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Opinião

Não, o seu pecado não lhe afasta de Deus

“Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo;” (1 João 2.1 ARA)

Filippe de Souza

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Você não leu errado. E seu espanto é sintoma de algo desesperador que me motivou a escrever o presente texto: a maior parte dos cristãos brasileiros não sabem nada sobre a Graça.

Recentemente, o pastor calvinista Augustus Nicodemus fez declarações muito fortes sobre suicídio e salvação, as quais geraram reações inflamadas por toda a internet, inclusive aqui na Gospel Prime, por parte de colunistas e visitantes das páginas nas sessões de comentários.

Não quero entrar no mérito da questão sobre o suicídio, afinal não sou estudioso de nenhuma área biológica para poder explicitar o tema como demanda-se; apenas recomendo que você busque mais informações sobre depressão e suicídio antes de colocar com seus preceitos religiosos pessoais sobre depressivos e sobre familiares de depressivos ainda mais peso do que eles já carregam.

Mas a verdade é que notei uma total ausência de conhecimento sobre a doutrina da Graça através dos comentários sobre este episódio. A maior parte dos evangélicos brasileiros continuam aprisionados pelas amarras da religião, não conhecem a Graça libertadora.

Fazem para serem salvos, ao invés de fazerem porque são salvos; passam o dia comprando a salvação com suas atitudes, como se a salvação pudesse ser comprada; oram para morrerem dormindo, pois acreditam piamente que podem acordar salvos, e por causa de um deslize, perderem a salvação ao meio-dia, vindo a se arrepender somente às 13 horas, voltando assim a ser salvos, mas pecarem novamente ao final da tarde, garantindo passe para o inferno e somente alcançando novamente a salvação logo antes de dormir, ao dobrarem os joelhos e implorarem perdão. Uma insanidade, se me permitem o comentário.

O curioso é que pastores pentecostais acusam a doutrina da Graça de ser uma doutrina calvinista, para afastar suas ovelhas dela, quando na verdade todos os grandes teólogos protestantes concordam na salvação pela Graça. Armínio, Calvino e Lutero jamais discordaram nisso, e não há a menor razão para desqualificar a mensagem da Graça por ser calvinista, até porque não é. Inclusive, eu mesmo sou pentecostal arminiano e prego veementemente a doutrina da Graça. Se alguma doutrina deve ser rechaçada por sua fonte, essa é a doutrina da salvação por obras, que é uma doutrina pelagiana; pesquise sobre pelagianismo, o assunto é abrangente demais para ser tratado neste texto.

Os cristãos precisam urgentemente compreender que a salvação não está ligada ao que fazemos ou deixamos de fazer, mas sim ao que Cristo fez há 2000 anos atrás! Efésios 2.8-9 precisa desesperadamente ser cravado nos nossos corações: “Porque pela graça sois salvos, mediante e a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie.” (ARA)

Entenda: a salvação não vem de nós! Ninguém tem a capacidade de alcançar a salvação! Essa é uma verdade dura do Evangelho, que atropela o ego do religioso e despedaça todo mérito: um cristão exemplar merece a salvação tanto quanto Hitler. Não merece!

“Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças, como trapo de imundícia;” (Isaías 64.6a ARA)

Paulo reforça essa verdade para deixar claro que nós precisamos de um salvador, conforme Romanos 3.10-12: “como está escrito: Não há justo, nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer.” (ARA)

Somente em Cristo encontramos salvação. Não encontramos salvação ao sermos bons cristãos, ao deixarmos de pecar, ou qualquer ação que parta de nós. Encontramos a salvação ao entender que precisamos de Cristo! E o sangue dele, então, nos purifica, nos justifica e nos santifica (1 Coríntios 6.11), o seu sangue age em nossos pecados, nos limpando deles, e por isso nós somos salvos!

