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cosmovisão

Jesus Cristo segundo o Islã

Estima-se que uma em cada cinco pessoas no mundo, conhece algo sobre Jesus através do Islã e do Alcorão.

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Representação de Jesus Cristo
Representação de Jesus Cristo (Foto: Direitos Reservados/Deposiphotos)

A humanidade assiste ao crescimento exponencial da fé muçulmana por todo o globo, comunicando cada vez mais sua cultura, penetrando em diversas sociedades especialmente, europeias. O islamismo é a religião que cresce mais rápido do que a população global e, segundo especialistas, será a maior do mundo em 2050. A pesquisa estima que população de muçulmanos crescerá 73% entre 2010 e 2050, em comparação com um aumento de 35% dos cristãos, e 37% da população mundial. Se as religiões mantiverem o atual índice de evolução, os muçulmanos serão mais numerosos na década de 2070. O mundo ocidental, que ainda é em sua maioria cristão, talvez nem imagine que o islamismo tem em grande respeito e admiração por Jesus, filho de Maria. Mas como o muçulmano em geral entende Jesus? Certamente suas convicções são radicalmente diferentes dos cristãos. Jesus é citado inúmeras vezes no Alcorão. O cristianismo e o islamismo têm sérias divergências teológicas que são auto excludentes. O objetivo deste artigo é apresentar a visão islâmica a respeito de Jesus, filho de Maria, que viveu sua vida entre os israelitas, anunciando e pregando a Palavra de Deus.

Jesus no Alcorão

Por mais incrível que possa parecer a muitas pessoas, Jesus Cristo, filho de Maria, é admirado e respeitado por todos os muçulmanos. Estima-se que uma em cada cinco pessoas no mundo, conhece algo sobre Jesus através do Islã e do Alcorão. Segundo o Alcorão, Jesus foi um grande profeta anterior a Muhammad. Foi concebido de forma milagrosa no ventre de Maria que nunca se relacionou com nenhum homem. Jesus Cristo foi um profeta de Allah enviado aos israelitas para anunciar o arrependimento realizando muitos milagres entre os judeus.

No Alcorão, Jesus é mencionado 25 vezes, enquanto o nome do Profeta Muhammad é mencionado apenas cinco vezes. O nome de Jesus em árabe pode variar de acordo com a tradição local. Estas são algumas possibilidades: Isa, Issa ou Yasu. Ele é designado de várias maneiras: al-Masih (messias), nabi (profeta), rasul (mensageiro), Ibn Maryam (filho de Maria), min al-muiarraben (entre os que estão próximos de Deus), wadjih (digno de louvor neste mundo e no próximo), mubarak (abençoado) e Abd Allah (servo de Allah). (ALCORÃO 2:87, 136, 253 / 3:42-59, 84 / 4:156-159, 84 /5: 17, 46, 72, 75, 78, 110-118 / 6:85 / 9:30-31 / 19:1-40 / 23:50 / 33:7 / 42:13 / 43:57-65 / 57:27 / 61:6,14).

O Alcorão não apenas conta a história de Jesus desde seu nascimento como também, narra momentos da vida de muitas personagens bíblicas anteriores a ele, como por exemplo João, o batista. Muhammad tinha grande conhecimento das escrituras judaica e cristã e também cria piamente em seres angelicais e demoníacos. 

Acreditava que foram anjos que disseram a Zacarias que ele teria um filho conforme o relato bíblico do livro de Lucas 1:18, 57-60 (ALCORÃO, sura 3:38-41). O Alcorão conta como foi a concepção miraculosa de Jesus. Maria é a única mulher referenciada pelo nome no Alcorão. Conforme o Livro Sagrado dos muçulmanos, ela era tão devota a Deus que recebeu as bênçãos diretas de Deus, como por exemplo, alimentos do céu, além de Sua proteção divina contra Satanás. (ALCORÃO, sura 3: 33-37).

Maria teria sido eleita por Allah que a aceitou de forma benevolente: “Recorda-te de quando os anjos disseram: Ó Maria, é certo que Deus te elegeu e te purificou, e te preferiu a todas as mulheres da humanidade! ” (ALCORÃO, sura 3:37). “Ele a fez crescer em beleza e pureza”. (ALCORÃO, sura 3:42). Maria não é uma invenção para corroborar a história de Jesus, muito pelo contrário! Maria era uma mulher verídica” (ALCORÃO, sura 5:75). A concepção de Jesus foi extraordinária devido o estado virginal de Maria (ALCORÃO, sura 21:91 e 66:12) exatamente porque ele não teve pai. Portanto, ao contrário do que registra a Bíblia Sagrada, no relato do Alcorão não existe a figura de José. Maria nunca foi desposada ou prometida e não se casou com nenhum homem. Sua concepção ocorreu pela vontade de Allah (ALCORÃO, sura 3:37-47).

