Siga-nos!

Opinião

O bezerro de ouro e a relação de devoção com “moveres” espirituais

Um paralelo entre o povo do Egito e o anseio contemporâneo por entretenimento no culto 

Cláudio Santos

em

Bezerro de Ouro. (Foto: Pintura de Nicolas Poussin)

Em Êxodo 32.1-35, Moisés, líder do povo de Israel, tinha se retirado por um momento para o Monte Sinai com o objetivo de receber os mandamentos de Deus.

Assim, o povo se incomodou e tratou de pressionar Arão, vice-líder de Israel, para criar um objeto de adoração que, na perspetiva deles, os reconduziriam ao Egito e seria o “novo” deus deles.

Embora tiremos diversas lições deste episódio, o que chama a atenção é o fato deles terem produzido o seu próprio objeto de devoção e culto (Êx. 32.2-4), o bezerro de ouro. Mais chocante foi a disposição para prestar homenagem a este bezerro, pois no dia seguinte levantaram bem cedo, comeram, beberam e se divertiram (Êx 32.6).

A quem tem sido o nosso culto? Corremos um grande risco de achar que o fato de Deus não estar realizando coisas extraordinárias em determinado momento, devamos produzir este tipo de coisa. Nos afastamos dos meios de graça (oração, leitura da palavra, louvor bíblico, comunhão congregacional e outros), para produzir os nossos objetos de adoração.

É deste desejo que surgem os aproveitadores da fé que, ávidos por fama e dinheiro ajudam a fabricar “avivamentos”, “moveres” e “unções”. Estes “movimentos espirituais” se tornam o totem (objeto de devoção) dos evangélicos modernos, afinal não somos católicos e não podemos “venerar” imagens.

Outro ponto que chama atenção é o fato de o bezerro de ouro ser um entretenimento (eles estavam deslumbrados). Diante do objeto, comeram, beberam e se divertiram, de fato uma verdadeira festa! A questão é que o Senhor não estava participando. Arão foi pressionado e cedeu ao apelo de um povo que não suportava a sã doutrina e queria que as próprias vontades fossem atendidas. Esta mentalidade ainda é muito recorrente nos dias atuais e foi explicitamente alertada pelo apóstolo Paulo.

“Pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, reprove, repreendas, exortes com toda longanimidade e doutrina. Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, conforme as suas próprias concupiscências, amontoarão para si mestres, tendo comichão nos ouvidos; e desviarão os seus ouvidos da verdade, voltando às fábulas. Tu, porém, vigiai em todas as coisas; sofre as aflições, faze a obra de um evangelista.” – 2 Tm 4.2-5.

Muitos líderes, na dependência de não perderem a afinidade de seu povo, cedem aos mais variados pedidos para criarem ou aderirem a “algo atraente” e que traga “diversão”. Este comportamento não é novo, na realidade é o desafio de toda liderança comprometida com a verdade da fé.

Ao examinar a passagem em Êxodo, percebemos que eles se desviaram do caminho rapidamente (Êx. 32.8), sem hesitação. O que mostra a disponibilidade prévia deles em abandonar os santos mandamentos de Deus (Êx 32.9).

No fundo, eles não queriam uma nova vida, eles queriam voltar para Egito! As igrejas estão cheias de pessoas assim, saíram de suas religiões, misticismos, paganismo, mas estas coisas não saíram de dentro delas.

Assim, para elas, o culto não é culto se só tiver àquilo que a Palavra pede, é preciso de um “entretenimento espiritual”, um bezerro que não é de ouro e físico, mas é igualmente fabricado pelos homens, ainda que não seja material.

O final desta história foi desastroso. Os apelos de Moisés não foram suficientes para conter a ira de Deus sobre o povo. O motivo foi bem evidenciado em Êx 32.35, eles fizeram um objeto de adoração. Não podemos esquecer, glória somente a Deus! Ele mesmo disse:

“Eu sou o SENHOR. Este é meu nome e minha glória eu não darei a outro, nem meu louvor às imagens esculpidas.” – Isaías 42.8.

Cristão e jornalista.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE