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Estudos Bíblicos

O coração paterno de Deus

“Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra; a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste.” Jo 17:20,21

Hélio Roberto

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Pai e filho. (Photo by Liane Metzler on Unsplash)

É comum ouvirmos ministrações sobre a Pessoa do Filho (Jesus Cristo) em nossas Igrejas. Não tão comum é ouvirmos mensagens que revelam a natureza da pessoa do Espírito Santo. Mais raras ainda são as mensagens que manifestam qual deve ser o nosso relacionamento com o Pai. Isso acaba por gerar uma série de consequências sobre a membresia da Igreja. É que, não obstante todo aquele que confesse o Senhor Jesus como Salvador seja salvo, há, ainda, questões que afligem a alma do povo de Deus que precisam ser definitivamente curadas.

Eu, particularmente (e eu só consegui perceber isso há pouco tempo) via muito a Deus como Senhor e pouco como Pai. É que, como tenho aprendido recentemente, toda criança cresce a partir de um modelo de imitação. Quantos filhos falam exatamente como os pais; desejam ter a mesma profissão do pai, afinal, o pai é o verdadeiro super-herói na vida dos filhos, ou ao menos deveria ser. No meu caso, não tive esse modelo. Meu pai saiu de casa quando eu tinha apenas 1 ano e meio. Minha mãe me contou posteriormente que quando ele foi embora, eu tive febre e cheguei a dormir abraçado com o chinelo dele (eu não me lembro desses fatos, dado a tenra idade).

Em função disso, pela ausência do modelo paterno na formação de minha identidade, depois de me converter não conseguia entender a profundidade da paternidade de Deus, conquanto repetisse que Deus é Pai. Pude perceber isso ao observar minhas orações, nas quais a palavra “Senhor” era bem frequente, enquanto o termo “Pai” era raríssimo!

Essa falta de referência paterna me resultou diversos problemas emocionais. Desde ansiedade a alguns medos e inseguranças estavam ligados à figura paterna, ou melhor, à sua ausência. Registro, porém, que minha mãe foi e é uma verdadeira gigante! Dentro de suas limitações, deu o seu melhor para criar seus 3 filhos. Como tive que “me virar sozinho” boa parte de minha vida, apeguei-me ao conhecimento como sinal de força e fundei minhas estruturas nessa característica. Isso fez de mim uma pessoa um tanto quanto arrogante, que odiava perder um debate e, por vezes, acabava por ser implacável e pouco tolerante com as pessoas.

Por outro lado, esse “conhecimento” passou a agir contra mim mesmo, já que o meu excesso de questionamentos sobre meu estado de alma acabava por me colocar em uma espiral de pensamentos que em muito me angustiavam e confundiam. Pude entender, na própria pele, o que Salomão quis dizer quando escreveu: “Confia no Senhor de todo o teu coração e não te estribes no teu próprio entendimento.” Pv 3:5

Embora eu já fosse salvo em Cristo Jesus, havia uma lacuna em minha alma, ligada diretamente à formação da minha identidade, que precisa ser tratada por Deus. Foi a partir desse cenário que o Senhor pegou em minha mão e me conduziu ao deserto da cura.

Quero deixar claro que Deus trata cada filho de forma individual e personalíssima, ou seja, o processo de cura de cada um é único, embora os princípios sejam os mesmos. Deus nos trata na medida certa do que precisamos ser tratados.

O primeiro passo pelo qual tive que passar foi o perdão. Antes de conhecer Jesus eu simplesmente não conseguia perdoar o meu pai. Após entender que mesmo sendo indesculpável diante de Deus pelos meus pecados Ele me havia perdoado, pude compreender a beleza do amor do Pai celestial e, então, compartilhar desse mesmo amor perdoador com meu pai terreno. Esse foi o 1º e importantíssimo passo para a restauração de minha alma. Hoje tenho um excelente relacionamento com o meu pai, e o amo com todo o meu coração!

Todavia, havia muitos pontos de minha identidade que tinham ficado doentes pela ausência paterna e que precisavam ser restaurados. Conquanto o relacionamento com o meu pai tenha sido reatado, eu não podia voltar no tempo de minha infância e inseri-lo lá, já que lá ele não estava. Assim, embora o perdão fosse indispensável, ele era apenas o 1º passo no processo de cura de minha alma.

Nesse bojo, o mais difícil para mim foi entregar o processo completamente nas mãos do Pai. Veja, como disse acima, minha grande “arma” sempre foi o conhecimento. O conhecimento te dá certo “controle” sobre algumas coisas, e esse pseudo controle supria, ou tentava suprir, em minha alma a falta da segurança advinda da figura paterna. Tive que me render, literalmente, diante do Pai e dizê-lo: “Entrego o controle em suas mãos! Conduza-me pelo processo que preciso passar, ainda que seja um vale, pois confio inteiramente que o Senhor é o meu Pai e me fará enxergar e viver o que preciso para ser completamente restaurado!”

Irmãos, como isso foi difícil para mim! Não que eu não confiasse em Deus, mas entregar o controle me trazia uma sensação de vulnerabilidade, e era justamente isso que o Pai queria tratar em minha alma, ou seja, que eu não precisava temer, afinal, o controle estava nas mãos Dele!

Nesse processo, o Pai tem me levado a conhecer as maravilhas de Seu coração!

Nos próximos artigos, continuarei compartilhando como a figura de Deus Pai pode suprir lacunas na alma geradas pela figura do pai paterno, trazendo alegria, felicidade, cura, e aquilo que mais buscamos: paz!

Não perca! Até o próximo artigo…

Casado com Hellen Sousa e pai da princesa Acsa Sousa. Servidor Público Federal, graduado em Teologia e em Gestão Pública. Diácono e Líder do Ministério de Acolhimento da Igreja Batista Cristã de Brasília. Professor e Superintendente da Escola Bíblica Dominical (Ministrando aulas sobre a Epístola aos Romanos) e amante da apologética." E-mail para contato e ministrações: [email protected]

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