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Estudos Bíblicos

O conhecimento de Deus e a vaidade humana

Quando olhamos os embates, pessoais ou virtuais, entre cristãos acerca de questões teológicas fica evidente que a maioria deles se assenta em alguma forma de vaidade intelectual

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Deus e as suas coisas estão para além da compreensão humana. Se não fosse a sua revelação na pessoa do Cristo e da Escritura Sagrada [que aponta para a salvação em Cristo], é provável que o homem estivesse limitado a apenas apreender a manifestação de Deus, através das maravilhas por Ele criadas, além da lei divina (leia-se ética transcendente) impressa na alma dos homens como resíduo do estado anterior à queda adâmica (imago Dei).

Quando olhamos os embates, pessoais ou virtuais, entre cristãos acerca de questões teológicas fica evidente que a maioria deles se assenta em alguma forma de vaidade intelectual, no desejo de que a sua crença particular esteja correta a qualquer custo. Em síntese: não é se a Palavra valida àquilo que penso, mas se a minha crença valida o conceito teológico em questão. Veja que, na expressão acima, o que penso sobre algum conceito ou sistema teológico vale mais do que a Palavra tem a dizer sobre ele.

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O que chama a atenção neste ponto é que todos que sustentam alguma posição de ordem teológica, sempre se arrogam fundamentados na Palavra. De certo modo isso é natural, mas nem sempre correto. Muitos encaram erroneamente a interpretação da Bíblia como se a mesma fosse um livro de gênero literário único; que a compreensão dos textos lidos segue alguma forma de sentido espiritual-alegórico prioritário em detrimento do sentido histórico-gramatical do texto.

Já no século III d.C., Orígenes, um dos importantes pais da igreja, defendia este tipo de interpretação que desembocava em perigosas aplicações das Escrituras na vida prática. Isso não quer dizer que na Bíblia não haja alegorias, até porque elas podem ser encontradas no próprio exercício gramatical intrínseco da língua, enquanto se lê uma porção bíblica.

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Por exemplo, no texto de Isaías 66.1:  “O céu é o meu trono, e a terra, o estrado dos meus pés […]”, depreende-se da simples leitura do texto que os termos trono e estrado são figuras de linguagem relacionadas com as outras palavras da frase para demonstrar a majestade e a grandiosidade de Deus. Neste caso, a interpretação alegórica é necessária, uma vez que os elementos textuais presentes levam, inequivocamente, a este tipo de interpretação. Caso contrário, os pés de Deus estariam apoiados em alguma parte do globo terrestre!

É claro que a Bíblia está em uma elevada e singular categoria dos escritos humanos por seu caráter espiritual. O cerne da mensagem de Deus aos homens foi entregue com intenções e objetivos claros que remontam à redenção da humanidade. Por outro lado, não se deve esquecer que Deus se utilizou de aspectos humanos como: cultura particular do autor bíblico; cultura da época e do lugar em que a mensagem se deu; intenção e destinatário do autor bíblico; estilo e gênero literários utilizados pelo autor, etc., para transmitir a sua mensagem de forma inteligível à humanidade. Como escreveu o Dr. Cassio Murilo Dias da Silva: “Palavra de Deus em palavras humanas”.

Isto posto, por mais que Deus tenha nos dado certa capacidade intelectiva (iluminada pelo Espírito) suficiente para apreendê-lo, os sistemas teológicos elaborados há séculos como Calvinismo, Arminianismo, etc., são apenas sistemas que derivam de entendimentos de homens acerca da Escritura (João Calvino = calvinismo / Jacó Arminio = arminianismo), com acertos e equívocos que dizem respeito à fé cristã. Entretanto, nos pontos centrais que dizem respeito a uma soteriologia (doutrina da salvação) genuinamente bíblica, ambos os teólogos citados possuem convergência.

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É inegável o contributo de grandes homens de Deus, do passado e do presente, para o melhor entendimento da fé cristã. Porém, nossa sede de compreender e aplicar corretamente o conhecimento de Deus, revelado nas Escrituras, deve vir sempre acompanhada do cuidado para não nos perdermos em nossas vaidades ao defender doutrinas de homens que acabem por obliterar as verdades do Evangelho.




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