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Estudos Bíblicos

O poder do alto contra as hostes da maldade

Subsídio para a Escola Bíblica Dominical da Lição 10 do trimestre sobre “Batalha espiritual”

Tiago Rosas

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Mãos em forma de prece
Mãos em forma de prece. (Photo by Amaury Gutierrez)

A Lição de hoje está baseada no trabalho missionário do diácono Filipe e dos apóstolos Pedro e João na região de Samaria, após a perseguição que dispersou muitos crentes de Jerusalém (Atos 8). Ali vemos desmoronarem pelo poder do Espírito muros de separação racial e religiosa, vemos a atuação demoníaca sofrer recuo, e ainda setas de ganancia provenientes de satanás sendo jogadas ao chão! O trabalho dos apóstolos ensina aos crentes neófitos de Samaria que não só a salvação como também o poder do Espírito Santo são obras da graça de Deus. Não se compra, nem se vende, se recebe pela fé! Não para promoção pessoal, mas para exaltação do nome de Cristo!

I. O contexto histórico de Samaria

1. Cidade e província de Samaria

O nome Samaria pode referir-se tanto a cidade como à região, província ou território dos samaritanos. Como cidade, fora a antiga capital do Reino Norte, após a divisão de Israel em dois reinos (a capital do Reino Sul fora Jerusalém). Como região, na época de Jesus, Samaria era uma das três províncias em que a Palestina a oeste do rio Jordão estava dividida (as outras duas eram Galiléia e Judéia)

Situada entre a Galileia e a Judéia, Samaria era a rota natural entre essas províncias. Mas, por causa dos casamentos mistos entre judeus e estrangeiros, os judeus ortodoxos não se davam com os samaritanos (Jo 4.9), e preferiam viajar para leste, cruzando o rio Jordão, a passar pelas terras de Samaria.

Afim de quebrar esse paradigma de preconceito racial, o texto bíblico destaca sobre Jesus que “era-lhe necessário passar por Samaria” (Jo 4.4). É necessário quebrarmos as discriminações pelo poder do evangelho da paz (Ef 6.15), isto é, o evangelho do amor de Deus pelo mundo inteiro (Jo 3.16) e da reconciliação que Ele está a fazer por meio de seu Filho Jesus! (2Co 5.19).

2. Características dos samaritanos

a) Povo misto

Após a queda do Reino Norte (Israel), em 722 a.C., a cidade de Samaria foi habitada por colonos trazidos pelos assírios. Esses colonos se casaram com os judeus remanescentes, e os samaritanos eram os descendentes nascidos desses casamentos mistos. A partir daí surge grande inimizade entre os judeus ortodoxos (considerados “puros”) e os israelitas mistos, isto é, fruto de casamento entre israelitas e estrangeiros.

Tal rivalidade se pode perceber nos casos da reconstrução do templo, após o exílio babilônico, nos dias de Zorobabel, quando os samaritanos tentaram impedir a conclusão da obra (Ed 4.1-10), ou quando os samaritanos junto com os árabes tentaram embargar a reconstrução do muro de Jerusalém nos dias de Neemias (Ne 2.10-6.14). O sacerdote e escriba Esdras, em seu zelo pela pureza racial, pressionou todos os homens israelitas que se tinham casado durante o cativeiro a se divorciarem de suas esposas pagãs (Ed 10.18-44).

b) Religião própria

Os samaritanos rejeitavam todo o Antigo Testamento, à exceção do Pentateuco, os cinco livros de Moisés, reunidos no que se chama atualmente de Pentateuco Samaritano, que, segundo Esequias Soares [1], possui cerca de 6 mil variantes em relação ao Pentateuco Hebraico. Além disso, construíram um templo no monte Gerizim que rivalizava com o templo judeu em Jerusalém.

c) Sincretismo

Assim como os judeus, samaritanos também por vezes envolviam-se em práticas idólatras, embora a politeísmo não seja a doutrina dos samaritanos, como também não é dos judeus. O judaísmo nunca os considerou idólatras. Na verdade, os samaritanos eram extremamente monoteístas, sendo ainda mais rigorosos que os judeus na observância da lei de Moisés, especialmente quanto ao sábado. Todavia, seu grande problema era o sincretismo, isto é, a mescla de crenças ou práticas não-ortodoxas e até pagãs com os ensinos do Pentateuco mosaico. A fácil sedução dos samaritanos pelas artes mágicas de Simão, demonstram esse caráter sincrético de sua fé.

