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Política

Evangélico, presidente eleito promete acabar com a corrupção

Jimmy Morales obteve votação recorde com discurso “nacionalista cristão”

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Com presença constante na televisão do país durante 14 anos, o humorista Jimmy Morales era figura conhecida na Guatemala. Quando revolveu se candidatar a presidente, naturalmente não foi levado a sério. Sem nenhuma experiência em cargos eletivos, ele se dizia “antipolítico”.

Nas primeiras pesquisas, seu nome estava entre os últimos até abril. Porém, quando começaram a ser denunciados diversos casos de corrupção envolvendo o ex-presidente Otto Pérez Molina e sua vice-presidente, que lideravam uma gigantesca fraude alfandegária. Eles e vários funcionários de alto escalão acabaram presos após as manifestações sem precedentes da população nas ruas.

Eram 14 candidatos no primeiro turno. Ele foi para o segundo turno com a ex-primeira dama Sandra Torres. Aos 46 anos, Jimmy Morales obteve a porcentagem histórica de 68,5% dos votos. Em segundo lugar ficou Torres, com 31,5%.

“Foi um voto valente, um voto de esperança, um voto que tem claro de que é preciso acabar com a corrupção. Faço um chamado a todos para que construamos essa realidade”, disse o comediante durante a coletiva de imprensa que comemorou sua vitória.

“Se damos o exemplo desde em cima, há mais probabilidades e solvência moral para exigir aos escalões intermediários e mais baixos para que todas as coisas sejam feitas sem corrupção”, asseverou Morales. Ele se comprometeu a apoiar a Comissão Internacional Contra a Impunidade na Guatemala.

Durante a campanha, Jimmy Morales fez usou de bom humor e passagens bíblicas em seus discursos.  Seu lema era direto: “Nem corrupto, nem ladrão”. Sempre ressaltando sua fé, dizia o tempo todo que “Meu compromisso é com Deus e com o povo guatemalteco”.

Evangélico, membro de uma igreja batista, e com diploma de teologia, ele teve apoio das alas mais conservadoras do país, incluindo os militares. Maior economia da América Central, a Guatemala vive uma crise institucional. Recuperar a confiança é o grande desafio do novo presidente, cujo partido ocupará menos de 10% das cadeiras do Congresso.

Seu discurso é abertamente “nacionalista cristão”, posicionando-se a favor da pena de morte, contra o aborto, o casamento homossexual e a legalização das drogas. Ele assumirá o governo somente em janeiro, mas já designou uma equipe para a transição.

Numa entrevista à agência Reuters no mês passado, Morales resumiu sua plataforma: “Portas abertas e auditoria de tudo. Nas instituições, na justiça, na polícia, nas alfândegas”. Com informações El Universo



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