar para que Deus ajude os políticos na gestão dos recursos e no cumprimento do dever para com a sociedade.

2°. Para que a salvação de Deus alcance os que estão no poder, visto que Jesus também morreu em favor dos políticos (1Tm 2.4,6).

Todo pecador, seja ela quem for, precisa do Salvador Jesus. E certamente as “casas de poder” necessitam tanto de salvação quanto as “casas de meretrizes”! Observe algo aqui: Paulo não diz para orarmos para que os salvos abandonem a política, antes diz para orarmos para que Deus salve também os governantes, a fim de que tenhamos legisladores e governadores salvos, santos e sábios!

Compreendemos que em virtude dos desmandos na política brasileira, e devido a estes tempos de generalizada corrupção nas mais diversas instâncias de poder, corrupção esta que já vai enchendo as páginas dos noticiários e as celas de prisões federais (nunca se ouviu falar de tanto político preso como em nossos dias!), a sociedade de modo geral comece a alimentar uma aversão à política e aos políticos. Assim, aquela velha alienação da política insiste em se perpetuar também na igreja, através de discursos como “cristão e política não se misturam” ou “a política corrompe”. Corrijamos estas falácias:

“Cristão e política não se misturam”.

Então o que faremos com José no Egito, governando como primeiro ministro do faraó? Que faremos com Davi, rei de Israel? Que faremos com Daniel, Mizael, Hananias e Azarias, ministros do império de Babilônia? Que faremos com Neemias, governador de Judá no pós-exílio babilônico?

Que faremos com Ester, rainha na Pérsia através da qual Deus livrou os judeus da morte já decretada? Não eram estes verdadeiros servos do Senhor enquanto exerciam cargos políticos?

Não os chamamos de “cristãos” exatamente, porque viveram antes de Cristo, mas são crentes do Antigo Testamento, cujo exemplo de vida está posto como referencial para nós, crentes da nova aliança.

O cristão é sal da terra e luz do mundo, e é nos ambientes diversos da sociedade que o cristão tem que salgar e iluminar! Não fomos chamados para resplandecer debaixo da mesa, mas sobre os montes; não fomos chamados para ficar enclausurados nos saleiros, mas para dar o tempero e preservar a sociedade em nossa volta.

“A política corrompe, por isso não convém ao cristão”

Então vamos entregar a política nas mãos dos ímpios por causa disso? Salomão dizia que “Quando os justos florescem, o povo se alegra; quando os ímpios governam, o povo geme” (Pv 29.2).

Ninguém precisa renegar a política em nome da ética, da moralidade e da santidade, a menos que se veja incapaz de resistir as tentações e influenciar para a reversão dessa cultura de mentiras, corrupções e distorções dos valores.

Se a Igreja insistir na alienação da política, quem irá erguer a voz em favor dos necessitados? Quem fará resistência à tentativa de deseducação de nossas crianças através de projetos de lei que querem colocar ensinos perversos como ideologia de gênero nas escolas?

Quem cobrará que a justiça seja feita pelo pobre? E se políticos no futuro quiserem proibir o acesso aos hospitais e presídios para proclamação do Evangelho?

E se a liberdade de religião e culto for restringida? E se altos encargos começarem a serem cobrados das igrejas, na tentativa de frear a expansão dela na sociedade?

E se pregadores começarem a ser punidos com prisão e multa devido se oporem à homossexualidade, aos vícios e à própria corrupção política? Ficaremos “deitado eternamente em berço esplêndido, ao som do mar e à luz do céu profundo” enquanto projetos de lei que visam banalizar o aborto sejam aprovados e levem milhares de crianças às latas de lixo em clínicas abortistas?

Esperaremos Deus fazer as pedras clamarem em nosso lugar, como prova de nossa grosseira omissão em nome de uma pseudosantidade?

Citando como exemplo José no Egisto, Daniel na Babilônia, Neemias e Ester na Pérsia, Nicodemos e José de Arimatéia no Sinédrio Judaica, o erudito pentecostal Abraão de Almeida é assertivo: “A Bíblia nos mostra o quanto podem fazer em prol do bem-estar social pessoas de caráter que ocupem cargos de responsabilidade no governo”.

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Casado, bacharel em teologia (Livre), evangelista da igreja Assembleia de Deus em Campina Grande-PB, administrador da página EBD Inteligente no Facebook e autor de quatro livros.

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