d) Conduta moral

O historiador judeu Flávio Josefo indica que os samaritanos também eram oportunistas. Quando os judeus gozavam de prosperidade, os samaritanos rapidamente procuravam reconhecer seus laços de sangue. Mas, quando os judeus enfrentavam tempos difíceis, os samaritanos negavam qualquer parentesco, declarando que eram descendentes de imigrantes assírios [2].

e) Atualidade

Segundo o Dicionário Ilustrado da Bíblia [3], dois pequenos grupos de samaritanos sobrevivem até os dias de hoje: um em Neblus (antiga Siquém) e o outro em Tel Aviv. Os samaritanos remanescentes retiveram sua crença monoteísta: Deus como o único Criador e Sustentador de todas as coisas. Eles também o adoram em três festas prescritas no Pentateuco: Páscoa, Pentecostes e Cabanas (ou Tabernáculos), além da comemoração solene do Dia da Expiação. Sua fé, porém, sofreu influência do Islamismo e de outras crenças (vê-se assim que o sincretismo persiste entre os samaritanos), ao contrário da comunidade judaica ortodoxa. Até o dia de hoje, eles sacrificam um ou mais cordeiros no monte Gerizim, durante a festa da Páscoa.

II. O evangelho entre os samaritanos

1. Jesus e os samaritanos

Apesar das primeiras proibições de Jesus para que os discípulos evitassem o território dos samaritanos (Mt 10.5,6), isso de modo algum significava que Jesus estava compactuando com a rixa histórica entre judeus e samaritanos, antes estava apenas estabelecendo as prioridades missionárias. As “ovelhas perdidas da casa de Israel” deviam ser buscadas primeiro, mas sem negar a oferta da graça a quaisquer pessoas que necessitasse e viessem em busca dela. Deus amou o mundo inteiro (Jo 3.16; 1Jo 2.2), o que inclui também o povo samaritano.

Jesus demonstra apreço pelos samaritanos nalgumas ocasiões muito conhecidas do evangelho de Lucas, que, diga-se de passagem, deu bastante ênfase à obra de Deus entre os samaritanos, mais que qualquer outro autor do Novo Testamento. Terá sido pelo fato de Lucas, um escritor estrangeiro (gentio), ter tido maior empatia pelos estrangeiros, por ter ele mesmo sentido na pele a força desse amor divino que é suprarracial? Vejamos alguns desses casos do amor de Cristo pelos samaritanos.

a) Quando na parábola do “bom samaritano”, usa a compaixão de um samaritano como exemplo de amor ao próximo para os judeus (Lc 10.30-37);
b) Quando enaltece a atitude de gratidão de um ex-leproso que fora curado (Lc 17.11-19);
c) Quando repreende seus apóstolos Tiago e João que queriam pedir fogo do céu para destruir um vilarejo samaritano que não se mostrou hospitaleiro (Lc 9.52-56);
d) Quando assegura a inclusão de Samaria, tanto quanto Jerusalém e toda a Judéia, no programa missionário da igreja aviva pelo poder do Espírito (At 1.8). Lembremo-nos que o livro de Atos dos Apóstolos é também da autoria de Lucas (Lc 1.1; At 1.1)

Temos também no evangelho de João (cap. 4) um detalhado relato do encontro de Jesus com a mulher samaritana. Ali, muitos preconceitos sociais foram derrubados pela misericórdia do Senhor: preconceito sexista – Jesus conversa com uma mulher; preconceito racial – Jesus conversa com uma samaritana; preconceito religioso – Jesus, um judeu, instrui uma mulher samaritana e lhe explica verdades teológicas que ela nunca dantes compreendera. Não só a mulher creu que Jesus era o Cristo (Jo 4.29), como ainda tornou-se a primeira crente evangelizadora daquela região, quando voltou à sua cidade e convidou os homens dali para virem conhecer Jesus. Estes por sua vez, após verem e ouvirem Jesus, e ainda lhe concederem estadia de dois dias (v. 40), “creram nele, por causa da sua palavra” (v. 41). Eles mesmos testemunharam o caráter suprarracial da salvação, quando afirmaram: “sabemos que este é verdadeiramente o Cristo [isto é, o Messias – v. 25], o Salvador do mundo” (v. 42).