O teólogo muçulmano Harun Yahya, defende em seu livro “Jesus regressará” que Jesus era muito diferente de todos os outros seres humanos. O nascimento virginal foi um tipo de criação com o qual não estamos familiarizados. (2001, p. 18). Simon Alfredo Caraballo A. Maria. A, em na obra “Meu amor por Jesus me conduziu ao Islam” escreve: 

Outro Hadice, também referido por Bukhari, acrescenta: “Quando qualquer ser humano nasce, Satanás o toca em ambos os lados do corpo com seus dois dedos, com exceção de Jesus, filho de Maria, a quem Satanás tentou ferir, mas só conseguiu raspar na placenta”. Esta foi uma resposta de Deus à súplica de sua avó, esposa de Imran, como lemos no Alcorão 3:36: “Eis que a chamo Maria; ponho-a bem como à sua decência, sob a Tua proteção contra o maldito Satanás (CARABALLO, 2010, p.26).

A aparência de Jesus nunca foi algo com o que a maioria dos cristãos se apegassem com tanto vigor. Curiosamente o teólogo Muhammad Atá Ur’Rahim, na obra “Jesus um profeta do Islam, faz um relato de qual seria a provável aparência de Cristo. Segundo o autor.

Era um homem rosado, tendendo para o branco e não tinha cabelo comprido. Nunca ungiu a cabeça e costumava andar descalço; não tinha casa, nem bens, nem roupas, não usava adornos e não levava consigo provisões, exceto os alimentos necessários para o próprio dia. O seu cabelo era desgrenhado e o rosto pequeno. Era um asceta neste mundo, esperando ansiosamente pelo próximo a fim de adorar a Deus. (UR’RAHIM, 1995, p.19).

Para os muçulmanos acreditam em Jesus como um grande profeta de Allah, que pregou em Israel exortando os judeus a voltarem para a verdadeira fé. Ele seria o penúltimo profeta enviado por Deus para anunciar o arrependimento das práticas pecaminosas e convoca-los a uma fé na unidade de Allah. 

Dize: Cremos em Deus, no que nos foi revelado, no que foi revelado a Abraão, a Ismael, a Isaac, a Jacó e às tribos, e no que, de seu Senhor, foi concedido a Moisés, a Jesus e aos profetas; não fazemos distinção alguma entre eles, porque somos, para Ele, muçulmanos. (Sura 3:84).

A fé islâmica aponta para um Jesus místico e histórico, nascido de forma miraculosa, enviado por Allah para pregar aos israelitas a fé monoteísta e o arrependimento. O ministério de Jesus foi marcado por grandes feitos e sinais extraordinários. Para os muçulmanos crer na sua mensagem e nos seus sinais é condição obrigatória para a verdadeira fé em Allah. O Alcorão relata milagres que não são registrados na Bíblia Sagrada. Alguns inclusive, durante a infância mais tenra de Jesus. 

O extraordinário de Jesus

Seguindo o estilo dos profetas do passado, Jesus é apresentado no Corão como um profeta que prega uma mensagem forte e direta contra o pecado e a hipocrisia religiosa. 

Criticando os ensinamentos impróprios dos rabis, os quais foram responsáveis pela degeneração da verdadeira religião (din), Jesus (as) aboliu regras inventadas pelos próprios rabis e através das quais obtinham ganhos pessoais. Ele convocou os Filhos de Israel para a unicidade de Allah, para a honestidade e para a conduta virtuosa. (YAHYA, 2001, p.8).

Os muçulmanos têm Jesus como um homem extraordinário por diversos fatores. Entre eles está o fato de que ele falou aos israelitas desde sua infância, literalmente. No Alcorão, encontra-se registrado passagens que afirmam que Jesus, ainda no berço falou ao povo. (ALCORÃO 3:46 / 19:29-30 / 5:110). Não poucas vezes, os sermões de eram acompanhados de algum sinal miraculoso que endossava a pregação. O Alcorão registra alguns milagres no 3º sura denominado Ál Imran. Estão relacionados milagres e maravilhas realizados a vista de todos como por exemplo, tomar nas mãos o barro e transformá-lo em pássaros que ganhavam vida instantaneamente. (ALCORÃO, sura 3:49-51).

