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opinião

Judeus messiânicos ou “cristãos fora da lei”?

Armando Taranto Neto

em

Em Gálatas 3.1 o apóstolo Paulo diz:

“(…) Ó insensatos gálatas! quem vos fascinou a vós, ante cujos olhos foi representado Jesus Cristo como crucificado? (…)”

A palavra fascinação tem alguns sinônimos interessantes: Tirar a atenção, encantar, apaixonar,  enfeitiçar, etc…

O termo sinônimo “Enfeitiçar” cabe muito bem para a verdadeira tradução no contexto histórico da epístola aos Gálatas. Lembremo-nos que esta carta foi redigida por Paulo para corrigir um grave erro que estava acontecendo na igreja de lá. Alguns judeus que haviam recebido a Cristo Jesus como salvador ensinavam que, embora crentes na Nova Aliança, não deveriam deixar a obediência à Lei e deveriam continuar cumprindo todos os ritos e rituais que o Antigo Pacto determinava.

Não é por acaso que esta epístola é classificada como a “Epístola da Liberdade Cristã”. Paulo compara o Antigo Pacto como Hagar, a escrava que teve um filho com Abraão fora dos propósitos e promessa do Senhor; o Novo pacto é equiparado a Sara, a esposa, livre e que estava dentro dos propósitos de Jeová. Esta epístola foi escrita para libertar de vez os crentes de toda e qualquer fascinação ou feitiço doutrinário que procure levá-lo novamente à vida de submissão à Lei de Moisés.

Por algum motivo os Judaizantes (Judeus convertidos) estavam, como que por terrorismo psicológico, trazendo uma interpretação distorcida para os irmãos gentios (convertidos não judeus) afirmando que deveriam cumprir todos os cerimoniais, dietas, observação de festas, dias e anos conforme determinado na Torà (Livro da Lei Judaica).

Sem que percebessem os irmãos foram enfeitiçados, a voltar à Lei, o que Jesus nunca ensinou. A fascinação foi tão envolvente que até Barnabé dissimulou (dissiular= acobertar, fingir, silenciar, calar e proteger) [Talvez Barnabé tenha silenciado por falta de argumentação]

“(…) E os outros judeus também dissimularam com ele, de modo que até [Barnabé] se deixou levar pela sua dissimulação.(…)”

Principais determinações dos judaizantes de Gálatas:

1)      Circuncisão – (ato de retirada da pele excedente na extremidade do pênis)

Paulo refuta, dizendo que : “(…) Mas nem mesmo Tito, que estava comigo, embora sendo grego, foi constrangido a circuncidar-se; e isto por causa dos falsos irmãos intrusos, os quais furtivamente entraram a espiar a nossa liberdade, que temos em Cristo Jesus, para nos escravizar; (…)” Gl 2.3 “Porque em Cristo Jesus nem a circuncisão nem a incircuncisão vale coisa alguma; mas sim a que opera pelo amor.”  Gl 5.6

“(…) Pois nem a circuncisão nem a incircuncisão é coisa alguma, mas sim o ser uma nova criatura.(…)” Gl 6.15

 2)      Guarda da Lei para ser salvo (justificação pelas obras da Lei)

Paulo ensina que: “(…) De modo que os que são da fé são abençoados com o crente Abraão. Pois todos quantos são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque escrito está: Maldito todo aquele que não permanece em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las. É evidente que pela lei ninguém é justificado diante de Deus, porque: O justo viverá da fé; ora, a lei não é da fé, mas: O que fizer estas coisas, por elas viverá.  Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro; para que aos gentios viesse a bênção de Abraão em Jesus Cristo, a fim de que nós recebêssemos pela fé a promessa do Espírito. (…)” Gl 3.9-14

Se uma pessoa é justificada pelas obras da Lei por que Jesus Cristo morreu? Sua morte, sepultamento e ressurreição são as verdades essenciais do evangelho.

Todo aquele que quer combinar a Lei com a Graça está trilhando por um caminho que afronta o próprio Evangelho, é uma mistura “Impossível”. Voltar à Lei significa “anular” a Graça de Deus.

A epístola aos Colossenses é uma carta apologética aos ataque gnósticos à igreja, mas no capítulo 2.20-23 Paulo aproveita o espaço para também corrigir uma vez mais o grotesco erro doutrinário dos Crentes Judeus com respeito às observâncias das dietas, lugares sagrados, guarda de dias especiais tais como sábados, luas novas, etc…

“(…) Se morrestes com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos sujeitais ainda a ordenanças, como se vivêsseis no mundo,  tais como: não toques, não proves, não manuseies  (as quais coisas todas hão de perecer pelo uso), segundo os preceitos e doutrinas dos homens?  As quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria em culto voluntário, humildade fingida, e severidade para com o corpo, mas não têm valor algum no combate contra a satisfação da carne.(…)” [Grifo meu]

Outra questão que os messiânicos levantam como seu “Cavalo de Batalha” é a malfadada interpretação do “Shabbat (sábado).  Em Mc 2.27 Jesus diz: “ (…) E prosseguiu: O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado.(…)”, em outras palavras, Jesus estava dizendo que muito antes de o sábado existir o homem já existia, e o Senhor, então, no final da criação, no sexto dia descansa, dando um exemplo que existe uma necessidade de repouso, no caso, o sétimo dia. Perceba que a palavra “Shabbat” significa descanso e não o sétimo dia da semana. Sacralizar (tornar sagrado) o sétimo dia da semana é completa falta de bom senso hermenêutico. O “Shabbat” (descanso) só existe porque existe alguém que precisa descansar. O Homem pode perfeitamente existir sem o descanso, o “Shabbat”, mas não existe descanso , “Shabbat”, sem aquele que descansa.

Concluímos, então, que Cristo Jesus nos livrou de todo o jugo da Lei e ordenanças humanas.

Com todo respeito aos Judaizantes do século XXI, que aplicam as ordenanças e cerimoniais  da Lei judaicas na Igreja completamente fora de contexto, que trombeteiam “Shoffar” em suas reuniões,  amaldiçoando os  que não incorrem no mesmo erro,  deixo-vos a seguinte conclusão:

Quanto mais firmados na Lei, mais ilegais e escravos nos tornamos diante do Senhor.

Quanto mais servos de Jesus e desconectados da Lei mais livre a Graça nos torna.

Simples assim!

Graduado em Teologia. Pós-graduado em Teologia Bíblica. Mestre em Sociologia da Religião. Doutorando em Teologia.

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