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Opinião

Mais vale uma ortopraxia viva do que uma ortodoxia morta

Ou são totalmente ortodoxos e vazios de frutos, ou são totalmente práticos, mas rasos no conteúdo teológico.

Maycson Rodrigues

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Bíblia. (Photo by Aaron Burden on Unsplash)

Criticar um pastor coach é legal. Falar de erros doutrinários e até de heresias de alguns apóstolos e pastores tem o seu espaço na práxis cristã.

Há um preço para quem deseja ser bíblico; no entanto, penso que alguns cristãos não dosam bem o tempo curto que possuem e acabam se tornando reducionistas no que tange a ética protestante.

Entre o ‘saber’ e o ‘fazer’ temos de buscar um caminho sadio que promova o bem comum sem deixar de nos pautarmos nas verdades da revelação escriturística. Sair do cânon é um erro vital; ficar somente no cânon e não provar a própria teologia pela prática dela é um pecado, a meu ver.

Apesar do título deste artigo, não penso que a prática substitui a doutrina, ou vice-versa. Para mim, uma coisa embasa a outra. Se eu tenho boa doutrina, a maneira de demonstrar essa realidade é pela prática de tais ensinos. E se eu tenho uma boa práxis cristã, a maneira de demonstrar isso é pela fundamentação bíblica daquilo que faço.

Muitos cristãos se orgulham de evangelizar ou liderar grupos de discipulado. A pergunta é: como a Escritura te move a pregar o evangelho e fazer discípulos?

Há cristãos que vencem debates centenários no Facebook. Contudo, uma pergunta surge: no quê essa teologia dita bíblica vivifica alguém?

Temos irmãos que estão polarizados não apenas politicamente, mas na própria espiritualidade. Ou são totalmente ortodoxos e vazios de frutos, ou são totalmente práticos, mas rasos no conteúdo teológico.

Pior do que não evangelizar é evangelizar mal. Porém, há o ideal do Espírito Santo: evangelizar e fazê-lo com a base bíblica correta, que poderá conduzir o pecador ao seu Salvador.

Pior do que não servir ao próximo é servir ao próximo pela motivação errada. Entretanto, o Espírito de Deus sopra em Sua Palavra:

“Quando, pois, você der esmola (troca essa palavra por “servir ao próximo”), não fique tocando trombeta nas sinagogas e nas ruas, como fazem os hipócritas, para serem elogiados pelos outros. Em verdade lhes digo que eles já receberam a sua recompensa. Mas, ao dar esmola (ou, “servir ao próximo”), que a sua mão esquerda ignore o que a mão direita está fazendo, para que a sua esmola (ou, o seu “serviço ao próximo”) fique em secreto. E o seu Pai, que vê em secreto, lhe dará a recompensa.” (Mateus 6.2-4)

Ou seja, a vida cristã só é viabilizada pelo equilíbrio entre doutrina e prática. É para ser 100% um e 100% outro; nem mais nem menos.

Sendo que eu tendo a pensar que o que se esforça pela prática, apesar de alguns ou muitos equívocos teológicos, está mais bem posicionado no quesito “maturidade cristã” do que aquele que vive de teorizações e debates exaustivos, principalmente na internet.

Nem Lutero ou Calvino gastaram tanto tempo com debates como alguns cristãos contemporâneos. Os pais da igreja gastaram sua vida no esforço de espalhar o evangelho, traduzir a Escritura, produzir boa teologia sistemática, mas também em pastorear o rebanho de Deus, orar pela conversão dos incrédulos, influenciarem na construção de universidades, creches, hospitais e até mesmo se envolverem com política.

É óbvio que não dá para fazer tudo e que temos prioridades na dinâmica da práxis cristã, no entanto, é factual que os cristãos precisam se ocupar mais com as demandas do Reino de Deus do que com as batalhas que giram em torno do próprio umbigo.

Oro para que tenhamos um avivamento na igreja que mude o coração dos irmãos e irmãs, a fim de que retornem à Escritura e ao Evangelho, mas que este retorno os faça sair da internet e levar as boas novas [ou ser as mesmas] para alguém.

 

Casado com Ana Talita, seminarista e colunista no site Gospel Prime. É pregador do evangelho, palestrante para família e casais, compositor, escritor, músico, serve no ministério dos adolescentes e dos homens da Betânia Igreja Batista (Sulacap - RJ) e no ministério paraeclesiástico chamado Entre Jovens. Em 2016, publicou um livro intitulado “Aos maridos: princípios do casamento para quem deseja ouvir”.

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