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Opinião

Fuxico gospel

A intromissão no que não lhe diz respeito

Maycson Rodrigues

em

Fuxico Gospel. (Business photo created by peoplecreations - www.freepik.com)

O movimento evangélico é bastante estigmatizado na sociedade brasileira. Desde a bancada evangélica até os “telepastores”, somos marcados com algumas pechas, dentre elas a de retrógrados, alienados e fúteis num certo grau.

E me parece que alguns de nós não apenas não se incomodam com isso, como ainda dão margem para que tais rótulos recaiam sobre a Igreja – o que é muito injusto.

É injusto todo um movimento que carrega o nome de Cristo nos lábios e no peito ter de sofrer ataques desnecessários. Uma coisa é a perseguição religiosa – o sofrimento dos cristãos por viverem como Jesus viveu –; outra coisa é o escárnio público devido a algo que produzimos que milita contra nós mesmos.

Todos sabemos que, culturalmente, muitas irmãs são taxadas de “fazerem fofoca pelos corredores da Igreja”. Quando o alvo desta acusação é um “barbado trintão”, a coisa fica ainda mais lastimável. E tenho pra mim que uma mídia no estilo “gshow” para o mercado “gospel” não ajuda muito na manutenção de uma reputação do povo de Deus como um povo distinto deste mundo nos valores e na conduta.

Talvez você pense: “mas este site não se chama ‘gospel’ prime?”. É verdade. No entanto, há uma diferença entre um site que trata de notícias importantes como política e aquilo relacionado à fé cristã que tem acontecido no planeta e um site que literalmente faz fofoca e trata irmãos mais populares como “celebridades”, como se crente precisasse saber o que o Kleber Lucas faz ou deixa de fazer, ou alguém da família Valadão ou mesmo a Fernanda Brum.

A própria palavra “fuxico” significa intromissão no que não lhe diz respeito; bisbilhotice. Você e eu temos algo mais importante do que tomar conta da vida dos outros.

Até o momento, o artigo está se apresentando aparentemente como um ataque gratuito a outros veículos da imprensa evangélica; porém, é preciso deixar claro que não há prazer nem alegria alguma em redigir tais palavras. O ideal era que nem houvesse a necessidade de tratarmos de tal assunto.

Entretanto, a Igreja precisa olhar mais para dentro de si e menos para “lá fora”. Precisamos rever o que de fato nos move a trabalhar, servir e viver. Uma autocrítica pode ajustar o nosso coração para que ocupemos o nosso tempo tanto com a produção de conteúdos relevantes e edificantes para os irmãos quanto no consumo destes conteúdos.

Minha expectativa com esta abordagem é gerar no leitor uma reflexão não tanto sobre qualquer veículo que propaga fofocas do mundo gospel, mas, sim, com relação ao que realmente deve ocupar a nossa mente e coração em tempos complexos para o desafio missional do Corpo de Cristo.

Casado com Ana Talita, seminarista e colunista no site Gospel Prime. É pregador do evangelho, palestrante para família e casais, compositor, escritor, músico, serve no ministério dos adolescentes e dos homens da Betânia Igreja Batista (Sulacap - RJ) e no ministério paraeclesiástico chamado Entre Jovens. Em 2016, publicou um livro intitulado “Aos maridos: princípios do casamento para quem deseja ouvir”.

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