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Internacional

Meninas cristãs paquistanesas são traficadas para a China para se casarem

Famílias são enganadas e vendem suas filhas em troca de dinheiro

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Mahek Liaqat. (Foto: AP Photo/K.M. Chaudary)

Ativistas denunciam que há centenas de meninas cristãs paquistanesas sendo enviadas para a China para se casarem. Segundo informações dadas à agência Associated Press, negociadores estariam indo em famílias pobres cristãs oferecendo dinheiro para levar as meninas.

Uma delas foi Muqadas Ashraf, 16 anos, que foi levada para casar com um chinês. Cinco meses depois, ela foi devolvida ao seus pais, grávida e denunciando um relacionamento abusivo.

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Desde o final de 2018, muitas meninas foram aliciadas e traficadas para a China, a denúncia diz que até mesmo os líderes religiosos estariam recebendo dinheiro por indicar meninas de famílias pobres para serem enviadas para se casarem com chineses.

Os pais se deixam enganar com a promessa de que receberão vários milhares de dólares e de que os noivos são ricos cristãos recém-convertidos. Quando chegam lá, as meninas descobrem que os noivos não são nada disso.

Muitas das meninas denunciam que são levadas para regiões rurais remotas e se tornam vulneráveis a abusos, sendo incapazes de se comunicar com outros chineses, precisando de um aplicativo de tradução para pedirem até mesmo um copo de água.

“Isso é contrabando humano”, disse Ijaz Alam Augustine, ministra dos direitos humanos e das minorias na província de Punjab, Paquistão, em entrevista à AP. “A ganância é realmente responsável por esses casamentos … Eu encontrei algumas dessas meninas e elas são muito pobres”.

Ela acusa o governo chinês e sua embaixada no Paquistão de fechar os olhos para a prática, pois não estão questionando a quantidade de vistos e documentos que são apresentados para consolidar essas transações. O Ministério de Relações Exteriores da China nega que tenha negligenciado os casos, dizendo que tem tolerância zero para agências ilegais de casamento transnacional.

A Human Rights Watch pediu à China e ao Paquistão que tomem medidas para acabar com o tráfico de noiva, alertando em uma declaração de 26 de abril de que “crescentes evidências de que mulheres e meninas paquistanesas correm risco de escravidão sexual na China”.

Na segunda-feira, a Agência Federal de Investigação do Paquistão prendeu oito cidadãos chineses e quatro paquistaneses em incursões na província de Punjab em conexão com o tráfico, informou a Geo TV. Ele disse que os ataques seguiram uma operação secreta que incluiu a participação em um casamento arranjado.

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