Conforme relato neste texto, o Pr. Chris Mendez confrontou meu legalismo, de forma que eu entendi o quanto eu desprezava o sacrifício da cruz com a seguinte frase: se o seu pecado te afasta de Deus, então o que Jesus fez não foi o suficiente. Amados, os nossos pecados já estão perdoados e lavados pelo sangue que verteu na cruz! Esse é um problema que Jesus já resolveu! Será que não foi o suficiente? Será que temos que completar o trabalho do Messias?

Romanos 5.20 reforça que onde abunda o pecado, superabunda a Graça! Acaso o pecado é maior do que a Graça? Então por que você continua achando que o pecado possui mais força do que a Graça, a ponto de te afastar de Deus? O que te afasta de Deus é a sua culpa, o seu remorso, a sua falta de entendimento de que Deus já te perdoou, que Ele te ama, e que Ele te ama e quer te abraçar, mesmo que você esteja em pecado!

E sabe o que é mais engraçado? O mesmo questionamento que você está fazendo neste momento, esbravejando contra a mensagem libertadora que estou apresentando, é o questionamento que os judeus fariseus faziam à mensagem dos apóstolos.

Não acredita? Pois bem, é muito provável que você esteja pensando o seguinte: “Que absurdo! Então podemos pecar à vontade?!”. Paulo responde: “Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que seja a graça mais abundante? De modo nenhum! Como viveremos ainda no pecado, nós os que para ele morremos?” (Romanos 6.1-2 ARA)

Paulo pregava a mensagem da Graça, da libertação do pecado. Uma mensagem que dizia que o pecado não tinha mais poder sobre o homem, pois Cristo morreu e nos limpou e nos purificou! Perceba que a Graça resolve o pecado em duas dimensões: primeiro ela tira o pecado da equação da salvação, pois nos purifica, nos justifica, e nos qualifica, para que sejamos salvos apenas mediante a fé, independentemente de obras, para que não haja vanglória humana; em segundo lugar, ela resolve o pecado em nós, visto que por nossas forças jamais poderíamos deixar de pecar! Não há vontade própria capaz de nos afastar do pecado, você não pode alcançar isso! A graça nos liberta e nos dá vontade para deixar de pecar, cada dia nessa caminhada nos fazendo parecer mais com Cristo, “porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade.” (Filipenses 2.13 ARA)

Queridos, escrevo esse texto com sentimento desesperado para que vocês entendam de uma vez por todas: parem de dar mais força e mais valor para o pecado do que para a obra de Cristo! É essencial entender isso na caminhada cristã, porque apesar de sermos salvos, nunca deixaremos de pecar (1 João 1.10)!

Não pequem. Fujam do pecado. Tornem-se cada dia mais parecidos com Cristo. É importante deixar isso claro. Mas pelo amor de Deus, não deixem o pecado exercer poder sobre vocês! Parem de dar numa bandeja de prata a Satanás a espiritualidade de vocês! Tudo que ele quer é que vocês acreditem por um segundo que o seu pecado tem mais poder que o sangue de Cristo, e por isso você não é salvo ou não é filho de Deus!

“Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo;” (1 João 2.1 ARA)

Mesmo que você peque, você é justo, porque Ele é justo, você é puro, porque Ele é puro, você é santo, porque ele é santo! Em Cristo, você é filho de Deus, salvo, não pelo que você faz, mas pelo sangue precioso de Cristo, que nos comprou, nos resgatou e nos santificou ao Pai! Isso é o que a Bíblia diz sobre você!

Eu oro para que Deus livre o país do legalismo farisaico que assola as igrejas brasileiras, para que as pessoas percebem que suas obras de justiça são trapos de imundícias perto da justiça de Deus, e que se voltem para a cruz, o único lugar de onde pode vir salvação. Somente pela graça. E que as obras venham como fruto, jamais como causa da salvação. Amém.

Pastor na Palavra Viva Church, advogado, formado em Direito pela UFSC e em Teologia livre pela Unigrace, onde hoje leciona. Escritor do livro "Que não reste Pedra sobre Graça" e proprietário do blog bibliosofando.

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