2. O poder de Deus entre os samaritanos

A promessa de Jesus aos seus discípulos foi: “Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra” (At 1.8). Essa “virtude” (ARC) é na verdade o “poder” (ARA, NVI), o poderoso dunamis (grego) do Espírito que capacitaria os crentes para propagação universal do evangelho e até mesmo para fortalecer-lhes diante das ameaças de morte cruel (a palavra “testemunhas” no texto grego é martys, mesma palavra usada para se referir a um mártir, isto é, alguém que prova a força de sua pregação e a lealdade de sua fé por meio da morte violenta).

Esse dunamis do Espírito foi derramado inicialmente em Jerusalém no dia de Pentecostes (At 2), e por ocasião da grande perseguição que alguns anos depois foi movida contra os cristãos após a morte de Estevão (At 8.1,5ss) chegou também a Samaria com o ministério evangelístico de Felipe, um dos sete diáconos da igreja.

Na Igreja primitiva havia alguns judeus cristão chamados de helenistas, isto é, que tinham grande afinidade com a língua e a cultura grega, bem como com os povos estrangeiros. Estes cristãos demonstravam ter uma visão missionária mais ampla, sem aquela resistência encontrada nos primeiros apóstolos de Cristo, como Pedro, que relutou em evangelizar os gentios. Felipe era um destes cristãos helenistas que, revestido pelo poder do Espírito Santo, não fez caso de batalhar pela disseminação da maravilhosa mensagem do evangelho de Cristo e pela operação do poder do Espírito em território samaritano. O caminho já tinha sido aberto alguns anos antes pelo próprio Senhor Jesus, e certamente muitos ali ainda lembravam do Messias que conheceram outrora pessoalmente. Todavia, as pelejas raciais persistiam e somente o evangelho de poder poderia dissolvê-las!

Aliás, visto que nossos estudos deste trimestre estão submetidos ao tema geral “batalha espiritual: o povo de Deus e a guerra contra as potestades do mal”, poderíamos fazer uma pertinente correlação entre o preconceito racial e a operação tirânica de Satanás, que, sem dúvida, é o maior interessado na perpetuação do ódio entre os povos e das contendas entre os homens, ainda que tais contendas tenham suas premissas teológicas. Igualmente há uma correlação entre a operação do Espírito Santo e a reaproximação dos povos, de modo que pelo vínculo da paz se possa estabelecer que “Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação; um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos e em todos vós” (Ef 4.4-6). O poder do Espírito traz unidade no Espírito, pois “Deus não é Deus de confusão, senão de paz” (1Co 14.33)

3. O batismo no Espírito Santo

Como fora prometido por Deus nos dias de Joel (2.28-29), o poder do Espírito derrubaria barreiras sexistas (“filhos e filhas profetizarão”), derrubaria barreiras etárias (“jovens terão visões, velhos sonharão”), e derrubaria barreiras sociais/econômicas (“até sobre os servos e as servas” ou “servos e servas profetizarão” – At 2.18). Sim, o poder do Espírito é imprescindível para que a Igreja suplante barreiras raciais e culturais! E o maravilhoso batismo no Espírito Santo com a evidência do falar em línguas é uma demonstração de Deus do quanto o evangelho de Cristo é suprarracial, multiétnico e universal! A glossolalia, isto é, a linguagem inspirada e energizada pelo Espírito, que pode ser um idioma humano não aprendido ou um idioma espiritual/celestial, é ao mesmo tempo evidência do chamado profético da Igreja, bem como do chamado transcultural! Como disse Jesus, “…tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra”!

III. Filipe em Samaria e Simão, o mágico

1. Simão, o mágico

Sobre a atuação do diácono Filipe em Samaria, o texto bíblico nos informa:

“…lhes pregava a Cristo. E as multidões unanimemente prestavam atenção ao que Filipe dizia, porque ouviam e viam os sinais que ele fazia; pois que os espíritos imundos saíam de muitos que os tinham, clamando em alta voz; e muitos paralíticos e coxos eram curados. E havia grande alegria naquela cidade” (At 8.5-8)

Sobre os frutos desse trabalho missionário, o texto também nos informa:

“…quando Filipe lhes pregou as boas-novas do Reino de Deus e do nome de Jesus Cristo, creram nele e foram batizados, tanto homens como mulheres” (At 8.12, NVI)

Entre estes novos crentes de Samaria estava o mágico Simão, que anteriormente iludira os samaritanos com sua arte mágica, levando-os a pensarem que ele era a encarnação do poder de Deus, uma espécie de semidivindade. Não sabemos o quanto dos “milagres” de Simão foram truques e o quanto foram obras de ocultismo e feitiçaria, o fato é que não fora pelo poder de Deus que ele operara sua magia. Todavia, se algum poder maligno operava através de Simão, ele agora seria, a exemplo dos magos do faraó nos dias de Moisés ou dos profetas de Baal nos dias de Elias, confrontado com “o dedo de Deus” que operaria verdadeiros sinais e maravilhas através de Filipe, e, em seguida, de Pedro e João. Temos aqui, portanto, uma nova batalha espiritual: a batalha pela verdade!

