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Estudos Bíblicos

Uma salvação grandiosa

Subsídio para a Escola Bíblica Dominical da Lição 2 do trimestre sobre “A supremacia de Cristo”

Tiago Rosas

em

Cruz em uma montanha. (Foto: Thanti Nguyen / Unsplash)

III. UMA SALVAÇÃO EFICAZ

  • Cristo, digno de ser nosso Mediador pelo sofrimento que experimentou

O texto de Hebreus 2.10 diz que “convinha que Deus… tornasse perfeito, mediante o sofrimento, o autor da salvação”. Isso de modo algum significa que Cristo fosse moralmente imperfeito antes da cruz, antes, como bem pontua o professor Lawrence Richards, “A cruz aperfeiçoou Cristo, no sentido de qualifica-lo plenamente para servir como o Salvador da humanidade – uma obra que Ele não poderia ter realizado sem seu sofrimento e morte” (7). Portanto, o Filho era digno de encarnar, e, tendo vivido em perfeita santidade, era digno de morrer em nosso lugar (Ap 5.5); mas ele não seria digno de oferecer mediação em nosso favor se não fosse pelo “sangue da nova aliança” (Mt 26.28; Hb 12.24), que ele ofereceu pela nossa reconciliação com Deus.

Noutras palavras, não é por um decreto que Deus faz filhos dentre os homens pecadores, mas pelo sangue santificador de Cristo, sem o qual ele não podia ser “consagrado” (outra tradução para “aperfeiçoado”) como o autor da nossa salvação! O próprio Jesus declarou a necessidade de sua morte quando disse: “Na verdade, na verdade vos digo que, se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto” (Jo 12.24). Pela morte, Cristo não só se qualificou para ser nosso Mediador, como também nos qualificou para sermos filhos de Deus e garantir-nos entrada nas mansões celestes. Convinha que ele padecesse todas aquelas coisas e entrasse em sua glória, para que após ele, nós também entrássemos lá! (Lc 24.26). Neste sentido, ele é o nosso Príncipe, Autor ou Pioneiro da salvação (traduções possíveis para archegon, termo grego em Hb 2.10; conf. 12.2: “autor e consumador da nossa fé”). Segundo David Peterson, “o autor também quer ressaltar que Jesus é em alguns aspectos o líder que agiu como alguém que desbravou a trilha, abrindo o caminho para que outros seguissem” (8). Por isso, ele disse: “Vou para o Pai, mas voltarei e vos levarei” (Jo 14).

  • A vitória sobre a morte e o diabo

Longe de ser sua derrota, a morte na cruz foi a sua vitória, já que por ela Jesus ganharia muitos filhos para Deus! Como ele mesmo predisse, sua morte rendeu muitos frutos. Inclusive você e eu! Por isso, consciente da proximidade de sua morte, ele não diz: “é chegada a hora de minha morte” ou “de minha derrota”, mas “É chegada a hora em que o Filho do homem há de ser glorificado” (Jo 12.23). O autor da carta aos Hebreus diz que “por ter sofrido a morte” Jesus foi coroado de honra e glória. Agora entendemos por que o profeta Isaías disse que “ao Senhor agradou moê-lo” (Is 53.10), é porque ele veria “o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito” (Is 53.11).

“A cruz não é um tratado diplomático entre Deus e o diabo, mas o anúncio da derrota do império das trevas, o julgamento do príncipe deste mundo, a sentença contra toda tirania infernal! No Calvário satanás não obteve nenhum ganho, nenhuma vantagem, nenhum benefício. O brado de Cristo ‘Está consumando’ (Jo 19.30) foi a ferida mortal aberta na cabeça da antiga serpente (Gn 3.15), que agora, já sob julgamento condenatório, apenas sacode a cauda, até que venha o glorioso dia de nosso Senhor Jesus em que cumprirá finalmente a sentença: ‘Em breve o Deus de paz esmagará Satanás debaixo dos pés de vocês’ (Rm 16.20).

