Siga-nos!

Sociedade

“Nossa luta não pode acabar em nome da Bíblia”, diz feminista ao defender aborto

Jacqueline Pitanguy criticou a ministra Damares e sua posição contra o aborto por questões religiosas

em

Jacqueline Pitanguy. (Foto: Reprodução / Youtube)

A socióloga e cientista política Jacqueline Pitanguy acredita que o Brasil vive um retrocesso em relação a políticas públicas dedicadas aos direitos das mulheres.

Ao defender o aborto, ela criticou a ministra Damares Alves, da pasta da Mulher, que se colocou contrária ao aborto em qualquer circunstância. Como uma das pioneiras do feminismo no Brasil, ela critica as religiões e a pressão delas contra o aborto.

“O que me chama atenção é que a ocupante do cargo (de ministra) traz uma série de valores e crenças religiosas que não deveriam estar presentes no exercício de sua função. A ministra já disse publicamente que a mulher deve obedecer o homem no casamento, sendo que umas de nossas principais vitorias foi estabelecer a igualdade de direitos e responsabilidades no matrimônio”, disse ela em entrevista à revista Marie Claire.

Para ela é inconstitucional a posição da ministra Damares. “Além de inconstitucional, isso é extremamente preocupante porque está comprovado uma estreita ligação entre subalternidade da mulher com a violência doméstica. É triste”, afirmou Jacqueline.

“No momento que você institui uma crença religiosa dando parâmetros de políticas públicas é bem complicado. Vai contra todo o princípio básico da democracia que é pluralismo. Eu vejo com muita preocupação que uma dirigente de um órgão de direito da mulher se baseie em suas crenças religiosas. Isso poderá causar um possível retrocesso em leis seculares. Se uma mulher não quer fazer o aborto em nenhuma circunstância, ela tem todo o direito, se quer se submeter ao marido, é uma escolha dela. Mas não temos que criar estereótipos”, afirma.

A feminista, que é uma das fundadoras da Cepia (Cidadania, Estudo, Pesquisa, Informação e Ação), também declarou que os direitos das mulheres não pode acabar em nome da Bíblia.

“Tivemos um avanço tão importante que não podemos deixar nossa luta ir embora em nome da Bíblia, do evangelho, do alcorão e de qualquer religião. Lutamos para que todas as mulheres possam seguir seu caminho e fazer o que quiserem”, finalizou ela.

Publicidade