Além desta passagem, o Alcorão relata muitos outros milagres de Jesus como a cura de um cego de nascença (Sura 3:49 e 5:110) e a ressurreição de um morto (Sura 3:49/5:110). Jesus tinha habilidades extraordinárias como conhecer qual o alimento que as pessoas estocavam e consumiam (ALCORÃO, sura 3:49). Ele também recebeu de Allah uma escritura sagrada, o Evangelho, a mensagem Deus para que humanidade siga o monoteísmo, faça o bem e pratique a caridade. Sua vida é inspiração para todos; seu exemplo de humildade e obediência é um modelo a ser seguido conforme registra o Alcorão: “E venho confirmar o que existia antes de mim na Tora, e tornar legal parte do que vos estava proibido; e vim para vós como um Sinal do vosso Senhor. Portanto, temei a Allah e obedecei-me”. (Sura 3:50). 

Mesmo tendo realizados todos estes sinais, a teologia islâmica entende que Jesus não os realizou por si próprio pois ensinamentos são baseados na crença em um único Deus, sem associados e no amor à humanidade. Realizou muitos milagres, mas nunca creditou os milagres a si mesmo, mas sempre a Deus (CARABALLO, 2010, p. 22). Como um bom profeta, Jesus sempre rendeu glórias a Allah dizendo que tudo o que fazia não fazia de si mesmo, mas só podia realizar tais coisas porque Deus lhe concedera que fizesse. Para endossar esta doutrina, os islâmicos se valem de alguns trechos bíblicos como João 5:30 “Por mim mesmo, nada posso fazer; eu julgo apenas conforme ouço, e o meu julgamento é justo, pois não procuro agradar a mim mesmo, mas àquele que me enviou” e no livro de Atos 2:32: Israelitas, ouçam estas palavras: Jesus de Nazaré foi aprovado por Deus diante de vocês por meio de milagres, maravilhas e sinais, que Deus fez entre vocês por intermédio dele, como vocês mesmos sabem.

O término do ministério terreno de Jesus também é bem diferente do que a registraram os autores dos evangelhos que tem como ponto alto de seus registros a morte e ressureição de Cristo. A cruz é tema central não apenas para os evangelistas canônico, mas também para o apóstolo Paulo. O Alcorão nega veementemente que Jesus tenha morrido na cruz. Os muçulmanos creem que houve uma conspiração dos inimigos de Jesus para pôr fim em sua vida, mas Deus o salvou e o elevou para Ele. (IBRAHIM, 2002, p.58). Para a fé islâmica, Jesus não morreu conforme diz o Alcorão: 

E por dizerem: Matamos o Messias, Jesus, filho de Maria, o Mensageiro de Allah, embora não sendo, na realidade, certo que o mataram, nem o crucificaram, mas o confundiram com outro. E aqueles que discordam quanto a isso estão na dúvida, porque não possuem conhecimento algum, mas apenas conjecturas para seguir; porém, o fato é que não o mataram. (ALCORÃO, sura 4:157).

Conforme a teologia islâmica Jesus nunca foi levado à cruz. Ao encontrarem um modo diferente de interpretarem a religião, os Judeus sentiram-se frustrados com o aconselhado por Jesus. No Alcorão, Allah refere o modo como Jesus comunicou os mandamentos de Allah (Sura 43:63-65) (YAHYA, 2001, p. 22). Quando os judeus tentaram dar cabo da vido do profeta de Allah que estava pregando em Israel, os anjos vieram ao seu encontro e o elevaram até Deus. No entanto, um homem morreu na cruz. Talvez o mais improvável de todos, Judas Iscariotes, o tesoureiro. Ele teria aceito a promessa de receber trinta peças de prata, caso ajudasse a capturar Jesus. Para evitar maiores problemas com o povo que seguiam a Cristo, esperaram até o anoitecer. Judas tinha ordens para identificar o nazareno com um beijo para que ficasse evidente aos soldados quem era o profeta. Porém, ao chegarem pela noite, um grande alvoroço se estabeleceu e os dois judeus confundiam-se no escuro e os soldados, erradamente prenderam Judas em vez de Jesus que aproveitou a oportunidade para fugir. 

