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Opinião

O Deus que tudo vê

Que sejamos os mesmos dentro ou fora da igreja

Leandro Bueno

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Paisagem. (Photo by Davide Cantelli on Unsplash)

Hoje eu estava lendo uma notícia em um site jurídico, falando de um cidadão que prestou um testemunho em uma igreja, falando que devido à intervenção divina, ele deixou de ser um servente de pedreiro e tornou-se um empresário bem-sucedido e proprietário de carros de luxo. Ou seja, um destes testemunhos que vemos frequentemente em igrejas que adotam a famigerada Teologia da Prosperidade.

O que de inusitado foi noticiado é que este testemunho foi filmado e apresentado em um DVD, como prova em um processo judicial, onde esta pessoa foi apontada como sócio oculto de uma empresa que está em dívida na Justiça Trabalhista com o espólio de um ex-empregado. Ou seja, dá-se a entender que essa era a forma como a pessoa se valia para proteger seu patrimônio, escondendo-o de eventuais credores.

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Sem adentrar nas razões particulares do caso mencionado, e se efetivamente a notícia espelha 100% (cem por cento) a verdade, fato é que ao longo de minha vida como cristão tenho visto vários supostos cristãos que acabam se escondendo atrás da religião para não cumprirem com suas obrigações, quando não usam a relação próxima entre os irmãos da igreja, para dar uma de esperto, aproveitando-se de tal condição.

E os casos assim, desde minha conversão em 1990, foram se avolumando. É como se o mundo cristão no Brasil tivesse tido, de lá pra cá, um verdadeiro boom em termos numéricos de novos crentes, mas, sem a qualidade de pessoas comprometidas. Hoje, há várias igrejas, inclusive, que nem se fala de pecado. Cheguei a pertencer uma certa época da minha vida à uma igreja, cujos cultos pareciam mera sessão de psicanálise, razão pela qual não fiquei congregando lá.

Recordo-me também de um caso envolvendo um irmão da igreja, exímio tecladista, que passava dificuldades financeiras, mas, mesmo assim se dispôs a dar do seu tempo, para fazer uma gravação de uma artista gospel. Após o trabalho realizado com esmero, o “pagamento” dele pela gravação foi um lanche no McDonald’s, pois segundo a cantora, “tudo era pro Reino”. Ou seja, uma completa exploração, sendo que meu amigo, em face da grande timidez, acabou sem confrontar a artista por um pagamento minimamente justo pelo trabalho.

Coisas como as citadas vão totalmente contra o espírito do Evangelho, que nos diz em Mateus 5, 23-24, o seguinte: “Assim sendo, se trouxeres a tua oferta ao altar e te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa ali mesmo diante do altar a tua oferta, e primeiro vai reconciliar-te com teu irmão, e depois volta e apresenta a tua oferta”.

Ou seja, Jesus nos conclama à uma reconciliação completa, e não que sejamos aquele tipo de religioso que dentro da igreja é um verdadeiro santo, com procedimento irretocável, mas durante a semana, longe dos olhares das pessoas da igreja, leva uma vida onde se observa claramente que o Evangelho nunca chegou.

Neste sentido, temos que ter a plena consciência de que ainda que sejamos hipócritas e mesmo que as pessoas desconheçam essa nossa faceta, temos um Deus que tudo vê e é certo que a Bíblia nos diz claramente que um dia prestaremos contas de todas as nossas ações e pensamentos.

Concluindo, tal consciência do Julgamento Final não deve ser invocada para prestigiar um legalismo moralista, que nos afasta da Graça de Deus, mas, sim, para que não usemos a nossa liberdade divorciada dos princípios do Reino. É necessário que prestemos testemunhos de sermos nascidos de novo por onde quer que andemos.

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