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Opinião

O maior pobre é aquele que não cuida do pobre

“O que dá ao pobre não terá necessidade, mas o que esconde os seus olhos terá muitas maldições.” (Provérbios 28:27)

Maycson Rodrigues

em

Me converti a Cristo aos 5 anos.

Estava com os meus pais, sentado no banco da Primeira Igreja Batista de São Gonçalo (RJ) e ouvindo um sermão do saudoso pastor Mauro Israel Moreira, quando percebi que devia me entregar a Jesus e ser totalmente d’Ele.

Meu pai me contou que, num momento em que abriu os olhos para me ver no banco, percebeu a minha ausência. E, quando me viu no meio de umas vinte pessoas adultas e com as mãos levantadas, foi para lá e chorou copiosamente, numa emoção grata por ver a obra do Espírito Santo sobre o seu primeiro filho que não passava de uma criança.

A imagem dele chorando no altar nunca saiu da minha mente.

A conversão é um processo infindo no crente. Hoje mesmo preciso me converter a Cristo. Lutero disse que precisamos ouvir o evangelho todos os dias, porque todos os dias no desviamos dele, cometendo pecados.

Todos os dias precisamos nos arrepender dos nossos pecados e confessar que Jesus Cristo é o nosso Salvador, Libertador, Rei e Senhor, para sempre.

E a conversão de um cristão pode e deve ser vista pelos outros. É um sinal da graça presente e da presença viva e eficaz do próprio Deus no mundo.

Pois bem…

Deus tem movido o meu coração para refletir sobre a questão da pobreza extrema no mundo já a alguns meses. E em meio a toda esta discussão politizada de direita e esquerda, agregando a famosa expressão “luta de classes”, fora o dicotômico “certo ou errado” na política e a ideologia ideal pra viver, percebi que eu deveria buscar conhecer melhor a causa dos oprimidos e invisíveis sociais nas Escrituras, por onde pode-se encontrar todo o saber para a vida eterna.

Jesus Cristo disse:

“Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam;” (João 5:39).

O texto-base de Provérbios que citamos, nos fala do que há no coração de Deus com relação a causa do pobre. Diz que aquele que compartilha jamais tem falta, enquanto o indiferente acumula maldições.

Este texto fala comigo e contigo, diretamente. Não há como fugir de tal sentença.

Estou caminhando na leitura do livro “Contra Cultura”, de David Platt (Editora Vida Nova) e li algo muito interessante, pertinente a esta reflexão:

“O mandamento de Cristo, associado à profundidade da pobreza no mundo e à realidade da riqueza em nossa vida, tem enormes implicações para a forma de vivermos. Quando nossos olhos se abrirem para as condições do mundo à nossa volta, nossos ouvidos deverão estar abertos à pergunta que a Palavra de Deus nos faz: “Quem, pois, tiver bens no mundo e, vendo o seu irmão em necessidade, fechar-lhe o coração, como o amor de Deus pode permanecer nele?” (1Jo 3:17). Essa é claramente uma orientação específica aos seguidores de Cristo para que cuidem de outros cristãos necessitados(…). Todavia, o mandamento de Cristo em Lucas 10 para amarmos nosso próximo como a nós mesmos certamente não se limita ao pobre que crê, mas também ao que não crê. Esse amor ao próximo flui naturalmente de homens e mulheres que conhecem a Deus.”

Veja isso: homens e mulheres que conhecem a Deus, naturalmente se lançam no cuidado do pobre.

Percebeu? Não existe um cristão livre em Jesus que age ao outro na vida movido por um sentimento de culpa para ter e usar de misericórdia para com o que sofre, e sim a presença viva do Espírito Santo, movendo-o com graça, piedade e amor para servir o que mais precisa – e isso querendo fazer.

Não entra em voga aqui se o sujeito é “direita ou esquerda”, “reaça ou comuna”, PT ou PSDB (ou “Team Temer/Cunha”). O que vale é o senso próprio de missão e pertencimento ao Reino.

A pergunta é: o Reino está inerte ou em movimento?

Porque, a despeito de carecermos muito de ações públicas na política ou fora dela que promovam sim a justiça social, bem como a minimização da desigualdade na população, temos em Deus um chamado de amor ao próximo, onde Deus também é amado, além de ser amado n’Ele mesmo.

E a falha no cumprimento desta ordem divina implica na violação do nosso direito filial em Cristo.

Sim, estou dizendo que filhos de Deus cuidam dos pobres e que, quem não cuida, não se importa [muito menos se compadece] e não faz nada em benefício do fraco e do marginalizado, deve pôr em cheque a própria fé (estou pronto para as pedradas dos que não me compreenderão).

Encerro citando um texto célebre de Tiago. Haveria muito mais a dizer; porém, deixarei para outras oportunidades, pois creio que você me verá escrevendo mais sobre este tema. No entanto, creio também que uma reflexão para hoje nos foi trazida, pela graça de Deus.

Vejamos o texto que Tiago diz sobre as obras que não são a causa e sim o resultado da fé:

“Meus irmãos, que aproveita se alguém disser que tem fé, e não tiver as obras? Porventura a fé pode salvá-lo? E, SE O IRMÃO OU A IRMÃ ESTIVEREM NUS, E TIVEREM FALTA DE MANTIMENTO COTIDIANO, E ALGUM DE VÓS LHES DISSER: IDE EM PAZ, AQUENTAI-VOS, E FARTAI-VOS; E NÃO LHES DERDES AS COISAS NECESSÁRIAS PARA O CORPO, QUE PROVEITO VIRÁ DAÍ? Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma. Mas dirá alguém: Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me a tua fé sem as tuas obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras.” (Tiago 2:14-18 / ênfase minha)

Quando o líder da igreja em Jerusalém escreveu tais palavras sobre a relação do cristão e os seus frutos, utilizou do exemplo do cuidado ao necessitado para confrontar a possível não conversão dos leitores, caso estes não se importassem com os seus irmãos pobres.

Ninguém é salvo por causa de obra alguma que fez, faz ou pode fazer. Mas todo salvo é salvo para realizar boas obras. Veja, por último, o texto de Paulo aos Efésios:

“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie; porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus PARA AS BOAS OBRAS, as quais Deus preparou para que andássemos nelas.” (Efésios 2:8-10 / ênfase minha)

Existem coisas no Reino de Deus que não são propensas a um debate e sim a ações (mais potência serviçal e menos elucubração politizada).

Muitos são os que opinam, criticam e filosofam; poucos são os que se compadecem, cuidam e choram pelos que sofrem.

Veja quem você é neste escopo e defina o que realmente vai importar para ti nos próximos dias, meses e anos de sua existência.

“Quem não vive para servir, não serve para viver.”

Casado com Ana Talita, seminarista e colunista no site Gospel Prime. É pregador do evangelho, palestrante para família e casais, compositor, escritor, músico, serve no ministério dos adolescentes e dos homens da Betânia Igreja Batista (Sulacap - RJ) e no ministério paraeclesiástico chamado Entre Jovens. Em 2016, publicou um livro intitulado “Aos maridos: princípios do casamento para quem deseja ouvir”.

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