O teólogo Craig Keener, ressalta:

Ao longo da história, e ainda hoje em muitas culturas, o povo é apresentado ao verdadeiro Deus por meio do que os missiólogos denominaram ‘confrontos de poder’: os incidentes em que o poder de Deus é revelado como maior que o daqueles que alegam ser seus rivais espirituais (anteriormente, cf., p. ex., Ex 7.10-12; 1Rs 18.28-39) [4]

2. A conversão de Simão

A despeito de muitos comentaristas bíblicos colocarem em dúvida a conversão de Simão, devido sua posterior oferta de dinheiro em troca de poder (At 8.18,19), não parece ser uma interpretação necessária desacreditar da autenticidade de sua fé inicial, ainda mais que o texto bíblico dá-nos sinal favorável quanto a isso:

a) Simão creu como os demais samaritanos: “creu até o próprio Simão”
b) Simão também passou pelo batismo: “sendo batizado”
c) Simão prosseguiu junto de Filipe: “ficou de contínuo com Filipe”
d) Simão abandonou as artes mágicas: o texto bíblico diz que “anteriormente exercera” (v. 9) e não que “continuava exercendo”

Orlando Boyer entende como genuína a conversão de Simão: “Não foi apenas o parecer de Filipe, mas é declaração das Escrituras que Simão creu. Deve-se, portanto, interpretar a narrativa dos vv. 18-24 na luz deste fato” [5]. Craig Keener parece seguir nesta mesma direção, ao sugerir que Simão tornou-se um apóstata ao invés de haver sido um falso convertido [6]. Em minha opinião, Simão fora um crente verdadeiro inicialmente, como a planta que nasceu entre pedregais era uma planta genuína, embora de pouca vida oprimida pelo sol e a falta de terreno (Mt 13.20,21); ou ainda mais como a semente que germinou entre espinhos, mas que logo foi sufocada e ficou infrutífera, devido “as preocupações deste mundo e a ilusão das riquezas” (Mt 13.22, NVI). Faltou-lhe, porém, aprender o discipulado e desenvolver o fruto do Espírito!

3. A repreensão do apóstolo Pedro

Com a chegada de Pedro e João no território samaritano para dar apoio ao trabalho de Filipe, uma nova efusão de poder ocorreu ali: “Então lhes impuseram as mãos, e receberam o Espírito Santo” (At 8.17). Já eram crentes, já eram salvos, já tinha o Espírito internamente – não há regeneração sem uma ação direta do Espírito Santo no interior (Jo 3.5) –, mas faltava-lhes o maravilhoso revestimento do poder do alto, tal qual fora derramado sobre os cento e vinte crentes em Jerusalém no dia de Pentecostes.

Simão, que havia crido, se batizado nas águas, deixado a magia e agora acompanhava Filipe por onde ele fosse, vendo tamanho poder sobrenatural sendo manifesto sobre os crentes samaritanos pela imposição de mãos dos apóstolos, deixou a tentação do poder e da fama voltar ao controle de seu coração. Teria Simão se impressionado com o falar em línguas? Muito provavelmente, embora não podemos ser dogmáticos nessa questão. Fato é que algo do poder de Deus lhe impressionou e ali o engano encontrou uma brecha em seu coração: “…lhes ofereceu dinheiro, dizendo: Dai-me também a mim esse poder, para que aquele sobre quem eu puser as mãos receba o Espírito Santo” (At 8.18,19).

