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Opinião

Não existe alma gêmea

Somos convidados pelo evangelho a entrar no casamento visando a busca da evolução real e não da perfeição ideal.

Maycson Rodrigues

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Se tem uma temática que denuncia o fracasso do pensamento e cosmovisão pós modernas neste mundo é a temática relacionada ao casamento. A busca exacerbada pela satisfação pessoal, pela imposição das liberdades individuais na cultura e na política e pelo romance apocalíptico tornaram a sociedade vigente numa expressão criacional violada pelo orgulho e pelo engano, o que faz multiplicar o número de divórcios e recasamentos e apaga dos corações e das vidas a benção da permanência.

Muitos não se dão conta de que, por falta de qualidade na relação matrimonial, suprime-se a quantidade de anos de união e multiplica-se as doenças emocionais, pois toda ruptura afeta a alma, independentemente do nível em que ela se dá.

As pessoas estão equivocadas por buscarem promover o “eu” e não o “nós” no casamento. Querem compatibilidade total de gostos para leitura, opiniões sobre política, maneira de pensar a respeito da vida, histórias, locais a visitar numa possível viagem e etc., por serem movidas por uma mentalidade que evoca a glória de si e empobrece a experiência comunitária que dialoga, troca, comunga, reparte.

Estão – pela avidez de uma busca desenfreada pela “alma gêmea” – sofrendo tombos assustadores na vida e quebrando em muitas partes as estruturas das próprias emoções, por se darem tanto a relacionamentos e não obterem o devido retorno em cada encontro.

O evangelho nos aponta para as improbabilidades que dão certo. Jesus confunde a mente tradicionalmente programada para estabelecer relações de causa e efeito invertendo os valores da moralidade que rege o nosso pensamento, fazendo-nos mudar a opção do “maior” pelo “menor”, do “sábio” pelo “louco”, do “ganho” pela “perda”, para assim encontrarmos a paz.

Enquanto o mundo todo está lutando por visibilidade, plenitude de satisfação sexual e aumento expressivo na conta bancária, o cristão bíblico e fiel está encontrando redenção na privacidade, na relação conjugal simples que prioriza dar a receber e no contentamento de trabalhar tendo o enriquecimento como o efeito e não a causa do trabalho. A gente se encontra em Cristo quanto se percebe na contramão da cultura pós moderna.

E, no casamento em especial, somos orientados por Cristo a não buscarmos o “par perfeito”, a “alma gêmea”, mas um amigo ou uma amiga que possa nos ajudar, primeiramente, a amar mais ainda o nosso Senhor. Somos convidados pelo evangelho a entrar no casamento visando a busca da evolução real e não da perfeição ideal. Somos movidos pelo Espírito Santo ao serviço matrimonial que gera o verdadeiro prazer – que é o prazer de amar desinteressadamente, sem esperar nada em troca.

Enquanto as pessoas se aprisionam nos relacionamentos de consumo com o fim em si mesmo, a gente ouve Jesus dizer que, no ato de darmos o pão ao faminto ou água ao sedento, ou até mesmo visitarmos um prisioneiro, estamos na verdade fazendo algo mais do que o bem; estamos nos encontrando e amando a Ele mesmo (Mateus 25:34-40).

Convido você a desistir de uma busca ensandecida por uma alma gêmea. Abra o coração para encontrar uma pessoa que, a despeito de não ser idêntica a você, possa te tornar num ser humano mais completo, mais santo, mais simples, mais gente, enfim… mais parecido com Jesus.

Casado com Ana Talita, seminarista e colunista no site Gospel Prime. É pregador do evangelho, palestrante para família e casais, compositor, escritor, músico, serve no ministério dos adolescentes e dos homens da Betânia Igreja Batista (Sulacap - RJ) e no ministério paraeclesiástico chamado Entre Jovens. Em 2016, publicou um livro intitulado “Aos maridos: princípios do casamento para quem deseja ouvir”.

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