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Estudos Bíblicos

O ensino bíblico na igreja e na internet

O ensino bíblico é essencial para capacitar a igreja para a realização de suas atividades missionais.

Kleber Maia

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Bíblia. (Foto: Ben White / Unsplash)

A Bíblia é um meio da graça

“Meios da Graça”, segundo define Wiley (1990, p. 436), são “canais divinamente designados por Deus través dos quais as influências do Espírito Santo são comunicadas à alma humana”. São coisas específicas que Deus concedeu aos crentes para ajudá-los a desenvolverem sua salvação, fazerem as boas obras que Ele determinou e a crescerem na graça. Embora a expressão “meios da graça” não se encontre na Bíblia, é uma designação adequada para aquilo que está ali ensinado.

Grudem (1999, p. 801) define os meios da graça como “quaisquer atividades na comunhão da igreja que Deus usa para distribuir mais graça aos cristãos”, e lista como primeiro item na lista destes meios: o ensino da Palavra de Deus, ou seja, a exposição dos princípios revelados por Deus, conforme foram registrados na Bíblia Sagrada.

Há dois tipos de meios da graça: os particulares (palavra, oração) e os públicos (adoração, Ceia do Senhor, Batismo). Enquanto a teologia católica enxerga estes meios como “meios de salvação”, a teologia protestante os vê como sendo apenas meios de alcançar as bênçãos de Deus, pois a salvação é garantida pela obra de Cristo (GRUDEM, 1999, p. 802). Destaca-se que, em si mesmos, estes meios da graça são completamente ineficientes e só produzem resultados espirituais positivos mediante a eficaz operação do Espírito Santo.

A Palavra de Deus é um dos meios universais da graça, e é pela pregação que se administra a graça aos ouvintes. Wiley ressalta que a Bíblia deve ser pregada conforme a direção do Espírito Santo e buscando instruir os cristãos nas verdades do evangelho:

É importante que esta pregação seja em demonstração do Espírito e de poder (1 Co 2.4), porque à parte da operação do Espírito sobre os corações humanos a Palavra carece de poder. Deriva a sua eficácia como um meio da graça apenas quando se transforma em instrumento do Espírito. Para ser completamente efetiva, a Palavra deve ser pregada para a ‘doutrina’ ou instrução nas verdades do Evangelho; para a ‘repreensão’ de negligência ou fracasso; para a ‘correção de tendências errôneas’, e para a ‘educação’ na justiça ou na arte de viver santamente (2 Tm 3.16).” (WILEY, 1990, p. 436, 437).

A eficácia da Bíblia, de comunicar a graça de Deus, depende exclusivamente de que ela seja um instrumento do Espírito Santo. O livro em si mesmo não tem poder, seu poder deriva do Seu Autor e Instrutor, Deus.

O ensino da Bíblia é um meio de salvação.

A Bíblia é necessária para a salvação (GRUDEM, 1999, p. 78). Para que alguém possa ser salvo, ele “precisa ler a mensagem do evangelho por si mesmo, ou ouvi-la de outra pessoa” (idem).

A Bíblia reivindica para si mesma esta indicação de ser um meio para salvação para os homens, pois ela foi escrita para que a humanidade tenha a vida eterna (Jo 20.31). O apóstolo Paulo escreveu sem sua epístola dirigida aos cristãos de Roma que o evangelho é poder de Deus para salvação de todo aquele que crê (Rm 1.16).

Ele também afirma, em sua carta endereçada aos cristãos da cidade de Corinto, que Deus resolveu salvar os crentes pela loucura da pregação (1 Co 1.21), e na sua epístola enviada a Timóteo, que as sagradas letras podem tornar o homem sábio para a salvação (2Tm 3.15).

Também o apóstolo Pedro, dirigindo-se aos cristãos espalhados nas regiões do Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia, afirma que o crente é regenerado pela Palavra de Deus (1Pe 1.23). Tiago, o irmão de Jesus, em sua epístola universal, também contribui para fundamentar este ponto, pois assevera que fomos gerados pela verdade da Palavra (Tg 1.18).

A pregação do evangelho é um meio da graça de maior importância para alcançar os homens que estão perdidos (Rm 10.13-17; 1Co 1.17,18; Lc 24.47; At 1.8). Conforme observamos no livro histórico do Novo Testamento, Atos dos Apóstolos, o crescimento da igreja está diretamente ligado à proclamação do evangelho (At 6.7; 12.24; 13.49).

A salvação se dá unicamente pela fé em Jesus como Salvador (Ef 2.8,9), mas para crer em Cristo é preciso conhecer a verdade do evangelho, que se revela nas Sagradas Escrituras. Logo, a Bíblia é instrumento de Deus para a salvação. Não há rotas alternativas de salvação, à parte da revelação de Deus no evangelho. O carcereiro na cidade de Filipos foi sacudido pelo terremoto, mas alcançou a salvação por meio da pregação de Paulo, baseada no evangelho de Jesus (At 16.25-34).

Goheen (2014, p. 245) afirma que o propósito da pregação é “conduzir os ouvintes a um encontro face a face com Jesus Cristo e com todo o seu poder de salvação a fim de sermos equipados para a nossa missão abrangente no mundo”.

Como assevera Washer (2013, p. 19), “foi Deus quem designou a ‘loucura da pregação’ para ser o instrumento que leva a mensagem de salvação do evangelho ao mundo (1 Co 1.21)”.

Charles Hodge (apud GRUDEM, 1999, p. 804) afirma que, embora seja possível, geralmente não há indicação da influência salvadora do Espírito Santo em lugares onde se desconhece a Palavra de Deus e que “o cristianismo floresceu proporcionalmente ao grau de conhecimento da Bíblia, ao grau de difusão das suas verdades entre as pessoas”.

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Pastor assembleiano, casado com Dione e pai de Álvaro e Diana. Especialista em Teologia do Novo Testamento Aplicada pela Faculdade Teológica Batista do Paraná e Mestre em Teologia pelas Faculdades Batista do Paraná, com ênfase em Estudo e Ensino da Bíblia. Exerce o ministério pastoral desde 1999. É autor dos livros Doutrina Prática, A Bíblia e o Trabalho e Depravação Total, além de diversos artigos publicados em jornais e revistas.

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