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Opinião

O governo Bolsonaro, o cristianismo e a imprensa

Frequentemente tenho a impressão de que a grande imprensa tem nojo dos cristãos, especialmente dos evangélicos.

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Jair Bolsonaro


Nunca houve no Brasil um governo tão declaradamente favorável aos valores cristãos do que o que ora se inicia. Eleito com apoio explícito do segmento evangélico, e com pautas muito caras a evangélicos e católicos, Jair Messias Bolsonaro, ele mesmo católico, é casado com uma evangélica da Igreja Batista Atitude, do Rio de Janeiro, que atua num ministério de surdos. Durante toda a campanha, Bolsonaro fez acenos importantes à cosmovisão e cultura cristãs, defendendo a instituição da Família, participando de orações, reconhecendo a herança cristã como algo positivo.

Tais demonstrações pró-Cristianismo redundaram na formação do ministério, como exemplifica a Sra. Damares Alves, ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, uma ativista contra o infanticídio indígena, a pedofilia e a ideologia de gênero. Quem acompanha um pouco as discussões político-sociais no meio cristão entende perfeitamente as preocupações e ênfases externadas pela ministra, assim como identifica no novo governo, de modo geral, sinais de um conservadorismo cristão.

O discurso do chanceler Ernesto Araújo, admirador do intelectual católico-conservador Olavo de Carvalho, não teve medo de defender contundentemente o valor da tradição cristã, além de denunciar o que chama de “teofobia”, ou seja, a rejeição a Deus, ao que é transcendente. Seu pronunciamento, mais do que uma ideia de Estado e relações internacionais, representa uma ideia de Pátria, Civilização, Sociedade, História, Tradição e Identidade.

Vale citar, ainda, a título de informação, que o ministro-chefe da Casa Civil, Onix Lorenzoni, é luterano, e que o Advogado-Geral da União, André Luiz de Almeida Mendonça, é pastor presbiteriano.

Tenho constatado a esperança e felicidade com que tantos cristãos vêm testemunhando os primeiros lances do governo Bolsonaro. Quero crer que o aspecto predominante desse contentamento esteja no fato de que agora chega ao poder um presidente que não é anticristão, e que se compromete a jogar fora todo o entulho autoritário e macabro que os petistas semearam durante o tenebroso período de seu desgoverno.

Será ruim se prosperar, no coração de alguns, qualquer sentimento provinciano, próximo do fanatismo ou adepto de cosmovisões próprias de certos arraiais “neopentecostais”, em que as instituições sócio-políticas são percebidas como espaços a serem ocupados pelas igrejas, não com o intuito de expandir o reino de Deus, mas de decretar que o Brasil foi tomado pelos evangélicos – não precisamos de uma ideologia de gueto, mas, sim, de reconhecimento dos pilares fundamentais da sociedade brasileira, aquilo que contribuiu para que esta nação se construísse, não podendo haver dúvida de que um desses pilares é a cultura cristã.

A cosmovisão cristã reformada preconiza que a Verdade é absoluta e abrangente, e isto significa que a Verdade se aplica a todas as áreas da vida (espiritual, social, política, econômica, científica, histórica, epistemológica, ideológica, nacional, cultural), sem dualismos ou fragmentações.

Nesse contexto, a imprensa merecerá atenção especial: alguns jornalistas ou intelectuais têm exibido um espetáculo dantesco, caçoando da ministra Damares Alves e sua experiência religiosa quando ainda era criança; chamando essa ministra de “excessivamente religiosa”; zombando do ministro Ernesto Aráujo por sua valorização da tradição cristã; fazendo pouco caso da primeira-dama, Michelle Bolsonaro, a ponto de certo colunista, recorrendo a uma dessas especialistas, publicar um texto para criticar a ênfase na Família, como se fora um “culto à personalidade”.

Por que a imprensa odeia o Cristianismo, especialmente em sua feição protestante-evangélica? Por que um homem público falar em Deus é errado? Por que a religião da maioria dos brasileiros é desprezada? Por que não consideram que o Cristianismo ultrapassa os limites da religião, perpassando as nossas instituições fundamentais e imaginário social, como nação forjada pela civilização judaico-cristã?

Frequentemente tenho a impressão de que a grande imprensa tem nojo dos cristãos, especialmente dos evangélicos. Eles não gostam de nós, o que, na realidade, deve ser motivo de regozijo, se lembrarmos da exortação apostólica em I Pe 4.14-16. Quem padece como cristão deve se sentir honrado, cuidando sempre para que as críticas não venham a ser justificadas por eventual conduta reprovável.

Alguns veículos nem escondem mais sua fúria, disparando textos em série contra valores que, mal sabem eles, constituem a argamassa de toda sociedade bem estruturada, que respeita os direitos humanos, a liberdade, a equidade, e solidariedade. Bastaria recordar que nações islâmicas não costumam conhecer o que é democracia.

O cenário exige que oremos cada vez mais pelo presidente e seus ministros, assim como por todas as autoridades constituídas, de acordo com o que o apóstolo Paulo nos orienta (cf. I Tm 2.2). Oremos também pelo Brasil, para que ele se curve diante do Deus Todo-poderoso, Rei dos reis e Senhor dos senhores, o Único que é digno de glória, majestade, honra e louvor, pelos séculos dos séculos.



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