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Estudos Bíblicos

O “padrinho” de Paulo

“E andava com eles em Jerusalém, entrando e saindo”. (At. 9.28)

Cícero Araújo

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Apóstolo Paulo (James Faulkner). (Foto: Mark Cassar / Divulgação)
Apóstolo Paulo (James Faulkner). (Foto: Mark Cassar / Divulgação)
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Um estranho e noviço cristão chega a Jerusalém querendo reunir-se aos discípulos. De imediato, certo temor e desconfiança orbitam em seus pensamentos: “Agora este ‘terrível’ personagem seria mesmo um deles?”. Nenhum dos discípulos o queria receber. O mais novo cristão era aquele que, a poucos dias atrás, perseguia seus pares e causara tanto terror na comunidade cristã vigente.

Parecia até impossível que agora ele se declarasse cristão. Duvidavam de sua conversão e achavam que, talvez, isso seria uma estratégia para se infiltrar no seio da igreja a fim de destruir de vez toda a liderança apostólica e, consequentemente, causar o esfacelamento do então conhecido “caminho” (At 24.14).

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Apesar de tudo isso, a integração do novo membro foi aceita no círculo cristão de Jerusalém. Por unanimidade, o colegiado apostólico recebeu o novo membro, agora sem nenhuma restrição. Fato que nos causaria estranheza se não fosse por um detalhe: na ocasião, o estranho estava acompanhado por, nada mais nada menos, um dos mais distintos e proeminentes cristãos da época – José (At 4.36; 9.26,27).

Mui estimado e respeitado entre os apóstolos e toda comunidade cristã – de acordo com Clemente de Alexandria, foi um dos setenta discípulos enviados por Cristo (Lc 10.2-24) e R.N. Champlin o descreve como líder principal da comunidade helenista judeu-cristã – era também chamado de Barnabé, o “filho da consolação”. Homem cheio do Espírito Santo e de fé (At 11.243), detentor do dom do socorro consolatório e ofertante (At 4.36,37;11.27-30).

Exercia muita influência no meio apostólico, a ponto de apresentar Paulo aos apóstolos e estes o receberem naquela ocasião tão obscura e duvidosa; o que fez com que Paulo tivesse passe livre e vivesse “com eles em Jerusalém, entrando e saindo.” (At  9.27,28).

Não que Barnabé tenha feito de Paulo um apóstolo, foi Deus que o escolheu por vontade de Cristo, como o próprio Paulo sempre declarava (Gl 1.1); mas Barnabé exerceu um distinto papel, ingressando Paulo à comunidade cristã em Jerusalém, tornando-o conhecido, contribuindo posteriormente para o seu ingresso no ministério (At 11.25-30; 13.1-5). O fato é que Barnabé “tomando-o consigo, o trouxe aos apóstolos” e estes que, até então, “o temiam, não crendo que fosse discípulo”, o aceitaram; algo que só foi possível por essa interferência.

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Não devemos esquecer que o ingresso ao ministério pastoral não se deve apenas por influência, apadrinhamento dos mais nobres, por méritos de cargo de quem está na liderança (de uma igreja ou mesmo de uma convenção, por pioneirismo pastoral). Assim como Barnabé, atualmente, os líderes e pastores que estão em eminência convencional, sejam presidentes de campos, membros de diretoria ou “pai/sogro” influente, não podem ingressar novos membros no ministério apenas por mérito de sua própria posição.

Barnabé não usou a influência e a autoridade do cargo que tinha, não usurpou utilizando sua autoridade posicional em detrimento das prerrogativas espirituais do apóstolo Paulo para ingressá-lo no ministério. Antes, as expôs a todos, testemunhando “como no caminho ele vira ao Senhor, e este lhe falara, e como em Damasco falara ousadamente no nome de Jesus.” (At 9.27).

As credenciais de ministros são necessárias na igreja hodierna. Além dos requisitos intelectuais, teológicos e éticos, é preciso o aval de uma ou mais pessoas idôneas – um “Barnabé” que o ingresse no ministério. Barnabé foi, sem dúvida nenhuma, o agente espiritual que encaminhou Paulo aos apóstolos (o que muitos chamam de “apadrinhamento”) e, consequentemente, à igreja local.

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Nos dias atuais, é necessário que haja um “padrinho” que encaminhe novos talentos ministeriais ao serviço pastoral, apresentando-os a uma instituição convencional. Aliás, esta é uma prática da liderança: “ajudar outras pessoas a crescerem” (Billie Davis, 1983). Mas sempre levando em conta se o candidato ao ministério dispõe de credenciais ministeriais para que no futuro não seja um peso convencional.

Nós ministros devemos crescer no ministério e ajudar outras pessoas a crescerem. Foi assim com Barnabé em relação a Paulo e este, por sua vez, aprendeu a lição encaminhando outros: Timóteo (2Tm 2.2), Tito (Tt 1.5), etc. Sempre dentro das legalidades vigentes e em harmonia com o “colegiado apostólico”, observando as “credenciais espirituais”, o bom testemunho e a capacidade técnica para exercer o ministério pastoral.

Destaca-se ainda um detalhe importante que deve ser levado em consideração pelo agente espiritual que recebe o novo ministro para enviar ao campo – a Convenção local. Paulo só foi aceito devido suas credenciais espirituais, as quais incluíam, dentre outras coisas, a graça divina para o ministério e o reconhecimento por parte da “tríade presidencial apostólica”, fato identificado quando recebe autorização através das “destras da comunhão” – uma espécie de crivo convencional apostólico da época que o referendava ao serviço cristão.

Portanto, eles não foram insuflados pelo prestígio de Barnabé – o “padrinho” de Paulo – para ingressá-lo no ministério, mas, “conhecendo Tiago, Cefas e João, que eram considerados como as colunas, a graça que se me havia dado, deram-nos as destras, em comunhão comigo e com Barnabé, para que nós fôssemos aos gentios e eles, à circuncisão”, corrobora Paulo (Gl 2.9).


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Bacharel em Teologia pela FAETAD/GLOBAL UNIVERSITY. Licenciado em Biologia pela Universidade Estadual Vale do Acaraú-CE. Pós-graduando em Liderança e ADM. Eclesiástica. Pastor na Assembleia de Deus em Barroquinha-CE

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