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Opinião

Nem tudo nessa vida tem de ser politizado

Não se mistura política com religião. E futebol com política?

Maycson Rodrigues

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Marta. (Foto: Reprodução / Twitter)

Já viu este argumento antigo do “não se mistura política com religião”? Toda vez na minha adolescência que havia uma discussão sobre religião com um amigo, eu ouvia que não podia discutir sobre isso. Lembro-me que, quando era criança, uns vascaínos da rua me fizeram chorar num debate sobre futebol (eu era flamenguista doente). E nas eleições de 2014, eu fiquei mal quisto por muita gente por causa dos debates infrutíferos e inflamados que provoquei no Facebook.

Logo, surge a pergunta: a gente deve falar sobre estes assuntos ou não?

Eu entendo que sim, porém com inteligência e sem deixar o coração falar mais alto. Todo debate apaixonado não serve para nada.

A questão é que, quando a gente mistura uma coisa com a outra, isso geralmente não dá muito certo.

Tornar o futebol ou a política numa religião é algo perigoso para a alma. Tornar a religião ou o futebol em política é abrir espaço para a corrupção e a distorção da essência da prática esportiva ou transcendental. Agora, tornar a religião e especialmente a política em futebol é simplesmente se descolar da realidade de uma maneira assustadora.

A comparação que alguns setores da imprensa esportiva fizeram entre a super jogadora brasileira Marta e o limitado (porém vitorioso) centroavante alemão Klose com relação ao recorde de gols em Copa do Mundo foi simplesmente ridícula. “Cada um no seu quadrado”, já dizia o poeta da música popular brasileira que desconheço o nome.

Foi bom ver a seleção jogar com bravura e amor à camisa – amor este que talvez os jogadores da seleção masculina já tenham perdido faz tempo – só que a gente precisa dizer que nem tudo nessa vida tem de ser politizado.

Que necessidade infantil de lacrar tem essa mídia tradicional!

Eu me orgulhei do que foi apresentado em campo, mas simplesmente ignorei boa parte dos discursos pós-jogo. Quando não era uma jogadora, era um jornalista – e isso é muito chato.

Torna-se necessário aos habitantes deste mundo evitar ao máximo politizar as coisas. O mundo é muito mais do que um ambiente de frases de efeito e reivindicações públicas sem sentido.

Não é para comparar o Ronaldo Fenômeno com a Marta, nem a Cristiane com o Cristiano Ronaldo. Estamos falando de modalidades distintas, com capacidades físicas e técnicas muito peculiares, fora a potencialidade de mercado que não pode [muito menos deve] ser colocada na balança.

Recentemente, correu na internet um vídeo da ex-lutadora e super campeã do UFC Ronda Rousey, onde a repórter a perguntou sobre a necessidade de equiparação de salário entre os campeões e as campeãs. A resposta dela foi didática:

“Creio que o quanto és paga deve estar relacionado com quanto dinheiro consegues atrair. Sou a lutadora mais bem paga não porque o Dana e o Lorenzo (presidente e dono do UFC à época) querem fazer algo bom para as garotas (…) eles o fazem porque trago a maior receita, porque lhes trago mais dinheiro. Então eu acho que o salário que elas ganham deve ser proporcional ao dinheiro que elas atraem.”

O que faz um esporte crescer é o interesse do público. O que atrai investimento são os resultados em campo. Se o estádio não enche, se a TV não investe na transmissão da partida e se a jogadora não vence os jogos decisivos, não tem jeito: o esporte não pagará mais.

Se você quer mais dinheiro, aumente sua potencialidade de mercado por meio do talento e da proporção de emoções e principalmente grandes triunfos dentro das quatro linhas. Nem o Estado nem o empresariado ou o povo vão pagar mais por algo não que os atrai efetivamente.

A jogadoras de futebol do Brasil precisam ouvir o apelo da craque Marta e se dedicar mais, treinar para aprimorar mais a técnica e a qualidade do jogo e buscar maiores resultados em campo no que tange a títulos para que isso aumente a visibilidade e a demanda de mercado.

Reclamar na TV ou tentar lacrar na internet não contribuirá em nada com o avanço da modalidade no país e nas grandes competições mundo afora.

Casado com Ana Talita, seminarista e colunista no site Gospel Prime. É pregador do evangelho, palestrante para família e casais, compositor, escritor, músico, serve no ministério dos adolescentes e dos homens da Betânia Igreja Batista (Sulacap - RJ) e no ministério paraeclesiástico chamado Entre Jovens. Em 2016, publicou um livro intitulado “Aos maridos: princípios do casamento para quem deseja ouvir”.

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