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Política

Mudança de estratégia de candidatos evangélicos ajudou a eleger Bolsonaro, indica pesquisa

Levantamento também aponta crescimentos dos “evangélicos de esquerda”

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Jair Bolsonaro


Uma pesquisa do Instituto de Estudos da Religião (ISER), em parceria com a Fundação Heinrich Boll e com o Instituto Clima e Sociedade, avaliou as candidaturas religiosas nas eleições deste ano.

A pesquisadora Christina Vital da Cunha falou à Exame sobre as conclusões do estudo, que será lançado oficialmente no início de 2019. A principal delas foi o recuo das candidaturas confessionais evangélicas, em prol do fortalecimento do que a especialista chama de “ADE” – Aliados dos Evangélicos. A figura de maior destaque desse grupo é o presidente eleito Jair Bolsonaro.

Cunha acredita que “houve nesse pleito uma estratégia bem significativa tanto no executivo quanto no legislativo com relação à apresentação de candidaturas que tinham uma base religiosa importante, mas que não se apresentavam como candidatos confessionais [declaradamente evangélicos]”.

Ela lembra que houve “um crescimento das candidaturas confessionais em 8,2% em relação a deputados federais, mas foi um crescimento infinitamente menor do que a gente teve de 2010 para 2014, quando aconteceu um aumento de 40% dessa confessionalidade, quando tivemos a candidatura confessional à presidência da República com o Pastor Everaldo”.

Um dos diferencias de 2018 é a identificação dos partidos desses candidatos religiosos. “A gente teve o PRB e o PSC – o PRB vinculado à Igreja Universal e o PSC muito vinculado à Assembleia de Deus – propondo candidaturas, mas houve também um grande número de candidaturas religiosas no PSOL e no PSL. E no PSL eles reforçam essa estratégia de não confessionalidade”, avalia.

Falando sobre a campanha de Bolsonaro, a professora acredita que o fato de ele continuar se apresentando como católico não diminuiu a influência de lideranças evangélicas na campanha dele. “O Silas Malafaia apoiou a candidatura do Bolsonaro muito antes do Edir Macedo. O Malafaia tem uma relação religiosa significativa com a esposa do Bolsonaro. Ele se anunciou muito antes na campanha. O Edir Macedo fez um apoio mais estratégico para a Universal do que para o Bolsonaro, na verdade”, assegura.

Mudança no cenário

Bolsonaro consolida, assim, a força dos Aliados dos Evangélicos, que mostra uma identificação com as pautas defendidas pelo segmento embora o político não pertença a ele. Outro que se beneficiou disso foi o governador eleito do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC).

O pleito deste ano também sedimentou uma tendência de outros anos. A diminuição do chamado ‘voto de cajado’. “A gente acostumou a pensar nas lideranças conduzindo as “ovelhas”, que seriam os [fiéis] evangélicos, mas, nesse pleito, em muitos casos foi o contrário: no momento em que viram a adesão muito grande das suas bases à candidatura do Bolsonaro, as lideranças fizeram esse apoio. Edir Macedo agiu desse modo, assim como o RR Soares, da Igreja Internacional da Graça de Deus”, destaca Cunha.

Olhando para a composição da Câmara dos Deputados, a professora destaca que “quase 30% dos deputados federais eleitos pelo Rio de Janeiro são evangélicos… Ao todo, foram eleitos 72 parlamentares evangélicos em 2018, contra 70 em 2014”.

A pesquisadora do ISER também destaca que o país testemunhou um aumento das “representações progressistas evangélicas”, ligados a partidos de esquerda. Vários deles apoiaram a candidatura do Haddad, sobretudo no segundo turno.

“O fato de o PSOL ter tido muitas candidaturas religiosas também aponta para esses avanços dos evangélicos progressistas na política… eles tinham uma importante representação na igreja, e ela vinha crescendo, principalmente através de uma juventude evangélica muito presente nas redes sociais”, destaca. Ela cita como exemplo Mônica Francisco, pastora evangélica eleita deputada estadual pelo PSOL no RJ.

 



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