Desta atitude leviana de Simão é que surgiu na idade medieval o uso da palavra simonia, que, segundo Champlin, é um termo que “indica a venda de ofícios e cargos eclesiásticos, ou a compra de privilégios, prestígio e ofícios religiosos, com o acompanhamento natural da negligência do exame que busca ver se o candidato está qualificado ou merece as posições assim obtidas” [7]. Há muitos falsos operadores de milagres mundo a fora fazendo simonia, negociando cargos na Igreja do Senhor ou comercializando bênçãos! E se engana quem pensa que a simonia é uma prática que se resume aos ambientes eclesiásticos; basta ver como se multiplicam os profetas das lives nas redes sociais, cobrando 10 reais de um, 20 reais de outro e 50 reais de outro sob o pretexto de “longas orações” (Mt 23.14) e de campanhas de jejuns e vitória! Inclusive, muitos jovens, analfabetos de Bíblia, inimigos da Escola Dominical, que encontraram nestas lives e nas falsas revelações um jeito fácil de ganhar a vida!

Pedro, porém, rejeitou a oferta do desviado Simão! Aquele que não tinha prata nem ouro (At 3.6), e que podia, se ganancioso, ver uma suposta “oferta missionária” nas mãos de Simão, viu na verdade uma oferta promíscua, uma tentativa descarada de querer barganhar com Deus! Pedro sabia que não se podia com palavras fingidas fazer negócio com as coisas de Deus (2Pe 2.3), então repreende Simão e ordena-lhe que se arrependa (At 8.20-23). Na batalha espiritual contra a ganância, o contentamento do evangelho deve sempre prevalecer! Na batalha espiritual contra a heresia, a verdade de Deus deve ser nosso estandarte! O que parecia ser uma oportunidade de lucro para Simão, fora encarado como laço de iniquidade por Pedro.

Agora, sobre esta batalha espiritual na qual Pedro foi de pronto um vencedor, é preciso atentar, como bem pontua Orlando Boyer, que “não somente os descrentes (…) mas são, também, muitos dos próprios crentes que fracassam quando têm de enfrentar essa tentação insidiosa” [8]. Como temos lidado com a oferta de dinheiro fácil? Como temos lidado com o poder do Espírito de Deus operando em nós? Aliás, esta é uma das mais ardilosas tentações de Satanás: quando não pode nos privar do poder, ele nos tenta para usarmos indevidamente este poder.

Satanás tentou Jesus para usar o poder de operação de maravilhas para benefício próprio – transforma estas pedras em pães – e, agora, Pedro, tentado a usar o poder do Espírito para também se beneficiar e angariar lucros; mas, assim como seu amado Senhor, Pedro disse não à tentação e repreendeu aquele que lhe buscava seduzir ao engano. A avareza que outrora dominou o coração do apóstolo traidor, Judas Iscariotes, não achou abrigo no coração do apóstolo Pedro!

Conclusão

Não só precisamos do poder do alto para vencer as hostes do mal, como precisamos saber usar este poder do alto para o que é correto e da maneira devida. Creio ser esta a grande lição do confronto de Simão Pedro com Simão, o ex-mágico. Como estamos lidando com os dons e talentos que Deus nos concedeu por empréstimo? Estamos usando para, gratuitamente, promover o nome de Cristo, a salvação dos pecadores, a edificação da igreja e a restauração dos feridos e oprimidos do diabo, ou estamos buscando escalar fama, poder e riquezas? No coração de alguns, esta luta é mais intensa que noutros. Tanto quem já lidou com muito dinheiro outrora, como Simão, ex-mágico, como quem não tem prata nem ouro, como Simão Pedro, podem incorrer na tentação pela comercialização das coisas de Deus. Temos dois “Simões” nessa Lição de hoje. Que Simão você prefere ser?

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Referências

[1] Esequias Soares. Batalha espiritual: o povo de Deus e a guerra contra as potestades do mal, CPAD, p. 125
[2] Dicionário Ilustrado da Bíblia, Vida Nova, p. 1292
[3] Op. cit., pp. 1292,3
[4] Craig Keener. Comentário histórico-cultural da Bíblia – Novo Testamento, Vida Nova, p. 407
[5] Orlando Boyer. Espada Cortante 2, CPAD, p. 467
[6] Craig Keener. Op. cit.
[7] R.N. Champlin. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia, vol. 6, Hagnos, p. 217
[8] Orlando Boyer. Op. cit.

Casado, bacharel em teologia (Livre), evangelista da igreja Assembleia de Deus em Campina Grande-PB, administrador da página EBD Inteligente no Facebook e autor de dois livros: A Mensagem da cruz: o amor que nos redimiu da ira (2016) e Biblifique-se: formando uma geração da Palavra (2018).

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