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Sociedade

“Não fui sequestrada, eu fui salva”, diz filha adotiva de Damares, desmentindo a Época

Reportagem de revista do Grupo Globo nunca ouviu a versão da jovem

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A revista Época, do grupo Globo, desta semana trouxe na reportagem de capa um relato sobre Lulu Kamayurá, filha adotiva da ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves.

Contudo, o semanário não ouviu a jovem, apresentando uma versão dos fato que agora foi questionada pelo personagem principal da matéria. “Não fui sequestrada, eu fui salva”, afirmou a menina em uma entrevista ao canal do Youtube “Agora É”. Ela desmente a reportagem da Época e a versão que teria sido sequestrada.

Lulu nasceu na aldeia indígena Kamayurá, no Parque do Xingu, no Mato Grosso, mas foi morar com Damares aos seis anos. No vídeo, ela conta que estava muito desnutrida e precisava que alguém a ajudasse a sobreviver. Também mostrou indignação pelo fato de a revista ter exposto sua vida sem que ela tenha sido consultada.

A avó paterna de Lulu, Tanumakaru, deu uma entrevista à revista onde diz que a menina havia sido levada sem o consentimento da família. Sua versão é que a menina teria sido retirada da aldeia por missionários para fazer um tratamento dentário e nunca mais voltou.

Márcia Suzuki, missionária da JOCUM e amiga de Damares, foi a pessoa que retirou Lulu da aldeia. A versão delas é que o povo cometia infanticídio, enterrando vivas crianças “indesejadas”. Foi a missionária quem apresentou Lulu a Damares em Brasília.

“Foi amor à primeira vista, o resto é tudo mentira”, já havia explicado Lulu em entrevista. Ao longos dos anos, a ministra apresentou Lulu como sua filha adotiva, apesar de a adoção nunca ter sido formalizada. Há 16 anos que Damares trabalha com populações indígenas.

Ajudou a fundar da ONG Atini – Voz Pela Vida, cuja missão de “promover a conscientização e a sensibilização da sociedade sobre a questão do infanticídio de crianças indígenas”, porém desligou-se da organização anos atrás.

Damares Alves também é tida como uma das idealizadoras do projeto de lei da Câmara dos Deputados que propõe o “combate a práticas tradicionais nocivas e à proteção dos direitos fundamentais de crianças indígenas.

Nota de desmentido

“Lulu não foi arrancada dos braços dos familiares. Ela saiu com total anuência de todos e acompanhada de tios, primos e irmãos para tratamento ortodôntico, de processo de desnutrição e desidratação. Também veio a Brasília estudar”, garantiu Damares em nota oficial.

A nota diz também que “Damares é uma cuidadora de Lulu e a considera uma filha”, pois os trâmites para a adoção legal não foram feitos. “Como não se trata de um processo de adoção, e sim um vínculo socioafetivo, os requisitos citados pela reportagem não se aplicam. Ela nunca deixou de conviver com os parentes, que ainda moram em Brasília.”

Damares também contesta a informação de que Lulu não voltou mais à aldeia. “Ela deixou o local com a família e jamais perdeu o contato com seus parentes biológicos.” Inclusive, pais, tios e irmãos de Lulu a visitam com frequência.

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