Segundo a crença islâmica, Jesus nunca passou pelo sofrimento e pela humilhação da cruz conforme autores do Novo Testamento bíblico afirmam. Os muçulmanos não acreditam que Jesus foi crucificado, pois entendem se tratar apenas de plano mal sucedido dos inimigos de Jesus para mata-lo, mas Deus o salvou e o elevou para Ele. Acreditam também que a aparência de Jesus foi colocada sobre outro homem. Os inimigos de Jesus pegaram esse homem e o crucificaram, pensando que ele fosse Jesus.

A ascensão de Jesus até os céus foi seu escape definitivo das mãos dos incrédulos. Para os muçulmanos, Allah o fez subir e agora, Jesus é contado entre aqueles que hão de herdar a terra. Portanto, Jesus não era um homem comum, mas sim, alguém que foi gerado de forma extraordinária e também alguém que realizava muitos sinais e maravilhas que ainda não passou pela morte pois foi elevado pelos anjos até Allah. A teologia islâmica também ensina que o mesmo Jesus que foi elevado aos céus um dia regressará. Sobre o assunto YAHYA escreve:

Jesus (‘Issa) (as), tal como todos os outros profetas, é um servo escolhido por Allah, a quem Allah destinou convocar as pessoas para o verdadeiro caminho. Contudo, existem determinados atributos de Jesus que o distinguem dos outros profetas, sendo que o mais importante é o facto dele ter sido elevado por Allah, e o de que regressará à Terra uma segunda vez. (YAHYA, 2001).

A segunda vinda de Jesus é aguardada com muita expectativa pelos muçulmanos pois entendem que ele voltará num período de tempo denominado “o fim dos tempos”.  Este termo configura-se num período próximo do fim do mundo, não sinônimo do mesmo. Nele ocorrerão terríveis provações do Djjal (anticristo) como terremotos, o aparecimento de Yajuj e Majuj (Gog e Magog), e a Terra experimentará um tempo de maldade e dor. Porém, no momento final do “fim dos tempos” será abençoado. Haverá paz, justiça e bem-estar nunca antes visto na humanidade onde  o caminho do Alcorão prevalecerá e as pessoas se converterão aos valores anunciados pelo Islam. É o tempo em que todas estas benções substituirão, a injustiça a imoralidade, os conflitos e as guerras. É, com certeza, o tempo abençoado em que os princípios morais Islâmicos penetrarão em todos os aspectos da vida. (YAHYA, 2001, p. 6). 

Jesus não passou pela morte porque não havia proveito algum em sua morte, conforme a tradição islâmica. Jesus é um profeta a serviço de Allah e nada mais do que isso. O cristianismo discorda radicalmente deste ponto pois crê que Jesus Cristo é uma das Pessoas da Santíssima Trindade. A teologia islâmica por sua vez, reúne vários argumentos para combater tais afirmações e assim, constrói um cabedal religioso antagônico ao cristianismo negando pontos fundamentais para fé evangélica.

Conclusão

Jesus de Nazaré é, sem dúvida, a personagem mais extraordinária da história humana. O mundo foi impactado por sua presença e profundamente afetado por seu ministério. É inegável a sua relevância e influência em toda a sociedade. Duas das maiores religiões do mundo, o Cristianismo e o Islamismo, reconhecem sua origem miraculosa e sua mensagem transformadora. Pode ser surpreendente para muitas pessoas, o fato de que o próprio Alcorão, não apenas faz menção a Jesus, filho de Maria, como também narra diversos fatos de sua vida. A teologia islâmica, porém, é enfática em dizer que Jesus não é o Filho de Deus e que os cristãos estão errados. A fé islâmica diverge do cristianismo radicalmente, quanto a pessoa de Jesus e sua natureza. O muçulmano vê Jesus como um importante profeta de sua religião e jamais como Deus. Considera seus ensinos como continuação da mensagem de Allah que convoca os judeus a unicidade e unidade da fé. Tais divergências são irreconciliáveis. Porém, eis um ponto de contato entre as duas religiões para um possível diálogo e melhor compreensão da fé alheia a respeito de quem foi de fato Jesus de Nazaré. O objetivo deste artigo, é apresentar a visão islâmica sobre a pessoa de Jesus e suas implicações na prática da fé muçulmana.                                

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Breno Silveira. Teólogo, pós-graduado em História e Geografia. Coordenador do Curso de Teologia da Faculdade Batista de Minas Gerais e do Colégio Batista Mineiro em Belo Horizonte.

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