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Opinião

MBL e a velha política

O povo não gosta de gente que boicota o país por causa dos próprios interesses.

Maycson Rodrigues

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MBL. (Foto: Divulgação)

Um dos líderes do Movimento Brasil Livre (o “MBL”), o deputado Kim Kataguiri se filiou ao partido Democratas (DEM) para as eleições de 2018. O mesmo fez Arthur do Val, o “Mamãe Falei”. Até aí, tudo bem, pois qualquer cidadão só se elege a um cargo público nesta democracia filiando-se a um partido político.

Só que o tal do DEM é do Rodrigo Maia, que é bastante poderoso e influente no partido. Logo, esses expoentes das mídias sociais que encabeçam a “cara” do Movimento na mídia e no parlamento acabam por se mostrarem limitados quando o caldo engrossa mais no Congresso.

O DEM é a cara do Centrão. E o Centrão é a cara do que há de pior na política atual. A esquerda já foi desmascarada quando usou da pauta das políticas identitárias para ganhar as eleições e sucumbiu de lavada. O PSDB tentou surfar na onda anti-bolsonarista e ficou no caminho. Marina Silva saiu de cima do muro tardiamente e ficou atrás do Cabo Daciolo. Agora, é preciso olhar para dentro do parlamento e ver quem ocupa majoritariamente aquele lugar e que tem poder para atravancar os avanços do governo eleito.

Não sou ingênuo. Sei das caneladas do presidente e das posturas inadequadas de seus filhos. Um deles ainda tem muita coisa a explicar ao seu eleitor, ao público em geral e principalmente à Justiça. Agora, o que está acontecendo aqui é evidente: querem impedir o Bolsonaro de governar o Brasil.

Se a Reforma passa, a economia dá um salto que vai além de um respiro. Simplesmente retomaremos o crescimento e o número de desempregados cairá significativamente.

Se o Pacote Anticrime passar, o país vai deixar o bandido mais tempo na cadeia, combater mais veementemente o poder paralelo e vai alcançar muito burocrata que ainda tem mandato, pegando seus comparsas ou mesmo atingindo-os de forma mais direta e eficaz pelas vias da Lei.

A MP 870 visa manter o número de ministérios como está, até porque não há verba para que tenhamos quase 30 ministérios, como foram nos anos de Lula, Dilma e Temer.

E olha que interessante? O Centrão é contra todas estas pautas!

Mais: o MBL decidiu não apoiar as manifestações do dia 26.

Apesar de muitos deles apoiarem a legalização das drogas e o aborto, o pessoal do MBL (que em breve se tornará um partido político) se alinha aos cristãos nas pautas econômicas. Creem num Estado menos inchado, no livre mercado e em políticas que aumentem a proeminência do cidadão e tirem das mãos dos amantes de privilégios o poder para decidir o futuro da nossa economia.

Entretanto, essa galera me parece estar muito mais alinhada aos interesses políticos do DEM e de seus amiguinhos (PSDB, MDB e outros que compõem o Centrão) do que do povo brasileiro.

Será que eles pensam mesmo que todo mundo é idiota útil? Que todo mundo que votou no Bolsonaro concorda cegamente com tudo o que ele diz e faz? Que a gente agora vai defender e profetizar em favor do presidente mesmo quando ele esteja agindo de maneira equivocada?

Não somos irresponsáveis como vocês estão demonstrando ser. Estamos indo às ruas no dia 26 pela República e pelo avanço das pautas mais importantes deste ano! Queremos um país mais livre e próspero, e não contamos com o Centrão para isso. Eles já demonstraram o interesse deles que é o poder pelo poder, assim como foi com o PT.

Há uma diferença clara entre o povo ir às ruas pelo Presidente e o povo ir às ruas em favor dos projetos do Governo que nós esperávamos que fossem desenvolvidos e apresentados na Câmara. Não queremos o fechamento do Congresso nem intervenção militar. Os pouquíssimos que querem estão sendo usados por vocês como álibi para que não participem de um ato que pode sim fortalecer Bolsonaro, mas isso de forma indireta.

Bolsonaro e sua base política precisam sim tentar acordos políticos com o Centrão e a esquerda, pois no fim das contas todos votam. Agora, se é para fatiar “à francesa” a Reforma da Previdência ou se é para comprar político, acho que vocês deveriam ser os primeiros a mobilizar a população contra esta velha política nas ruas.

Mas será que vocês não são mesmo parte da velha política que se disfarça de nova? Uma nova direita que senta na roda do PSDB e não se sente fora do ambiente? Começo e desconfiar de vocês, MBL.

Vocês querem a Presidência da República? Trabalhem para isso e busquem a vitória nas urnas em 2022! Agora, já preciso adiantar a vocês: o povo não gosta de gente que boicota o país por causa dos próprios interesses.

Casado com Ana Talita, seminarista e colunista no site Gospel Prime. É pregador do evangelho, palestrante para família e casais, compositor, escritor, músico, serve no ministério dos adolescentes e dos homens da Betânia Igreja Batista (Sulacap - RJ) e no ministério paraeclesiástico chamado Entre Jovens. Em 2016, publicou um livro intitulado “Aos maridos: princípios do casamento para quem deseja ouvir”.

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