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Estudos Bíblicos

O processo da salvação

Subsídio para a Escola Bíblica Dominical da Lição 10 do trimestre sobre “A obra da salvação”

Tiago Rosas

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Homem com joelhos dobrados dentro de igreja. (Foto: Pexels / Pixabay)

II. REGENERAÇÃO

Ainda falando sobre o processo da salvação, chegamos a uma outra ação espiritual realizada por Deus no coração daquele que creu em Cristo. Apenas precisamos deixar claro que, “mesmo que não haja uma ordem cronológica nos eventos que cercam a salvação, há uma sequência lógica” (10). Teologicamente, essa ordem lógica dos eventos na salvação é chamada de ordo salutis, em latim, ou seja, “ordem da salvação”. Há pequenas, mas significativas diferenças na compreensão da ordo salutis nas linhas calvinista e arminiana. Para sermos objetivos, vamos aqui apenas apresentar a sequência lógica (embora muito dela ocorra simultaneamente) conforme a nossa compreensão arminiana:

Eleição em Cristo, conforme a presciência -> Chamado ao arrependimento seguido pela -> Conversão para Cristo -> Justificação dos pecados -> Regeneração para uma nova vida -> Santificação para formação do caráter de Deus -> Glorificação para adequação ao reino celestial.

Apenas perceba que na ordem da salvação, conforme a compreensão arminiana, a justificação vem antes da regeneração (assim também está em nossa Lição e na maioria absoluta dos compêndios de doutrina e teologia sistemática de linha arminiana). Enquanto calvinistas tendem a colocar a regeneração à frente – até mesmo da fé! – nós arminianos estamos convencidos pelas Escrituras de que somente recebem uma nova vida em Cristo, aqueles que foram inocentados no tribunal de Deus e aceitos pelo Pai através da fé em Cristo. Na compreensão arminiana, a fé antecede a justificação e a regeneração, só podendo tomar parte nesse processo da salvação aqueles que primeiro crerem no Filho de Deus. O encontro de Jesus com Nicodemos, conforme terceiro capítulo de João, deixa-nos muito claro a preponderância da fé para o novo nascimento.

  • O que é regeneração?

Segundo Menzies e Horton, a regeneração “é a conceção de vida espiritual (Jo 3.5; 10.10; 1Jo 5.11,12). A regeneração significa nascer de novo, ‘nascer do alto’ (Jo 3.3). É a concessão de uma nova natureza (Jr 24.7; 2Pe 1.4). a regeneração é um ato criativo de Deus (…). Em lugar da depravação que nos escravizava, temos hoje nova natureza, somos da família de Deus (Ef 2.19)” (11). A Declaração de Fé das Assembleias de Deus acrescenta: “Regeneração é a transformação do pecador numa nova criatura pelo poder de Deus, como resultado do sacrifício de Jesus na cruz do Calvário. Essa obra também é conhecida como novo nascimento, ou nascer de novo e nascer do Espírito” (12).

Antônio Gilberto destaca uma distinção importante entre justificação e regeneração: “Justificação tem a ver com o pecado do pecador; regeneração tem a ver com a natureza do pecador. Justificação é imputada por Deus; regeneração é comunicada por Deus” (13). Orton Wiley e Paul Culberstone corroboram com essa distinção: “A necessidade de justificação repousa no facto da culpabilidade e da pena, ao passo que a da regeneração está na depravação moral da natureza humana depois da queda. Aquela cancela a culpa e tira a pena, esta renova a natureza moral e restabelece os privilégios da filiação divina” (14).

Se na conversão nós nos voltamos para Deus, e se na justificação Deus nos recebe amistosamente declarando-nos justos e creditando em nossa conta a justiça de Cristo, pela regeneração, Deus se volta para nós e nos dá uma nova natureza, a natureza do Espírito, pela qual somos vivificados e capacitados para uma nova vida. Com esta natureza podemos pensar corretamente, falar corretamente e agir corretamente, cumprindo a vontade de Deus para nós. Como dizia Paulo, “se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (2Co 5.17). Sem esta nova vida é impossível ao homem tomar parte no reino de Deus! (Jo 3.5). Isto porque o reino de Deus é marcado pela purificação, pela humildade, pela mansidão, pela paz, pela justiça e outros valores singulares (Mt 5.1-11; Rm 14.17; Gl 5.22,23); mas o homem que não foi regenerado não tem estas qualidades morais no modo e na medida que Deus deseja, não podendo ser, portanto, um cidadão deste reino espiritual.

Jesus disse a Nicodemos: “Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Necessário vos é nascer de novo” (Jo 3.3,7). Myer Pearlman faz uma paráfrase interessante do diálogo de Jesus com aquele rabino de Israel e que ressalta a necessidade da regeneração para que os homens possam se fazer “parceiros de Cristo”. Pearlman parafraseia assim as palavras de Jesus: “Nicodemos, tu não podes unir-te à minha companhia como se te unisses a uma organização. Pertencer à minha companhia não depende da qualidade de tua vida; minha causa não é outra senão aquela do Reino de Deus, e tu não podes entrar nesse reino sem experimentar uma transformação espiritual. O Reino de Deus é muito diferente do que estás pensando, e o método de estabelece-lo e de juntar seus súditos é muito diferente do que estás cogitando” (15). Não há amigos do Evangelho que não sejam aqueles que obedecem ao Evangelho! Não há amigos de Deus que não sejam aqueles que nasceram de novo pelo Espírito de Deus! Sem novo nascimento, nenhum homem é “filho”, mas apenas criatura de Deus. Filhos são aqueles que partilham da natureza divina por meio da fé em Jesus Cristo!

  • Quais as bênçãos da regeneração?
  1. O regenerado passou da morte para a vida (Jo 5.24)
  2. O regenerado recebeu ingresso na família de Deus (Jo 1.12)
  3. O regenerado fez-se morada e templo do Espírito de Deus (1Co 6.19)
  4. O regenerado agora possui sobrenaturalmente capacidade para vencer o pecado (Cl 3.1,2; 1Jo 5.4)

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Casado, bacharel em teologia (Livre), evangelista da igreja Assembleia de Deus em Campina Grande-PB, administrador da página EBD Inteligente no Facebook e autor de quatro livros: A Mensagem da cruz: o amor que nos redimiu da ira (2016), Biblifique-se: formando uma geração da Palavra (2018), Reflexões contundentes sobre Escola Bíblica Dominical (versão e-book, 2019), e Poder, poder pentecostal: reafirmando nossa doutrina e experiência, à luz das Escrituras Sagradas (lançamento previsto para final de 2019).

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