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Opinião

A modernidade e a espiritualidade

Desde o Iluminismo, o ser humano achou que poderia enterrar Deus, substituindo-o pela ciência, como se fossem incompatíveis entre si.

Leandro Bueno

em

Algo que eu tenho pensado muito ultimamente é como a modernidade tem impactado a espiritualidade das pessoas de uma forma extremamente perversa, deixando muitos perdidos e vazios.

Longe de ser um crítico da modernidade, até porque sou fã de tecnologia desde moleque, mas, não posso deixar de observar certos aspectos bastante incômodos, quando falamos de espiritualidade neste contexto.

Um primeiro aspecto se dá com as redes sociais, que mudaram abruptamente a forma como as pessoas se relacionam, e a internet em geral tem sido o meio para isso. O que me chama a atenção é como recebemos todos os dias uma quantidade imensa de informações e estímulos, que muitas vezes não temos nem tempo para respirar, decodificar, parar, pensar, refletir.

Nisso, a todo momento somos bombardeados com inúmeras VOZES e temos tido muita dificuldade de ouvir a VOZ DE DEUS neste turbilhão. A voz de Deus, muitas vezes, sentimos quando estamos no silêncio, no momento de uma oração no quarto, etc., e momentos assim têm sido cada vez mais raros na vida de muitos cristãos.

Não que Deus não esteja sempre ao nosso lado, mas, esta presença não é muitas vezes percebida por nós, em face destas angústias, pesos e pressões que as pessoas estão tendo que suportar em face de um mundo conectado 24 horas por dia e globalizado, quando não ficam adoecidas ou até desistem de viver.

Tudo passa a ser muito performático, rápido, instantâneo, e vai esmagando a gente por dentro, como uma bola de neve. É como diz a letra da música quando afirma que tudo que se vê não é igual ao que a gente viu há um segundo atrás. E isso nunca foi tão verdade como os frenéticos tempos atuais que vivemos.

Daqui a pouco, paramos e nem conseguimos mais nos reconhecer quem éramos ou o que somos, tal é a força das circunstâncias que vão nos levando. Ficamos DESFIGURADOS, sem saber nem reconhecer o que são nossos valores, de fato, e aquilo, que nos empurraram goela abaixo.

E o outro aspecto da modernidade que tem trazido muitas angústias para o coração das pessoas é paradoxalmente a própria tecnologia. Desde o Iluminismo, o ser humano achou que poderia enterrar Deus, substituindo-o pela ciência, como se fossem incompatíveis entre si.

Ocorre que com o desenvolvimento surpreendente da ciência, ela apesar de ter nos trazido o conforto que gerações passadas nem podiam imaginar possível, acabou por mostrar ainda de forma mais escancarada a nossa insignificância perante um universo gigantesco e a nossa ignorância acerca da realidade maior que nos rodeia e se apresenta a cada dia diante dos nossos perplexos olhos.

Neste sentido, é que eu costumo dizer que a ciência ela é ótima para explicar como um fenômeno ocorre no nosso mundo, as regras que se sucedem aparentemente imutáveis ao longo do tempo. Mas, o sentido maior do que está por trás desses fenômenos, só encontramos quando reconhecemos as mãos do Criador em tudo isso.

Exemplificando o que estou dizendo, a Biologia pode explicar como uma pessoa nasce, cresce, amadurece, envelhece e morre. Porém, não será a Biologia que nos dará uma resposta satisfatória do sentido da vida, do porquê estarmos neste mundo, já que a ciência por si não aplaca a fome de sentido existencial que o homem traz dentro de si.

Concluo meu texto, no sentido de que possamos estar de alguma forma enfrentando essas questões que levanto, tendo como alvo Cristo. Os tempos não estão fáceis, muitos clamam por Maranata, quase como um desespero de não aguentarem mais a situação atual, mas tenhamos bom ânimo e não esqueçamos que Ele está conosco até a consumação dos tempos. Assim, diz sua Palavra, em Mateus 28:20. Amém.

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