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Opinião

O cristão e as aflições

Qual atitude um cristão deve ter diante das aflições?

Wallace Emerich Garcia

em

Menino chorando. (Photo by Kat J on Unsplash)

Nos dias de hoje tem sido notório um adoecimento coletivo da sociedade, não apenas as estatísticas, mas a realidade a nossa volta evidencia um aumento significativo no número de pessoas que sofre com problemas de saúde emocional e um enfraquecimento espiritual. São tempos de superficialidade, onde o foco está no ter, vender e possuir, deixando de lado a verdadeira essência, onde se perde o prazer de viver, a criatividade e a sustentabilidade nas relações sociais.

Quando chega o momento de aflição desencadeado por quaisquer que seja os fatores, como enfermidades, rejeição, perdas, injustiças, até mesmo tragédias de grande porte, algumas pessoas começam a se perguntar como Deus pôde permitir que tais coisas acontecessem e se questionam se ele realmente está no controle e a depressão se torna um caminho em que qualquer um pode vir a percorrer, mesmo os mais fieis ao Senhor.

Geralmente temos tendência a pensar na preservação do corpo, quando Deus pensa na preservação da alma. Sonhamos com bens materiais e tentamos fazer uma economia da dor, porém Deus usa a dor para trazer paz e nos ensinar o verdadeiro caminho de santidade. “Então, disse Jesus a seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me. Porquanto, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por minha causa achá-la-á. Pois que aproveitará o homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou que dará o homem em troca da sua alma?(Mateus 16: 24-26).

Deus não se limita a essa terra, sua visão é de eternidade. “Por isso, não desanimamos; pelo contrário, mesmo que o nosso homem exterior se corrompa, contudo, o nosso homem interior se renova de dia em dia. Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação,não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas.(2 Coríntios 4: 16-18)

Um cristão não está isento e imune as aflições próprias deste mundo. A bíblia é repleta de relatos que comprovam essa realidade. Muitos homens de Deus sentiram na pele a dor de ser afligido, tais como:

Elias um profeta de Deus viu sua fé testada e recebeu uma ameaça de morte da rainha Jezabel. Elias ficou desesperado e fugiu, no entanto o Senhor foi até ele para consola lo. “Ele mesmo, porém, se foi ao deserto, caminho de um dia, e veio, e se assentou debaixo de um zimbro; e pediu para si a morte e disse: Basta; toma agora, ó SENHOR, a minha alma, pois não sou melhor do que meus pais.”. “Ali, entrou numa caverna, onde passou a noite; e eis que lhe veio a palavra do SENHOR e lhe disse: Que fazes aqui, Elias?” (1 Reis 19:4,9).

homem integro e reto, temente a Deus. Viveu grande aflição, perdeu seus bens, seus filhos e até sua saúde. A palavra de Deus nos revela que Jó se sentiu tão afligido que lamentou o dia em que nasceu conforme pode ser visto em todo capitulo 3 do livro de Jó.

Davi um homem segundo o coração de Deus, passou por angústias e aflições. Seus salmos falam das mais íntimas crises que viveu em seu coração. “Inclina, SENHOR, os ouvidos e responde-me, pois estou aflito e necessitado.” (Salmos 86:1).

“Ó SENHOR, Deus da minha salvação, dia e noite clamo diante de ti. Chegue à tua presença a minha oração, inclina os ouvidos ao meu clamor. Pois a minha alma está farta de males, e a minha vida já se abeira da morte.” (Salmos 88:1-3).

Paulo foi humilhado, arrastado por uma multidão fora da cidade e foi apedrejado como se fosse um criminoso. Sobrevieram, porém, judeus de Antioquia e Icônio e, instigando as multidões e apedrejando a Paulo, arrastaram-no para fora da cidade, dando-o por morto.(Atos 14:19 ).

Com Jesus não foi diferente, o próprio Salvador viveu momentos de aflições. Ele tudo suportou por amor a nós. Nessa passagem de Mateus, conseguimos ver claramente a angústia de Cristo e seu exemplo de fidelidade ao Pai: Em seguida, foi Jesus com eles a um lugar chamado Getsêmani e disse a seus discípulos: Assentai-vos aqui, enquanto eu vou ali orar; e, levando consigo a Pedro e aos dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se. Então, lhes disse: A minha alma está profundamente triste até à morte; ficai aqui e vigiai comigo. Adiantando-se um pouco, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se possível, passe de mim este cálice! Todavia, não seja como eu quero, e sim como tu queres.”. (Mateus 26: 36-39)

Os cenários descritos acima é apenas uma amostra diante de toda a profundidade da história de vida de cada um deles. E o que mais chama a atenção, foi à atitude desses homens de não abandonar a fé, mesmo diante de tanta dor e aflição, pelo contrário, aproximaram-se de Deus, foram lapidados e alcançaram maturidade em meio às crises. Aprenderam a superar, a ultrapassar e vencer os momentos de aflições através de atitudes de fé e confiança em Deus. Como disse Paulo: “E não somente isto, mas também nos gloriamos nas próprias tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança; e a perseverança, experiência; e a experiência, esperança.” (Romanos 5:3-4)

Da mesma forma Pedro também nos ensina a reconhecer que mesmo em tribulação o Espírito de Deus repousa naqueles que verdadeiramente se entregam a Cristo, nos guiando a cada passo. “Amados, não estranheis o fogo ardente que surge no meio de vós, destinado a provar-vos, como se alguma coisa extraordinária vos estivesse acontecendo; pelo contrário, alegrai-vos na medida em que sois co-participantes dos sofrimentos de Cristo, para que também, na revelação de sua glória, vos alegreis exultando. Se, pelo nome de Cristo, sois injuriados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória e de Deus.” (1 Pedro 4:12-14)

As aflições não vêm para derrotar o cristão, por meio delas é possível tirar lições de maturidade e crescimento espiritual, além de nos levar a sermos mais dependentes de Deus. E para que não nos esqueçamos daquilo que Ele anteriormente já nos disse: Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. (João 15:5).

Por mais difícil que uma situação possa parecer, não temas! Deus está no controle.  Não to mandei eu? Sê forte e corajoso; não temas, nem te espantes, porque o SENHOR, teu Deus, é contigo por onde quer que andares.” (Josué 1:9).

É importante reconhecer que os pensamentos de Deus são diferentes dos nossos. Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos, diz o SENHOR, porque, assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos, mais altos do que os vossos pensamentos.(Isaías 55:8-9).

Deus nos ama, e não se esquece de nós. Acaso, pode uma mulher esquecer-se do filho que ainda mama, de sorte que não se compadeça do filho do seu ventre? Mas ainda que esta viesse a se esquecer dele, eu, todavia, não me esquecerei de ti.”. (Isaías 49:15)

Que possamos viver esse amor, firmados na maravilhosa palavra de esperança de Cristo Jesus: “Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim. No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo.” (João 16:33).

Presbiteriano, psicólogo clínico, pós-graduado em psicologia hospitalar e das organizações, contador, comentarista e moderador no Gospel Prime, casado com Rafaela Teixeira e pai de 3 crianças.

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