Erram nossos amigos pregadores quando dizem que Jesus perguntou ao diabo qual era a nossa dívida, e que Jesus lhe pagaria com preço de sangue, como se o diabo fosse ficar com um balde debaixo da cruz coletando cada gota de sangue do Salvador para guarda-las sabe-se lá onde! Sei que esta ideia de que Jesus pagou a satanás pela nossa redenção é uma ideia antiga na Igreja, mas ela não tem qualquer respaldo nas Escrituras! Jesus nunca fez nenhum acordo com o demônio pelas nossas almas. Tal historieta poderia ficar bem para as produções cinematográficas hollywoodianas, mas não para o púlpito, não para os ministros do santo Evangelho, de quem se espera fidelidade à Palavra de Deus”. (9)

Discorrendo sobre a relação entre o diabo e a morte, proposta em Hebreus 2.14 (“o que tinha o império da morte, isto é, o diabo”), Craig Keener nos informa que “A literatura judaica já havia relacionado o Diabo com a morte, especialmente na Sabedoria de Salomão (…); alguns textos posteriores até identificam SATANÁS com o anjo da morte” (10). Qualquer que seja a interpretação desse versículo em específico, fato é que, nem o diabo nem a morte são capazes de triunfar sobre o crente que deposita sua alma nas mãos do Filho de Deus. Aos que “prestam mais atenção ao que têm ouvido”, e que “vivem pela fé” (Hb 10.38), sobre estes o diabo e a morte não têm poder. “Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá” (Jo 11.25). Dietrich Bonhoeffer, pastor luterano executado pelo maligno ditador Adolf Hitler, afirmou que “A morte é a suprema celebração em nosso caminho rumo à liberdade”. Aquela que outrora era o terror dos homens, agora não nos incomoda mais, antes é recebido como celebração, ou como “lucro” (Fp 1.21). “Onde está, ó morte, a sua vitória? Onde está, ó morte, o seu aguilhão?” (1Co 15.55). Por isso que as Escrituras dizem: “Quando chega a calamidade, os ímpios são derrubados; os justos, porém, até em face da morte encontram refúgio” (Pv 14.32).

CONCLUSÃO

Agora, ressurreto e glorificado à destra do Pai, Cristo não sofre mais. Ele está exaltado e vive para interceder por nós, compadecendo-nos de nossas fraquezas, oferecendo ao Pai incessantes rogos em nosso favor. Aquele que foi o ofertante e a oferta, o sacerdote e o sacrifício, “é capaz de socorrer aqueles que também estão sendo tentados” (2.18). De humanidade Jesus entende perfeitamente, porque ele é humano. De sofrimentos Jesus entende, porque ele os padeceu. De desprezo Jesus entende, porque ele o sofreu na pele. De tentação Jesus entende, porque ele em tudo foi tentado. Sim, Jesus nos entende perfeitamente e deseja em tudo ser o nosso Archegon, o nosso grande Pioneiro da salvação, que vai adiante de nós conduzindo-nos pelo caminho que ele abriu para chegarmos ao Pai e participarmos de sua glória eterna. Esta mui bela mensagem de “fé, esperança e ânimo” serve para edificação não só dos crentes judeus tentados à voltarem para sua antiga religião e suas antigas práticas. Serve também a nós, em dias tão conturbados como os que vivemos, para reavivarmos a fé e prosseguirmos conscientes de que crermos em Jesus como Salvador foi a melhor decisão já tomada em nossa vida, para a qual não cabe arrependimento.

REFERÊNCIAS
(1) David Peterson. Comentário Bíblico Vida Nova, D. A. Carson (org.), Vida Nova, p. 1990. Grifo meu
(2) Tiago Rosas. A Mensagem da cruz: o amor que nos redimiu da ira, LEVE, p. 29
(3) Tiago Rosas. Op. cit., p. 30
(4) Craig Keener. Comentário histórico-cultural da Bíblia – NT, Vida Nova, p. 760
(5) Jacó Armínio. As Obras de Armínio, vol. 3, CPAD, p. 139
(6) Jacó Armínio. Op. cit.
(7) Lawrence Richards. Comentário histórico-cultural do Novo Testamento, CPAD, p. 492
(8) David Peterson. Op. cit., p. 1992
(9) Tiago Rosas, op. cit., p. 85

(10) Craig Keener. op. cit, p. 762

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Casado, bacharel em teologia (Livre), evangelista da igreja Assembleia de Deus em Campina Grande-PB, administrador da página EBD Inteligente no Facebook e autor de quatro livros: A Mensagem da cruz: o amor que nos redimiu da ira (2016), Biblifique-se: formando uma geração da Palavra (2018), Reflexões contundentes sobre Escola Bíblica Dominical (versão e-book, 2019), e Poder, poder pentecostal: reafirmando nossa doutrina e experiência, à luz das Escrituras Sagradas (lançamento previsto para final de 2019).

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