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Internacional

Imagens mostram minorias religiosas em campos chineses de “transformação do pensamento”

Os detentos são instruídos a escreverem repetidamente a frase: “Eu amor o Partido Comunista da China”.

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Campos chineses de transformação do pensamento. (Foto: Reprodução / BBC)

Uma reportagem da BBC revelou que um grande número de muçulmanos e outras minorias religiosas está sendo mantido contra sua vontade em centros de detenção educacional na China, onde eles aprendem a “transformar” seus pensamentos e declarar amor ao Partido Comunista da China.

O Governo classifica essas instalações como “escola”, mas as imagens mostram que a realidade é diferente: tudo indica que o único objetivo desses espaços é acabar com as minorias religiosas e todas as suas crenças profundas em troca de uma única confiança e fé no presidente Xi Jingping e no Estado chinês.

O que se aprende nessa “escola” é doutrinação política, tanto que ao serem entrevistados pelos jornalistas da BBC, os internos dão respostas robóticas, como se tudo fosse decorado.

“É a sua escolha estar aqui?”, questiona o repórter. “Sim”, respondeu um homem, sem hesitação. “Um policial na minha aldeia me disse para se matricular na escola e transformar meus pensamentos”, completou.

Nesses campos de detenção, os integrantes de minorias religiosas passam por um esquema de reeducação política. Inclusive, eles são instruídos a escrever repetidamente a frase: “Eu amor o Partido Comunista da China”.

Campos escondidos na China. (Foto: Reprodução / BBC)

Toda a estrutura dos campos de detenção é modificada quando chega equipes de jornalistas estrangeiros, a ideia é evitar perguntas difíceis sobre o que acontece dentro desses espaços.

A equipe da BBC diz que se aventurou em um campo diferente, que seria “mais sinistro”, porém as autoridades locais não deixaram que eles entrassem no espaço. Para eles, o governo quer apresentar uma realidade diferente do dia-a-dia de quem está detido nesses ambientes.

Entre os entrevistados na reportagem está uma mulher que ficou presa no acampamento por mais de um ano por ter o WhatsApp instalado em seu celular.

Ela conseguiu fugir para o Cazaquistão e relatou que todos os presos são orientados e ameaçados quando chega uma equipe de reportagem.

“Nosso objetivo é mudar seus pensamentos religiosos extremistas”, expressa um membro da equipe na instalação. O jornalista rebate: “Nós chamamos isso de lavagem cerebral”.

O agente volta a dizer: “Não estamos mudando completamente seus pensamentos. Nós só removemos os elementos extremistas”.

Confira a reportagem da BBC (em inglês):

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